AZUL divulga plano de frota até 2020.

No dia 6 de fevereiro de 2017, a AZUL Linhas Aéreas Brasileiras protocolou junto à Securities and Exchange Commission (SEC) o rascunho do prospecto para a abertura do capital da empresa, tanto na Bolsa de Nova York como na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), sob o código da ação “AZUL4”. O documento também detalha informações financeiras e plano de frota da companhia.

Em breve vamos analisar o prospecto com maior profundidade, no entanto, nesse artigo queremos explorar a expectativa de frota da empresa para os próximos anos. No quadro, publicado na página 131 do documento, a empresa expõe sua expectativa de crescimento de frota para os próximos quatro anos. Segundo o documento, a empresa pretende ampliar dos atuais 123 aviões operacionais para 151, um crescimento de frota de 23% em quatro anos.

O destaque fica por conta da frota de A320neo, que sairá dos atuais 5 aviões para 35 até 2020, o que contribuirá para aumentar a oferta de assentos em mais de 40% para com relação aos números de dezembro de 2016. Por sua vez, a frota de E-Jet permanece praticamente inalterada nos próximos anos, o que deve acontecer é a substituição de aeronaves mais antigas, pelos novos aviões da família E2. O mesmo ocorre com os ATR, cujo número passa de 39 para 40, no mesmo período.

Talvez o detalhe mais interessante, e que corrobora com informações que temos recebido e compartilhado com exclusividade, é que o Airbus A350-900 XWB não consta dos planos de frota da empresa para os próximos anos (como mostra o quadro abaixo, retirado do documento enviado à SEC). Ao todo foram cinco encomendas, das quais duas foram repassadas à sua empresa-acionista Hainan Airlines (HNA), os outros três continuam na carteira da Azul, mas já constam como “estocados” na linha de produção da Airbus, sem destino certo.

 

 

Seguindo-se o plano previsto, a empresa pretende aumentar de 5 para 7, o número de Airbus A330 da frota. Esses dois a mais são os mesmos que a empresa repassou à TAP no ano passado, como parte do ajuste de frota. Agora, essas aeronaves voltam a “vestir” o uniforme da empresa brasileira. Podem haver mudanças? Se a economia brasileira melhorar muito pode, mas no momento, a empresa acredita que a demanda vai crescer mais no mercado doméstico e internacional de menor curso do que no internacional de longo curso.

Entramos em contato com a empresa aérea, no entanto, ela encontra-se no chamado quiet period, que precede a abertura de capital na bolsa. Nesse período, a empresa não pode se pronunciar sobre questões estratégicas além do que consta do prospecto.

O documento enviado à SEC é público e pode ser visto na íntegra pelo link https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1432364/000119312517031614/d278992df1.htm. O plano de frota até 2020 foi inserido na página 131.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.