De São Paulo a Barcelona com a SINGAPORE AIRLINES

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Por Carlos Martins

Férias de Janeiro, devido às chuvas por todo o país tive que cancelar os meus planos de viagem de verão no Brasil. Felizmente já estava planejando ir a Barcelona, na Espanha, durante o Carnaval, mas infelizmente não achei ingressos para o jogo do Barça. Finalmente encontrei um ingresso para o dia 4 de Fevereiro e pude planejar a viagem. Desde do ínicio eu saberia que iria pela Singapore Airlines, tanto pela reconhecida qualidade como também pelo preço, sendo que a passagem chegava a R$1.200, ida e volta na econômica, por pessoa, comprando com um mês de antencedência.

O meu voo estava marcado para o dia 31 de Janeiro às 2h34 da madrugada, partindo do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Como spotter que sou, sempre chego com antecedência ao aeroporto; peguei então um voo de Confins a Guarulhos chegando na capital paulista por volta das 19h onde eu fiquei até quase 22h com um grande colega, Filipi Souza, fazendo fotos noturnas.

Me informei pelo site que o check-in presencial iria começar ás 22h15. Por volta das 22h me dirigir ao Terminal 1, Asa A, onde as preparações para o check já estavam sendo feitas. Eram quatro filas: uma para Ecônomica, uma para Executiva, além da First e da Star Alliance Gold e também havia uma para quem tivesse feito check-in online pelo site ou pelo aplicativo da Singapore no Iphone/Ipod/Ipad.

No horário pré-definido o check-in começou e, pelo fato do voo ser apenas 2h30 depois, havia pouquíssimos passageiros na fila, naquele momento. Havia um representante Singapore que recebia todos os passageiros e organizava a fila, desde já foi possível ver a cordialidade da companhia. Todos os seus colaboradores sabiam falar além do Português, o Inglês e o Espanhol. E alguns falavam Malaio e Mandarim. Após o check-in fui informado que o embarque no Triple-Seven começaria ás 1h45.

 

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Me dirigi à sala de embarque por volta de 0h20, sendo que não houve nenhum problema na imigração. Na sala de embarque conversei com alguns passageiros, observei que haviam muitos passageiros latinos, principalmente chilenos e argentinos. Lembrando que a Aerolineas Argentinas oferece voo sem escala de Buenos Aires a Barcelona. Também haviam passageiros que iriam até Madri pela TAM e de lá pegariam um voo da Spanair, que tinha acabado de paralisar as operações, e eles foram alocados na Singapore.

À 1h15 os comandantes e as Singapore Girls, impecáveis como sempre, embarcaram na nossa aeronave. Como previsto, pontualmente à 1h45 o embarque começou, ingressando nos corredores de acesso as prioridades (idosos, gestantes e pessoas com crianças de colo), além dos passageiros da Primeira Classe e Executiva.

 

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O embarque foi super rápido, eram 2h05 e todos os passageiros já estavam acomodados. Os procedimentos de segurança são passados no sistema AVOD individual em todas as classes, o vídeo é em inglês mas possui legendas em português. A Singapore tem tradição por tratar o passageiro como um rei, e pude comprovar isso, logo após todos os passageiros estarem devidamente acomodados, elas passaram distribuindo toalhas úmidas quentes para o passageiro colocar no rosto e relaxar e enxugar as mãos. Confesso que isso me ajudou muito a dormir mais tarde. Também é distribuído uma necessaire com guardanapos de seda, escova de dente, pasta de dente e uma meia comprida de lã muito confortável.

As 2h35, alinhado na cabeceira 09L do aeroporto de Guarulhos, o Boeing 777-300ER de matrícula 9V-SWH foi autorizado a decolar. Manetes à frente e seus dois poderosos motores GE90 moviam o enorme jato rumo à capital da Catalunha.

Após o aviso luminoso de atar os cintos ser desligado, as Singapore Girls iniciaram a primeira etapa do serviço de bordo. Fomos servidos com sucos, snacks e chocolate. Além disso, foi entregue o cardápio com as opções de refeições nos trechos de Guarulhos à Barcelona e de Barcelona à Singapura. No cardápio tem uma lista onde era possível pedir desde de Vodka Smirnoff, Coca-Cola, Cervejas, Batata Chips, Chocolate e outros aperitivos em qualquer momento do voo.

