Após desligamentos em voos, Airbus recusa motores PW do A320neo

A Airbus decidiu que não vai mais aceitar motores PW1100G da Pratt & Whitney, modelo que equipa o seu best-seller A320neo. Após diversos problemas com os primeiros operadores destes modelos no ano passado e retrasado, uma nova dor de cabeça voltou a aparecer para a fabricante européia.




E desta vez o problema não é o mesmo detectado em 2016 pela Lufthansa, primeira operadora do modelo. Na época o problema era referente a demora na hora de ligar o motor, que poderia chegar a 15 minutos.

Agora diversos operadores terem reportado que o motor tem desligado em voo e também durante a decolagem, causando a abortagem da mesma. Nenhum incidente ou acidente foi registrado. E os problemas tem ocorrido exatamente nas últimas aeronaves entregues, ou seja, nos motores mais novos e que teoricamente já deveriam ter tido o problema resolvido de fábrica.

O problema envolve uma peça que conecta e trava a palheta do compressor ao disco do compressor de alta pressão. Os problemas podem aparecer em motores com serial P770450 em diante. De acordo com a Airbus e com a Agência Européia de Segurança da Aviação (EASA), o problema já atingiu 33 aeronaves.

A própria EASA emitiu um alerta para as companhias aéreas sobre o problema (foto abaixo), e a Airbus declarou que em torno de um terço dos A320neos e A321neos (113 aeronaves) possuem esse tipo de motor instalado, sendo que dos 33 que reportaram problema, 11 tiveram dificuldades nos dois motores e 21 em apenas um deles.

No Brasil a única operadora do A320neo com este modelo de motor é a LATAM, que possui duas aeronaves em sua frota, mas que segundo fontes não foram afetadas pelo problema, exatamente por ser uma das primeiras operadoras do modelo (e a primeira das Américas), e ter passado por outras dificuldades que já foram sanadas. Ainda assim, fontes reportaram ao AeroIN que as duas aeronaves deverão ser repassadas para a frota da LATAM Chile. A empresa se posicionou sobre o assunto:

A LATAM Airlines informa que tem conhecimento da situação recentemente identificada nos motores Pratt & Whitney GTF da geração PW1100G-JM. A empresa informa que deixará de operar temporariamente suas duas aeronaves Airbus A320neo com este tipo de motor enquanto eles passam por uma revisão.

Para a LATAM, a segurança é um valor inegociável em suas operações. O Grupo LATAM continuará monitorando o tema e seguindo rigidamente as diretrizes da Pratt & Whitney, Airbus e as autoridades pertinentes.

Do mesmo modo, a LATAM está trabalhando conjuntamente com a Pratt & Whitney e a Airbus para mitigar qualquer impacto que este imprevisto pode acarretar em sua operação. 

Conforme está na reportagem, as duas aeronaves que operam no Brasil não estão afetadas por serem de uma geração diferente e que elas permanecerão voando no Brasil. As outras duas aeronaves do Grupo e que tem matrícula chilena não estão em operação até que a questão seja equacionada pela fabricante para que a companhia passe a operar com total segurança. E, claro, por fim, a segurança é um valor inegociável para o Grupo LATAM.

A Azul e a Avianca Brasil por sua vez utilizam motores LEAP da subsidiária da GE, a CFM. Estes motores também apresentaram alguns pequenos problemas no início de sua operação mas não ao nível do PW1100G.

Agora a Airbus não está mais aceitando motores PW1100G até que a Pratt & Whitney resolva o problema. Segundo fontes na Europa, em torno de 10 A320neo já estão prontos na fábrica da Airbus mas estão esperando os motores com problemas solucionados chegarem. Desta maneira as entregas para clientes que escolheram a PW está suspensa.

Nem a Airbus e a EASA falaram quais companhias aéreas foram afetadas pelo problema, mas a aérea de baixo-custo indiana IndiGo confirmou que suspendeu o voo de três A320neos após a emissão do documento da EASA. Ao mesmo tempo esse documento suspende a certificação ETOPS dos A320neos que tiverem os motores afetados.

“Nós identificamos os motores potencialmente afetados e avisamos as companhias aéreas” disse um representante da PW “como precaução, aeronaves com estes motores serão tratadas em uma maneira consistente com as instruções operacionais da Airbus, e em coordenação entre a Airbus e a Pratt & Whitney se necessário.”

Já a Airbus declarou que a Pratt “está investigando a raiz dos problemas com o suporte total da Airbus”.

Com informações da Air Transport World

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é piloto e Bacharel em Ciências Aeronáuticas. Formado em Design e Performance de Aeronaves pela California State University Long Beach e Segurança da Aviação pela Western Michigan University. Membro da AOPA e da AIAA.