​​Red Bull Air Race ​chega a penúltima fase e ​marca despedida de circuito alemão

O Red Bull Air Race coloca neste fim de semana um ponto final na história do Lausitzring como palco de grandes competições de esporte a motor. É que o autódromo localizado a pouco mais de 100 km de Berlim, na Alemanha, foi vendido para a empresa de inspeção veicular DEKRA, que planeja utilizar a estrutura apenas para testes particulares.




Não há garantias de que esta pista volte a receber competições. E sendo assim, o Red Bull Air Race promete uma despedida histórica, colocando os aviões de corrida para rasantes a mais de 400 km/h diante dos olhos da torcida alemã, que conta inclusive com um herói local. O atual campeão é o alemão Matthias Dolderer, que tenta vencer pela primeira vez no ano, agora correndo em casa.

A história do Lausitzring é bastante curiosa. 

O muro de Berlim ainda dividia o mundo em dois quando surgiu a ideia de construir uma pista de corrida em plena Alemanha Oriental. O local escolhido foi o terreno de uma mina de carvão desativada, bem perto das fronteiras com a Polônia e a antiga Tchecoslováquia. Mas o muro caiu, o mundo mudou e o projeto demorou mais um tempão pra sair do papel.

Foi só em maio de 1999 que a Alemanha unificada enfim pôde dar início à construção do Lausitzring, erguido ao custo de 158 milhões de euros (78% dessa grana proveniente dos cofres do Estado de Brandemburgo).

A proposta era inovadora: criar a cultura de circuitos ovais na Europa.

Eram dois dentro do complexo: um trioval de duas milhas (inspirado no Pocono Raceway, dos Estados Unidos), e outro de quatro milhas, que só serviria para testes automotivos. Os dois ovais poderiam se conectar às diversas opções de traçados mistos, formando um circuito completo que poderia chegar a 11 km de extensão.




O oval do Lausitzring não foi devaneio de ninguém.

Havia planos para internacionalização da Champ Car (na época a divisão mais rica e mais interessante da Indy, hoje reunificada) e as corridas na Alemanha e na Inglaterra seriam o carimbo definitivo no passaporte. Ou seja, ele nasceu pra ser o berço da Indy na Europa.

Mas esse conceito não vingou, já que tanto a Indy quanto a pista (que tinha entre seus mantenedores um banco alemão) entraram em crise nos anos seguintes.

Os primeiros anos de atividade foram também muito traumáticos, em função do acidente fatal do ex-piloto de Fórmula 1 Michele Alboreto durante um teste de performance para a Audi, e pela pancada assustadora de Alex Zanardi na Indy. Zanardi perdeu as duas pernas depois de ser atingido em cheio na estreia da Indy no oval.

O circuito trabalhou para superar esses traumas e, em 2003, viveu um de seus momentos mais marcantes: o retorno de Alex Zanardi ao cockpit de um carro da categoria (devidamente adaptado para suas novas condições). Em uma exibição especial, Zanardi acelerou e foi aplaudido de pé pelo público enquanto completava 13 voltas pelo trioval, exatamente o que faltou para ele receber a bandeirada no dia do acidente.  O traçado misto do complexo também fez história como sede da Superbike, da DTM e da A1GP.

O Red Bull Air Race chegou ao Lausitzring em 2010, já que o lugar é perfeito para corridas aéreas. O complexo e o terreno privilegiado permitem visibilidade total para os 120 mil torcedores (capacidade máxima). E a expectativa é de casa cheia outra vez, especialmente por se tratar da despedida do autódromo.

A corrida da Alemanha é a penúltima da atual temporada do Air Race, que tem uma disputa espetacular pelo título. O tcheco Martin Šonka é o líder com 54 pontos; o canadense Pete McLeod aparece em segundo, com 50; correm por fora o norte-americano Kirby Chambliss (47 pontos) e o japonês Yoshihide Muroya (44).

A prova no domingo terá transmissão ao vivo pelo site (redbullairrace.com) e pelo Facebook do Red Bull Air Race. A disputa começa às 09h00 no horário de Brasília.

Pela Assessoria de Imprensa da Red Bull Air Race

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é piloto e Bacharel em Ciências Aeronáuticas. Formado em Design e Performance de Aeronaves pela California State University Long Beach e Segurança da Aviação pela Western Michigan University. Membro da AOPA e da AIAA.