Após meia hora no ar alguns passageiros já estavam dormindo com a manta e o travesseiro cedido pela companhia. Eu não estava com sono ainda, decidi testar o sistema de entreterimento. Que apesar de só estar disponível em inglês, francês e malaio, é muito fácil de mexer e muito completo. Tendo desde de filmes, seriados, músicas, rádios e muitos jogos online.

 

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Após um belo sono de 3h em uma bela poltrona, maioria dos passageiros ainda estavam dormindo, vi que não poderia ver o nascer do sol através da janela para não atrapalhar outros passageiros. Como estava tranquilo dentro da aeronave, decidi fazer algumas fotos internas, os comissários não me incomodaram.

Quando estávamos a sobrevoar as Ilhas Canárias as comissárias anunciaram que iria começar a servir o Café da Manhã. No menu, que era separado primeiramente em inglês e espanhol e depois por trecho. Para o café da manhã o passageiro tinha as seguintes opções a sua disposição:

– Aperitivos de Frutas

– Entrada: Iogurte de Frutas

– Prato Principal: Fios de Ovos assado com carne de porco picada, cogumelos e legumes chineses.

ou

Ovos mexidos com tomate, cogumelos refogados concasse, salsicha de frango e batatas.

– Acompanhamentos: Bolos e Pães com manteiga e goiabada. Além de Café e Chá.

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Como não gosto muito de ovos, escolhi apenas os acompanhamentos que estavam ótimos. Logo após o final do Café da Manhã o comandante anunciou que já estávamos nos aproximando do velho continente e que o tempo na capital Catalã estava bom.

Estávamos nos aproximando da Espanha quando vejo no mapa a cidade de Gibraltar, e após tirar essa foto percebi que estava nela o aeroporto de Gibraltar que é cortado por uma rua.

O horário para chegada em Barcelona era de 16h20, mas já no mapa interativo estava marcando 15h02 horário local. Antes do pouso foram oferecidas toalhas quentes novamente. Pousamos ás 15h07, um belo pouso pela cabeceira 27R, aplaudido pelos passageiros.

Enquanto pegava as bagagens, reencontrei um brasileiro chamado Diego, que também voava pela primeira vez pela Singapore, mas era a quinta vez na rota. Ele disse que está voando pela Singapore por causa da disponibilidade, uma vez que tivera um episódio de extravio de bagagem com a Iberia, mas que não era apenas uma bagagem, ela continha um iMac com uma tela de 27” polegadas que no Brasil custa cerca de R$7.000.

 

Voo 68   –  Barcelona – Guarulhos

Após pegar o sistema de ônibus do aeroporto, chamado Aerobús, eu cheguei ao Aeroporto Internacional El Prat, em Barcelona, às 6h. O embarque é realizado no novo terminal, o Terminal 1. As entradas rotatórias têm, acima, uma placa sinalizando cada companhia aérea naquela área, logo ao avistar o da Singapore Airlines, entrei no imenso terminal, que tem um design no formato de ondas, percebi que ele não tem luz no teto, tem apenas luzes apontadas para o teto branco que refletem no chão, o que dá um belo efeito, economiza energia e dá uma sensação que imensidão. Durante o dia o terminal usa basicamente luz natural.

Me dirigi ao embarque da Singapore onde não haviam filas. O check-in foi super rápido novamente, e fui informando que o voo estava previsto para as 8h20 e que o embarque começaria ás 7h40. Antes de seguir para o embarque fui até a TAX FREE, é o local onde você apresenta as notas fiscais de algumas lojas credenciadas, e você recebe uma nota fiscal para logo depois de passar pela imigração você recebe em dinheiro os impostos de volta. Uma prática que ajuda o turista a voltar para Espanha.

Após passar em alguns free shops que são realmente baratos, embarquei as 7h50. Como no voo de ida, a companhia foi impecável, e por estar com uma camisa do FC Barcelona, dois comissários me cumprimentaram citando o time de Messi. Na minha camisa havia meu nome estampado e, de pronto, os comissários e as Singapore Girls me cumprimentaram pelo nome: “Hi Mr.Carlos, welcome aboard and have a pleasant flight.” Após agradece-lôs pela saudação fui até o assento 36A, bem em cima da asa do 777-300ER de matrícula 9V-SWE. Onde era possível ver uma parte do imenso GE90. Novamente foram oferecidas toalhas úmidas e quentes para todos os passageiros.

