Anac discute fim de bagagem gratuita em voos

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O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) anuncia que irá abrir em fevereiro uma consulta pública sobre flexibilizar alguns direitos dos passageiros para reduzir preço das passagens, entre eles o fim da obrigatoriedade da franquia de bagagem gratuita para as companhias aéreas, informe pela TV Estadão

Prática já é comum nos Estados Unidos e Europa

Tudo começou no ato de desregulamentação em 1978 no EUA, após o ato 52 novas companhias aéreas foram criadas em um período de 20 anos, um recorde absoluto. Das grandes companhias existentes antes da desregulação, apenas 3 ainda voam: American Airlines, Delta Airlines e United Airlines além das companhias que se fundiram, foram compradas ou incorporadas à estas. Estas três hoje são chamadas de Legacy Airlines, por serem as únicas companhias que já eram grandes antes de 78. Também recebem o nome de “Big Three”, que antes do ato tinham juntas 30% do mercado, hoje possuem uma gorda fatia de 60% da aviação comercial americana.

A idéia da desregulamentação começou no meio dos anos 70, na época pós-Vietnã com inflação alta, economia crescendo timidamente, aumento dos custos de combustíveis, uma espécie de oligopólio, além de outros fatores que fizeram que a aviação parasse de crescer, a primeira vez na era a jato da aviação americana. Situação não muito diferente que o Brasil enfrenta atualmente, já nos Estados Unidos o governo decidiu intervir menos na aviação, retirando regras de entrada para companhias no mercado, acabando com o controle de preço e a regulação de serviços até então essenciais, como franquia de bagagem gratuita. Basicamente após o ato da desregulamentação qualquer companhia aérea poderia ser criada, operar a rota que quisesse, com qualquer aeronave e oferecendo qualquer serviço, desde que atendesse requisitos mínimos de segurança, conforto e transparência.

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Southwest Airlines cresceu vertiginosamente após o ato de 78, e hoje tem a maior frota de Boeing 737 do mundo com 707 aeronaves e 323 encomendas.

O efeito deste ato trouxe um boom imediato para a indústria, com aumento de 40% de profissionais contratados em 8 anos, que continuou crescendo até o fim do século. Tudo isso fez com que voar ficasse mais barato, de Nova Iorque à Los Angeles em 1974 custava $1.142 dólares (em valores atuais), hoje é facilmente encontrada por $268 dólares.
Mas como tudo não é mar de rosas, a desregulamentação trouxe alguns efeitos, das 52 novas companhias criadas, apenas 5 ainda voam hoje. Muitas delas por questões relacionadas a falta de segurança, qualidade dos serviços e principalmente má administração associado a uma forte concorrência. Mas essa nova era não afetou apenas as novas e pequenas companhias.

Quem ainda não se lembra da Braniff, com seus aviões coloridos e com pinturas do artista Alexander Calder, da qual as aeronaves davam o ar da graça no Galeão e em Congonhas? E da mais icônica de todas: Pan Am! A grande concorrência no mercado doméstico e até no internacional ajudou a mais glamurosa de todas companhias continuar em queda constante até pedir falência pouco mais de uma década depois do ato.

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United, American e Delta: as Legacy Airlines se consolidaram com seus hubs e hoje dominam o mercado, remetendo a situação de oligopólio antes do ato de 78

A desregulamentação não mudou drasticamente o cenário na Europa quanto na terra do Tio Sam, foi realizada bem mais tarde, em 1997 com ideias mais amadurecidas, incluindo o acordo Open-Sky que a companhia aérea poderia operar voos entre qualquer país europeu, mesmo não sendo sua pátria-mãe. O resultado foi um pouco diferente com menos companhias sendo criadas, as tarifas realmente abaixaram, surgiram low-costs como Ryanair e EasyJet, mas o questionamento sobre a segurança e principalmente sobre conforto continuam, e possuem fundamento.

A questão agora é para o Brasil, que passa por um período de dificuldade. A nossa agência reguladora, a ANAC, tem demonstrado evoluir e acompanhar o que acontece lá fora, mesmo que a pequeníssimos passos. Seguindo a teoria básica de agente principal, ela pergunta ao cidadão brasileiro não apenas sobre os seus 23kg de bagagem, mas sobre uma grande oportunidade de crescimento do setor aéreo e a real popularização dele. Cabe ao passageiro ajudar nesta escolha importante, lembrando que nenhum almoço é de graça, porém ninguém quer pagar caro nele.

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é piloto e Bacharel em Ciências Aeronáuticas. Formado em Design e Performance de Aeronaves pela California State University Long Beach e Segurança da Aviação pela Western Michigan University. Membro da AOPA e da AIAA.

