Aeroporto Internacional de Belém completa 58 anos.

Imagem: Divulgação / Infraero

A variedade de atrativos turísticos da capital Belém (PA) contribui para que a cidade seja um dos destinos mais procurados por viajantes na região Norte do país. Além de ser considerada a principal entrada para a Amazônia, a cidade abriga a maior manifestação religiosa católica do Brasil e um dos maiores eventos religiosos do mundo, o Círio de Nazaré, realizado em outubro. Em 2016, foram mais de 2 milhões de romeiros. Parte desses turistas desembarca pelo Aeroporto Internacional de Belém/Val de Cans – Júlio Cezar Ribeiro (PA), que no próximo dia 24 completa 58 anos.

Somente no ano passado, 3,2 milhões de pessoas passaram pelo terminal, entre brasileiros e estrangeiros. O que coloca o aeroporto como o mais movimentado da região Norte em quantidade de passageiros transportados, ocupando a 9º colocação do ranking da Rede Infraero.

Para o superintendente do aeroporto, Fábio Rodrigues, os próximos anos serão de trabalho contínuo da Infraero para amplificar a qualidade na prestação de serviço aos diferentes perfis de clientes da comunidade aeroportuária. “Nosso esforço será cada vez maior para bem receber o passageiro e que ele tenha uma referência positiva sobre o terminal”, afirma.

Ele ressaltou ainda a importância de mudança na percepção da funcionalidade do aeroporto pelos empresários e políticos. “O empresariado deve ampliar a visão de Val de Cans como um local apenas de pousos e decolagens, mas como uma oportunidade de geração de negócios e empregos. Já a classe política, deve inseri-lo como um grande vetor nas políticas de desenvolvimento da região amazônica”, avalia Rodrigues.

O aeroporto conta com uma capacidade anual para receber 7,7 milhões de passageiros, e sua arquitetura futurista foi projetada para aproveitar a iluminação natural. Há um espelho d´água, dentro do terminal de passageiros, com uma fonte que imita o barulho de chuva, e a ornamentação é feita com plantas típicas da região amazônica.

O sítio aeroportuário compreende uma área de 6,31 milhões de m², e a pista principal tem 2,8 mil metros de comprimento por 45 metros de largura. A média diária é de 50 voos entre pousos e decolagens comerciais regulares, de cinco companhias aéreas (Gol, Latam, MAP, Azul, Piquiatuba). Os voos interligam Belém a diversos destinos brasileiros – Congonhas, Campinas e Guarulhos (SP); Recife (PE); Brasília (DF); Rio de Janeiro (RJ); Salvador (BA); Aracaju (SE) e Porto Alegre (RS). No caso dos voos internacionais, operam as companhias Latam, TAP, Surinam Airways, Gol e a Azul Linhas Áreas Brasileiras, que ligam a capital paraense à Europa, aos Estados Unidos, ao Suriname e à Guiana Francesa.

SERVIÇOS

O aeroporto, que funciona 24 horas, dispõe de 121 estabelecimentos comerciais, nos segmentos de varejo, alimentação e serviços. O mix é variado, entre restaurantes, lanchonetes, sorveteria, free-shop, sala VIP, cooperativa de táxi, lojas de câmbio, agência dos Correios, serviços de autoatendimento bancário, lojas de artesanatos, vestuários e perfumaria.

Há um fraldário próximo à área de embarque, no saguão. O passageiro tem à disposição nove banheiros, entre masculinos e femininos. Há ainda nove banheiros acessíveis. Vale ressaltar que, em todo o aeroporto, há áreas acessíveis, como rampas para acesso ao saguão de embarque e calçadas do estacionamento e piso podotátil na área interna do terminal de passageiros, conforme as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

O Aeroporto de Belém está localizado a 12km do centro da capital paraense. Há duas cooperativas de táxi cadastradas e oferta de serviços de locação de veículos. Na área de estacionamento para veículos, há 692 vagas com sombreadores para carros, sendo 34 para idosos e 16 para cadeirantes. Há, ainda, 16 vagas para motos.

No caso do transporte público, há linhas que fazem a ligação do terminal ao centro da capital por diferentes itinerários. São elas: Linha Pratinha – Pte.Vargas; Linha CDP – Providência; Linha Pratinha – Ver-o-Peso; Linha Marex-Arsenal; Linha Marex – F. Patroni; Linha Marex – Centro. O aeroporto conta ainda com uma ligação com o município de Ananindeua, na região metropolitana de Belém, por meio da Linha Pratinha – Castanheira.