Prontamente ás 8h27 estávamos decolando rumo a São Paulo, uma decolagem de altíssima performance.

Após uma hora de voo, novamente foi servido um ótimo e completo café da manhã. Mas desta vez mais simples, apenas com opções ‘de padaria’. Mas também com frutas e suco de laranja natural.

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Após o café da manhã me voltei ao AVOD para escolher um filme que já tinha olhado pelo site anteriormente. Decidi ver Johnny English Reborn / A volta de Johnny English, no que fui acompanhado por outras tantas pessoas vendo o famoso Mr. Bean. Outra escolha comum era o filme In Time com Justin Timberlake e também um outro filme com um ator de Crepúsculo. Os filmes ocidentais basicamente tinham aúdio em inglês e francês, alguns em espanhol e todos com legendas em inglês ou espanhol. Já os filmes asiáticos possuem uma grande variedade, desde de indianos, malaios, tailandeses, chineses e japoneses. Separados por país e todos com legenda na língua do país de origem do filme, em mandarim, malaio e inglês.

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Umas das séries que realmente me surprendeu foi a série Pan Am, produzida pela Sony e que nos Estados Unidos é transmitida pelo canal ABC. É realmente diferente assistir uma série do mundo da aviação em pleno voo, além do mais se tratando da Pan American, uma companhia que apesar de extinta é símbolo do auge da aviação americana e de uma época de serviço exemplar. A série faz jus ao nome, com uma fidelide incrível, as cenas onboard foram gravadas dentro de um 707 preservado. A riqueza de detalhes e o realismo do 707 são impresssionantes. Já estou no aguardo para ver essa série no Brasil.

 

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Após ver o filme e assistir o primeiro episódio da série Pan Am, já estava com fome, decidi então solicitar a comissária alguma bebida, talvez uma Coca Cola ou uma Smirnoff e uma barra de chocolate. Em menos de um minuto a Singapore Girl veio a mim, falando que não teriam Smirnoff e ela verificaria se teria alguma barra de chocolate. Alguns segundos depois ela retornou com a minha Coca-Cola e disse que infelizmente não haveria barra de chocolate, mas pediu desculpas e me ofereceu Batata-Chips a qual aceitei. Ela ainda citou que o almoço seria servido dentro de 15 minutos.

Para o almoço deste voo teríamos as seguintes opções:

– Entrada: Salada ao estilo Japônes

 

– Patos Principais: Peixe cozido ao vapor com camarões, tradicional arroz asiático e repolho roxo

ou

Fricassé de Frango com requeijão, verduras chinas e macarrão.

 

– Bebidas: Coca-Cola, Red Label, Vinho Tinto Branco ou Cerveja importada.

 

– Sobremesa: Bolo de banana na manteiga ou sorvete.

 

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Escolhi o Fricassé que estava delicioso, tudo muito quente e ao mesmo tempo fresco. Também optei pela Coca-Cola e o sorvete. Ambos na temperatura ideal para consumo. Acompanhado do prato principal foram servidas algumas frutas picadas, além de pão com manteiga, requeijão e leite. Uma coisa que me agradou muito foram os talheres de prata, ao contrário de muitas companhias aéreas que oferecem de plástico.

Dentre os vários detalhes da Singapore, um que realmente chama a atenção, os primeiros a serem servidos são os mais velhos, sendo que as Singapore Girls conversam com eles sobre as opções e de imediato já os servem. Antes dos demais passageiros, são servidos as refeições para passageiros com restrições à comida por questão religiosa, médica ou se forem vegetarianos. Um grande diferencial da Singapore!

Decidi dormir após o almoço, quando acordei já estávamos chegando ao Brasil, mais especificamente no estado do Rio Grande do Norte. Quando o comandante anunciou que o tempo em São Paulo estava bom.

 

 

 

Já estavamos sobrevoando minha cidade natal, Belo Horizonte quando percebi o quanto é difícil para algumas pessoas irem para São Paulo e, depois, pegarem um voo internacional. Para mim sempre foi tranquilo, cada vez que passo em Guarulhos é uma aventura. Eu estava fazendo algumas fotos inflight quando vejo o Embraer 195 da Azul de matrícula PR-AYY (Bandeira) cruzando a nossa frente a mais de 800 km/h, realmente senti o quão é rápido um avião. Apesar de estar com a câmera na mão, foi impossível tirar uma foto dele, pois também estavamos a mais de 800 km/h por hora, sendo equivalente a passagem do Azul a uma velocidade de 1600 km/h, caso eu estivesse parado no chão.

