60 ANOS DA ESQUADRILHA: UM EVENTO PARA A HISTÓRIA

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Texto e fotos: Carlos Roman 

Haviam se passado pouco menos de dois meses desde que voltamos da FIDAE, estávamos com a régua da expectativa lá em cima e eis que ela foi superada, em plena pequena cidade de Pirassununga, pela Força Aérea Brasileira, com um evento brilhante, bonito, democrático, completo, digno de grandes shows aéreos do mundo. Nem o tempo foi vilão, ele tentou colocar algum receio no começo e, se o objetivo dele era impedir a decolagem do F/A-18 Super Hornet, certamente jogou a toalha logo na primeira exibição do Sábado.

Os dois dias eram reservados para uma ocasião mais do que especial, a comemoração do 60º Aniversário do Esquadrão de Demonstrações Aéreas da Força Aérea Brasileira, popular e carinhosamente chamado de “Esquadrilha da Fumaça”, um apelido simpático com significado muito além de homens fazendo piruetas e marcando o céu com a fumaça suas aeronaves. É a prova do esforço de nossa Força Aérea para se aproximar das pessoas, de que as coisas boas devem ser mostradas e que as pessoas devem aprender a reconhecer o esforço das outras. A filosofia não termina quando o show aéreo acaba.

Quando chegamos a Pirassununga, naquela chuva matutina, tivemos uma dúvida, um silêncio que foi cortado em poucos minutos no barulho de uma decolagem poderosa. Com uma subida quase que de noventa graus, o Super Hornet mostrava que haveria ali um evento fantástico. Contra o vento, o baixo teto e a chuva, a aeronave da Boeing calara o tempo ruim.

O que se viu a partir dali foi algo inesquecível. Um sem-parar de apresentações. Paraquedistas da Força Aérea saltavam do C-105, enquanto o CF-18 da Força Aérea Canadense taxiava, esperando sua vez. Ao longe os cinco Extra 300 dos Halcones preparavam-se para sua exibição ao mesmo tempo em que o Blackhawk, o Super Puma e o Esquilo da FAB eram acionados. Uma atração atrás da outra, todas de muita qualidade, almoçar era um luxo desnecessário a menos que o fotógrafo quisesse perder alguma parte do show.

Em meio ao vaivém, despontam no horizonte duas luzes na aproximação final, vem para o pouso o E-195 da Azul, nas cores da bandeira nacional e junta-se a outro Embraer civil, o E-145 da Passaredo, também nas cores especiais em homenagem à Fumaça. logo ali, nos hangaretes da Academia da Força Aérea, as aeronaves de acrobacia também eram bem tratadas para as exibições da tarde. O grupo Extreme, com três T-6 e um Beechcraft era dos mais esperados, junto com a wingwalker Marta Bognar em um bonito Stearman. O avião-conceito Cozy, da Esquadrilha Textor, também era atração. E teve Tike Bazaia, Beto Bazaia, Cmte. Richieri, Cmte. Geraldi e muitos outros ases do Brasil. E logo ali, no palco da AFA, a sanfona de Waldonys Menezes animava a noite interiorana e servia de trilha sonora para as mais belas fotos noturnas.

Agora imagine um evento super registrado. Bem, esse foi o evento de 60 anos da Fumaça. Câmeras grandes, pequenas, celulares e até tablets capturavam tudo o que acontecia. E por tudo eu quero dizer TUDO MESMO. Dentre os mais assediados estavam os pilotos da Esquadrilha da Fumaça, como não poderia ser diferente, e também os pilotos dos F-18 americanos e canadenses. Certamente os gringos sentiram o calor da receptividade brasileira nesses dois dias, e trataram de devolver em dobro, com apresentações de tirar o fôlego, inclusive com efeitos especiais, fruto do acaso que foi a soma do raro tempo úmido em Pirassununga com os diferenciais de pressão ocasionados pelo jato em voo quase que supersônico.

Coroando o final de semana, a tarde de Domingo trouxe a cereja para o bolo preparado pela Força Aérea Brasileira. O mau tempo sucumbe e dá lugar ao sol. Um sol poente  vistoso, digno das mais belas tardes do interior paulista. Nesse cenário de poema, o coração da Fumaça era aberto, mais do que especial, para todas as mães presentes que celebravam ali seu dia.

Vou preferir que as fotos e a imaginação do leitor contem o resto, afinal, uma imagem vale mais do que mil palavras. Visite os álbuns e sinta-se dentro do maior show aéreo do Brasil, à altura da Esquadrilha da Fumaça.

Você estava lá? Tirou fotos? Filmou? Compartilhe aqui no site que vamos incluí-las aos álbuns.
 Sentiremos saudades dos dias 12 e 13 de Maio de 2012.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.