48 Comments:

  1. Heiler Eduardo Maciel

    O problema é que os preços nunca serão reduzidos, ou seja, vão cobrar mais, ganhar mais e o passageiro vai pagara mais. Creio que a cultura americana neste sentido é muito distinta a cultura sul americana. Um exemplo é que o petroleo cai de preço e a gasolina no Brasil sobe.

  2. Maria do Maria Do Rosario Almeida Elizabete Melo Malveira

  3. Maria do Maria Do Rosario Almeida Elizabete Melo Malveira

  4. Acho super válido, para por exemplo paxs que compram bilhetes megapromo ou básicas, para clientes que compram tarifas flex e top por exemplo não precisariam pagar pela bagagem devido o valor mais alto da tarifa.

  5. Se o preço das passagens e serviços forem “Padrão Ryanair” acho válido sim.

  6. Se o preço das passagens e serviços forem “Padrão Ryanair” acho válido sim.

  7. Eu acho desnecessário. Se eu te pago uma passagem de viagem, é claro e evidente que eu levarei a minha mala. Ou seja, ao comprar o meu assento eu estaria comprando também o “espaço” da minha mala.

  8. Eu acho desnecessário. Se eu te pago uma passagem de viagem, é claro e evidente que eu levarei a minha mala. Ou seja, ao comprar o meu assento eu estaria comprando também o “espaço” da minha mala.

  9. É possível que seja vetado pois a Justiça, o CDC, etc, utilizarão a lógica “quem viaja sem bagagem?” e engavetará essa idéia. O máximo que poderá acontecer é diminuir o peso/tamanho das bagagens, mas acabar com a gratuidade das mesmas acho beeeeeem difícil. É cultural do nosso país ainda mais de quem faz as leis. Vai vendo, será mais uma daquelas reuniões onde perde-se tempo e dinheiro com discussão sobre asneiras do que discutindo algo realmente válido como diminuição dos encargos dos insumos ( combustível, etc ) para se continuar voando.

  10. Desde que os preços pra quem não levar bagagem sejam inferiores aos de hoje em dia, acho válido

  11. Por que não se discute tirar o ICMS que incide sobre o preço do combustível? Também é comum nos EUA e Europa… Não sejamos inocentes de achar que retirar a franquia de bagagem vai resultar um passagens com preços similares às da Europa…

  12. Traduzindo: lobby forte (e sabemos o que significa “lobby” por aqui) das aéreas junto à Anac para arranjarem nova fonte de receita sem nenhum custo adicional. Ou alguém acha que as passagens aéreas ficariam mais baratas?

  13. Traduzindo: lobby forte (e sabemos o que significa “lobby” por aqui) das aéreas junto à Anac para arranjarem nova fonte de receita sem nenhum custo adicional. Ou alguém acha que as passagens aéreas ficariam mais baratas?

  14. O problema é que no Brasil podem tirar tudo, o pax vai até de pé oou no porão, mas as empresas não abaixam as tarifas, diferente dos EUA.

  15. Que passe um anjo e diga amém

  16. Não tenho críticas à iniciativa. Mas pq não desregulamentação o setor, diminuir os impostos sobre combustíveis e desonerar as taxas de pouso e decolagem?
    Seriam medidas mais benéficas para toda a cadeia…

  17. Não tenho críticas à iniciativa. Mas pq não desregulamentação o setor, diminuir os impostos sobre combustíveis e desonerar as taxas de pouso e decolagem?
    Seriam medidas mais benéficas para toda a cadeia…

  18. Ja n é barato ainda mais cobrando mais ai sim q n viajam

  19. Ja n é barato ainda mais cobrando mais ai sim q n viajam

  20. Se o preço das passagens for igual dos países que adotam essa pratica, pode até ser que dê certo.

  21. Se o preço das passagens for igual dos países que adotam essa pratica, pode até ser que dê certo.

  22. Mas la nos EUA as passagens são bem mais baratas que aqui!!!

  23. Mas la nos EUA as passagens são bem mais baratas que aqui!!!

  24. Se os preços das passagens abaixarem, é válido. Eu iniciaria um mochilão pelo Brasil sem pensar duas vezes. Mas, para isso, precisamos de uma verdadeira low cost no Brasil, porque AZUL e GOL nem de longe praticam preços baixos (tampouco justos para o padrão).

  25. Se os preços das passagens abaixarem, é válido. Eu iniciaria um mochilão pelo Brasil sem pensar duas vezes. Mas, para isso, precisamos de uma verdadeira low cost no Brasil, porque AZUL e GOL nem de longe praticam preços baixos (tampouco justos para o padrão).

  26. Engraçado, Anac que é do governo quer acompanhar as tendencias da aviação mundial, porém quando se fala de preço do petroleo o governo tem suas priorias regras e nao baixa o preço. É Tudo um bando de exploradores querendo tirar dinheiro.

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