 

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Chegando em Campinas, o comandante anunciou que já estávamos em descida e para que as comissárias se preparassem para o pouso. Como já efetuei diversos pousos em Guarulhos, vi que o avião estava pegando uma rota diferente, deduzi que estávamos a executar uma aproximação pela cabeceira 27.

Após o pouso na pista 27R, literalmente senti na pele que eu estava no Brasil, o gate e o acesso até a área de retirada de bagagens estavam sem ar-condicionado, com um sol de 30ºC batendo nos vidros e fazendo dali uma assadeira, alguns passageiros chegaram a ficar pálidos, eu quase passei mal de tanto calor. Ainda bem que na área onde pegavam as malas tinha ar-condicionado e, ao chegar lá vi uma passageira no chão, cansada e meio tonta por causa da insolação.

 

Observações:

Reserva: Feita sem nenhum problema no próprio site da Singapore, onde era possível reservar o assento, já colocar o passaporte, número do cartão Kris Flyer ou de outra companhia aérea membra da Star Alliance.

Check-In: Nenhum problema em ambos check-in com muita velocidade e ótimo tratamento.

Embarque: Separados por categorias, super organizado.

Assento: Bastante confortável e com belo espaço para as pernas. Mas as duas aeronaves tem apenas 5 ou 6 anos de idade e as poltronas já apresentam uso, não por mal uso mas por falta de uma limpeza completa. Seria interessante fazer uma certa lavagem nos estofados. Também seria interessante se reclinasse um pouco mais o encosto.

Entreterimento: Sistema AVOD em todas as classes com conteúdo único. Variedade de dar inveja, com muitos filmes, séries, músicas para todos os gostos e tipos. Só faltou ser um pouco mais rápido o software e também ter pelo menos alguns filmes com legenda em português.

Serviços dos comissários: Falar que o atendimento das Singapore Girls estivesse abaixo de um 10 seria uma mentira. Comissários e comissárias impecáveis, que focam sempre no passageiro e esforçam-se ao máximo para atender suas exigências. Bom tratamento em todos os momentos do voo, sempre com sorriso no rosto e com vontade de atender o passageiro. É raro encontrar um atendimento assim, mas as companhias aéreas da Ásia sempre foram referência neste quesito, e nisso a Singapore representa muito bem.

Refeições: Comida muito saborosa, quente e com uma variedade íncrivel. O cardápio bilingue ajudou muitos passageiros e mostrou organização e padronização. A possibilidade de fazer alguns pedidos durante todo o voo é um destaque.

Bebidas: Sempre com bebidas de ótima qualidade, passando da melhor vodca, até o melhor vinho. Haviam muitos sucos naturais, chás com vários sabores e um café brasileiro ótimo. Para os que não dispensam uma boa bebida alcoólica, podiam se esbaldar com Red Label e Smirnoff.

Necessaire: Simples, mas bonita e com uma meia de lã super gostosa. Além de escova e pasta de dente. Também vinha alguns guardanapos. Podiam ser maior e um pouco melhor visualmente.

Desembarque: Ao chegar a capital catalã fui muito bem recebido, com muitas informações. Já ao voltar ao Brasil, falta de informações e a falta de um ar-condicionado fizeram muita falta. Ainda bem que a Infraero não riá mais administrar Guarulhos.

Pontualidade: Chegamos praticamente 1 hora antes em Barcelona, tudo muito ágil e rápido. Eram 16h20 quando eu já estava no hotel. Na volta adiantamos 27 minutos. Para quem espera o pouso do Singapore em algum aeroporto, chegue pelo menos 1h antes, já perdi ele uma vez por ter chegado apenas 30 minutos antes.

 

Avaliação Final: Após esses dois voos, já está decidido, na minha próxima viagem a Europa, Barcelona com certeza será a minha porta de entrada e eu irei pela Singapore Airlines. Pequenos erros, uma parte não é culpa deles, a tripulação tentou ao máximo reparar esses erros. Espero um dia voar no avião símbolo dessa companhia: o novo Airbus A380-800.

 

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