Aviadora revive primórdios da aviação e faz voo épico de 22.000 km com um biplano.

Imagem: Jason Reed / Reuters.

Imagem: Jason Reed / Reuters.

A aviadora britânica Tracey Curtis-Taylor completou no dia 9 de janeiro um voo histórico ao pousar seu biplano de cockpit aberto no Aeroporto Internacional de Sydney, numa jornada de três meses iniciada na Inglaterra, para retraçar um feito pioneiro dos primórdios da aviação.

Com 53 anos de idade, a aviadora partiu de Farnborough no dia 1º de outubro de 2015 para percorrer a rota da lendária aviadora Amy Johnson, que em 1930 tornara-se a primeira mulher a completar um voo solo entre a Inglaterra e a Austrália.

“Preciso de uma bebida”, foi o que disse Curtis-Taylor à imprensa ao sair de seu Boeing Stearman 1942 e receber uma taça de champagne.

“Ver todas as mais icônicas paisagens, geologia, vegetação, realmente é a melhor visão do mundo”, ela disse. “Pouquíssimas pessoas voam da forma que eu voei”.

Desafiando salgadas brisas marítimas e smog (mistura de fumaça com neblina, típica de grandes cidades em dias frios) com seu “Spirit of Artemis”, um biplano reformado movido por motor radial a pistão, Curtis-Taylor cruzou 22.000 quilômetros e 23 países usando 8.000 litros de combustível.

Ela precisou lutar para garantir suprimento de combustível, uma vez que não é facilmente encontrado em muitos aeroportos nos quais passou. Sua trajetória contou com um avião de apoio que a seguiu durante o percurso.

“Quando se faz esse tipo de coisa você precisa ser absolutamente auto-suficiente”, disse a aviadora em uma entrevista após sua chegada. “Nós fizemos algo em torno de 54 paradas, que foi o que mais tomou tempo”.

 

Imagem: Jason Reed / Reuters.

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Entre seus desafios, precisou barganhar combustível com a ajuda de aborígenes depois de um pouso não programado no interior da Austrália, e gastar um dia todo raspando sua hélice para remover sal após sobrevoar o Mar de Timor, entre a Indonésia e o Timor-Leste.

Devido às alterações nos padrões de segurança após os atentados de 11 de setembro, ela também enfrentou desconfiados oficiais de aeroportos, especialmente após os ataques a Paris em novembro e a derrubada do avião comercial russo no Egito no mês anterior. “Tudo está em grande estado de alerta”, disse Curtis-Taylor.

Um mau tempo na Romênia atrasou a continuidade do voo por dias, e ela teve que desviar da Syria devido à guerra. Na Arábia Saudita ela conheceu a realeza e levou a princesa para um passeio em seu avião. Na Jordânia, garotas novas que ela conheceu ficaram impressionadas com a audácia de enfrentar a jornada com sua idade.

É um mundo totalmente diferente daquele de 1930. Naquela época, a maioria das paradas de Johnson faziam parte do império britânico. Tapete vermelho era o mínimo que ela encontrava.

Johnson tinha 26 anos e terminou seu voo em Darwin, na Austrália, local atingido por sua sucessora Curtis-Taylor no dia 1º de janeiro de 2016. A semana de encerramento do voo marcou o 75º aniversário do falecimento de Johnson, aos 37 anos, em um acidente aéreo na Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial.

Matéria traduzida e adaptada do site Reuters.com.

 

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é assessor de editoria do AEROIN.

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