Imagem: Divulgação / Infraero

HISTÓRIA

O nome do aeroporto está relacionado ao local escolhido sua construção – um espaço na fazenda Val-de-Cans. Isso ocorreu em 1934, quando o então diretor da Aviação Militar do Exército Brasileiro, general Eurico Gaspar Dutra, designou o tenente Armando Serra de Menezes para realizar essa missão.

O terreno foi desapropriado e as obras do aeroporto ficaram a cargo da Diretoria de Aeronáutica Civil, órgão do Ministério de Aviação e Secretaria de Obras Públicas. Na fazenda, foi construída uma pista de terra, com 1,2 mil metros de comprimento, um pátio de estacionamento de aeronaves e um hangar de concreto destinado à aviação militar.

Muitas são as versões sobre o nome Val-de-Cans. Segundo o escritor Olavo Guimarães Freire, a designação do tradicional bairro de Belém é uma alusão ao nome de um antigo povoado habitado por negros alforriados ou foragidos de quilombos, quase todos idosos e de cabelos brancos. A expressão acabou por batizar o local.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, a base aérea de Val-de-Cans passou a ser rota vital e estratégica para novos aviões militares que saiam das fábricas do Canadá e dos Estados Unidos e eram transladados para o norte da África e Europa.

Em 1958, o Ministério da Aeronáutica construiu a primeira estação de passageiros para uso geral das companhias de aviação. Em 24 de janeiro de 1959, foi inaugurado o Aeroporto Internacional de Belém, administrado pelo então Departamento de Aviação Civil (DAC).

Curiosidade: Em 1944, nascia a Base Aérea de Belém, localizada ao lado do aeroporto. Nessa mesma época, as empresas aéreas Panair do Brasil, Pan American, Cruzeiro do Sul e NAB (Navegação Aérea Brasileira) iniciaram suas atividades no aeroporto, construindo estações de passageiros independentes e isoladas umas das outras. Foi de Val-de-Cans que as fortalezas voadoras B-17, B-19, B-24 e B-25 levantaram voo e fizeram escala em Natal (RN), antes de bombardear a cidade senegalesa de Dakar, prenunciando o histórico Dia D, na Normandia, dando início ao fim da Segunda Guerra Mundial.

Somente em 7 de janeiro de 1974, dois anos após a criação da Infraero, o Aeroporto de Belém passou a integrar a rede da estatal. No final da década de 80, a estatal iniciou estudos para ampliação e modernização do que viria a ser o novo complexo aeroportuário, construído em parceria com o governo estadual. O projeto previa uma completa reformulação e modernização do terminal, a ser realizada em duas fases. As obras da primeira etapa, entregues em 1999, consistiram numa edificação completamente nova e refrigerada e a instalação de quatro fingers,proporcionando maior conforto e agilidade aos passageiros.

O antigo terminal de passageiros foi demolido para dar lugar a uma extensão do novo prédio, abrigando uma nova sala de desembarque, mais lojas, ampliação da sala de embarque, com acréscimo de mais fingers, proporcionando maior conforto e agilidade aos passageiros. Em 2001, a segunda etapa foi concluída. No total, foram investidos cerca de R$ 78,3 milhões, somente no terminal de passageiros.

O terminal está distribuído em dois pavimentos climatizados, seis pontes de embarque e desembarque climatizadas, dois elevadores panorâmicos e seis convencionais, seis escadas-rolantes, 34 balcões de check-in informatizados, duas esteiras receptoras e quatro de restituição de bagagens, além de sistema de climatização com central de água gelada, subestação de energia elétrica, central de energia de emergência, sistema eletrônico informativo de voo, circuito fechado de televisão, sistema de alarme contra incêndio, sonorização ambiental, sistema de raio-x para inspeção de bagagens, seis ônibus para embarque e desembarque de passageiros em área remotas, ambulâncias e serviços médicos para passageiros e tripulantes.

 
Pela Assessoria de Imprensa da Infraero.
 

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é assessor de editoria do AEROIN.

3 Comments:

  1. Eu só lamento que o sítio aeroportuário não continua sendo protegido para uma possível expansão. A pista 02 tem grande potencial, assim como, a principal, inclusive para construção de pistas de rolamento evitando o tal de back-track e a famosa pergunta da torre: pode agilizar o taxi? E você já está rodando a 30Kt….

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