Dias após tempestade, caos ainda reina no Aeroporto JFK

© Rebecca Butala How/Getty Images

Uma forte tempestade de neve assolou toda a costa leste americana, causando neve até em um dos estados mais quentes do país: a Flórida. E com uma condição climática desta a aviação é bastante afetada. Desta maneira, já que as tempestades acontecem anualmente naquele país, a própria aviação americana já é preparada. Mas desta vez as coisas fugiram de controle no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova Iorque, o famoso JFK.




Tudo começou no dia 04 de janeiro, quando a tempestade atingiu seu pico e provocou o cancelamento de 3500 voos na Filadélfia, Nova Iorque e Boston. Como a tempestade afetava toda a região da megalópole BosWash, muitos voos internacionais foram desviados para aeroportos até distantes, como Atlanta e Chicago.

Com a passagem da tempestade, já no dia 05, os aeroportos começaram a reabrir e voltar à normalidade. Primeiro foram nos aeroportos mais ao Sul, como Washington e Filadélfia, os da grande Nova Iorque, como Newark e LaGuardia, e o de Boston mais ao Norte. Mas o JFK ainda estava congestionado devido aos voos regulares somados aos voos que foram cancelados e remarcados e, ainda, aos voos que desviaram para outros aeroportos e precisavam finalmente chegar ao JFK. Seria uma situação atípica, mas mesmo assim uma situação que acontece todos os anos, se não fossem os fatores abaixo:

  • Terminais administrados de maneira separada e exclusivos de companhias aéreas

Em aeroportos imensos como o JFK ou o Heathrow em Londres, as companhias aéreas fazem acordo para operar exclusivamente em um terminal devido à quantidade intensa de voos e à representatividade nele. É o caso da British Airways, que ajudou a construir e opera o Terminal 5 em Londres, facilitando suas operações e diminuindo o tempo de conexão para seus clientes.

No JFK não é diferente. A Delta Airlines e suas aéreas parceiras operam exclusivamente no Terminal 2, a JetBlue apenas no Terminal 5 e o Terminal 8 é exclusivo da American Airlines e suas parceiras, como a LATAM Brasil. O que é uma solução para as grandes empresas aéreas se tornou um transtorno para as concorrentes e seus passageiros. Para piorar, os terminais são administradores por empresas independentes, sendo assim, uma aérea não pode ir para outro terminal se não aquele que ela utiliza. E tudo se agravou no Terminal 1, utilizado por aéreas distintas da Ásia e Europa.

O voo Aeroflot 100 faria a rota Moscou – Nova Iorque em 10 horas, mas foi desviado para Washington. Lá os passageiros desembarcaram, a aeronave então foi para o JFK para realizar o voo de volta a Moscou. Então os passageiros foram embarcados, a aeronave saiu do portão, iniciou o táxi e ficou por 10 horas esperando para decolar. Sim, 10 horas para decolar! Com isto o avião teve que ser reabastecido antes de partir.

Situação similar se repetiu com o Air China 989, que ficou 7 horas esperando no pátio para o desembarque, isto após um voo de 14 horas. O mesmo aconteceu com passageiros de dois voos da Avianca vindos da Colômbia, que ficaram quase 3 horas em solo esperando para desembarcar no Terminal 4, o segundo mais afetado e que agora também está fechado devido a um alagamento.

  • Colisão entre Triple Seven

© New York Port Autorithy

Com a espera excessiva em solo, as tripulações dos voos extrapolaram em muito a jornada máxima de trabalho, que normalmente gira em torno de 14 a 18 horas (varia de acordo com o país). Com isso, além do descanso já previsto, que é de um ou dois dias, tiveram que ficar mais tempo em Nova Iorque para assumir o próximo voo. Soma-se a isso o aeroporto sem poder receber novos voos e agora também com diversas aeronaves sem poder sair do portão ou estacionamento devido à falta de tripulação.

Pátio cheio, muitos aviões tentando chegar e sair (espera para decolagem chegou a 3 horas). Um ambiente perfeito para um incidente. E foi isso que aconteceu. Um Boeing 777 da China Southern bateu sua asa na traseira de um 777 da Kuwait Airways, trazendo mais caos ao aeroporto JFK.

Outros casos bizarros no caos do JFK:

  • Voo Delta 787, de Cancún para JFK, foi desviado para Atlanta apenas para ser feita a imigração, depois o voo foi para Nova Iorque como programado.
  • Voo JAL 6, de Tóquio para JFK, alternou para Chicago. De lá tentou chegar em Nova Iorque e foi novamente desviado para Detroit.
  • Mais de 70 aeronaves ficaram no aeroporto entre 6h e 48h, a média é 3 horas. 
  • Um voo da Norwegian fez um tour em praticamente todas as taxiways do aeroporto enquanto esperava um gate.
  • A American emprestou um gate no T8 para a Qatar Airways desembarcar um dos seus voos, mas apenas para o desembarque. O embarque foi feito no T7, fazendo com que o avião ficasse 10 horas em solo. 

Com informações do Twitter do Flightradar24 e do AirlineFlyer – Jason Rabinowitz.