AeroDesign 2015 movimenta o céu de São José no final do mês.

Aerodesign_2015_Capa

 

Que tal torcer pela equipe da sua cidade ou estado em uma das maiores competições de Engenharia Aeronáutica do mundo? Entre os dias 29 de outubro e 1º de novembro quase 100 equipes colocam seus aviões em voo no DCTA, em São José dos Campos-SP, em mais uma edição da SAE Brasil AeroDesign. E o AeroIN mais uma vez trará todos os detalhes caso você não possa comparecer ao aeroporto de São José.

Segundo dados da SAE Brasil, na edição de 2015 estão inscritas 95 equipes de 17 estados brasileiros, da Venezuela e do México, totalizando 1330 estudantes da 71 instituições de ensino. Você pode conferir aqui (PDF) a relação oficial completa das equipes participantes.

 

Aerodesign_Participantes

 

O Projeto AeroDesign consiste de uma competição de engenharia aberta a estudantes universitários de graduação e pós-graduação em Engenharias ligadas à mobilidade. É organizado pela SAE BRASIL (Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade) cumprindo uma de suas missões, a de contribuir para a formação acadêmica dos futuros profissionais da mobilidade.

A Competição SAE AeroDesign ocorre nos Estados Unidos desde 1986, tendo sido concebida e realizada pela SAE International. A partir de 1999 esta competição passou a constar também do calendário de eventos estudantis da SAE BRASIL. Os vencedores da competição brasileira ganham o direito de representar o país na edição internacional SAE AeroDesign East nos Estados Unidos.

Com o objetivo de competir na edição de 2015 da Competição SAE Brasil AeroDesign, cada equipe concorrente deve conceber, projetar, documentar, construir e voar um avião rádio controlado, que seja o mais otimizado possível em todos os aspectos da missão, através de soluções de projeto criativas, inovadoras e multidisciplinares, que satisfaçam os requisitos e restrições impostas em um Regulamento.

 

Análises computacionais permitem buscar a melhor eficiência possível.

Análises computacionais permitem buscar a melhor eficiência possível.

 

A competição divide-se em duas fases principais:

Competição de Projeto – as equipes apresentarão seus projetos e demonstrarão seus cálculos para determinar a pontuação máxima que o avião pode obter bem como os diversos critérios utilizados para definição da aeronave. Nesse contexto, entende-se por “projeto” todo o raciocínio, devidamente justificado, utilizado para conceber a proposta de aeronave desenvolvida pela equipe para participar da Competição.

Competição de Voo – determina a carga máxima que cada avião pode carregar, a eficiência estrutural, o peso vazio real da aeronave, sua confiabilidade e vários outros aspectos. A precisão do projeto (acuracidade) e precisão construtiva também são levados em conta no resultado.

As equipes puderam se inscrever em três categorias, que apresentam diferentes níveis de complexidade para desafiar os estudantes durante a concepção de seu projeto. Veja a seguir.

Classe Regular
Motorização: monomotor utilizando umas das quatro opções de motores indicadas pelo Regulamento (motores glow de 0.55 a 0.61);
Peso máximo (aeronave + carga): 20 kg;
Restrição dimensional: área máxima em planta (ou seja, a “sombra” da aeronave vista de cima) de 0.9 m²;
Compartimento de carga: paralelepípedo com volume de pelo menos 5.000 cm³.

Aeronave da Equipe Urubus (Unicamp), campeã da competição do ano passado.

Aeronave da Equipe Urubus (Unicamp), campeã da classe Regular no ano passado.

 

Classe Advanced
Motorização: livre (com injeção eletrônica, motores 4 tempos, metanol, etanol, wankel, motores elétricos e outros);
Peso vazio máximo: 3kg;
Peso máximo (aeronave + carga): 30 kg;
Sistema eletrônico embarcado para medição de tempo de voo e aquisição de dados, cujo projeto deve ser de autoria da equipe.

Aeronave da equipe Car-Kará (UFRN), campeã da classe Advanced no ano passado.

Aeronave da Equipe Car-Kará (UFRN), campeã da classe Advanced no ano passado.

 

Classe Micro
Motorização: elétrica livre;
Carga: 43 bolas de tênis;
Restrição dimensional: a aeronave deve caber desmontada em uma caixa em formato paralelepípedo. A caixa deve ser facilmente transportável, com volume interno de no máximo 0,175m³. A partir da caixa de transporte, apenas duas pessoas devem ser suficientes para montar a aeronave rapidamente.

Aeronave da Equipe Trem Ki Voa Micro (UFSJ), campeã da classe Micro no ano passado.

Aeronave da Equipe Trem Ki Voa Micro (UFSJ), campeã da classe Micro no ano passado.

 

Nas três categorias as equipes ainda precisam garantir que a corrida de decolagem não ultrapasse 70 metros. O pouso é livre, mas uma parada em menos de 140 metros garante bonificação extra na pontuação final.

A pontuação é dada pelas notas do projeto (relatório enviado para os juízes no mês de agosto), da apresentação oral (realizada no primeiro dia da competição) e da competição de voo (realizada do segundo ao último dia da competição). Penalidades reduzem pontuação se os requisitos de regulamento não forem atendidos, e bonificações melhoram a pontuação (por exemplo, retirada rápida de carga, pouso nos 140 metros, precisão na previsão de carga transportada, entre outros).

 

Percurso de voo das aeronaves a partir da taxiway do aeroporto.

Percurso de voo das aeronaves a partir da taxiway do aeroporto.

 

A SAE Brasil Aerodesign é uma competição gratuita aberta ao público, com praça de alimentação e estacionamento. O acesso é dado pela entrada padrão do DCTA no aeroporto de São José dos Campos, e o evento ocorre no pátio do DCTA e taxiway do aeroporto.

 

Vista superior da área da competição no Aeroporto de São José dos Campos.

Vista superior da área da competição no Aeroporto de São José dos Campos.

Público tem área especial para acompanhar os voos de pertinho.

Público tem área especial para acompanhar os voos de pertinho.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é assessor de editoria do AEROIN.