Entrevistamos Paulo Laux, autor de ’90 Anos de Aviação Comercial Brasileira’.

Catarinense, nascido em 1942 na loira Blumenau, mudou-se muito cedo para São Paulo devido à carreira profissional do pai. Ainda pequeno, costumava encantar-se com as vitrinas das lojas das empresas aéreas, decoradas com lindas fotos, posters e maquetes de aviões, e que, àquele tempo, concentravam-se no centro da capital paulista.

Como, ou quando, a aviação infiltrou-se para valer em suas veias, ele não sabe dizer. Mas foi muito cedo, quando ainda cursava o ginásio (hoje denominado 2º Grau). O curso era puxadíssimo, mas o que ele mais esperava era o fim das aulas para correr à Biblioteca Municipal Mario de Andrade e pesquisar sobre aviação. Tudo era anotado à mão mesmo. Naquela época, máquinas foto-copiadoras ainda eram um sonho.

Mais de 60 anos de pesquisas o colocam em um patamar elevado em conhecimento da aviação, principalmente a brasileira. E agora ele colabora de forma valiosíssima com a história ao compartilhar, em seu livro “90 ANOS DE AVIAÇÃO COMERCIAL BRASILEIRA”, a riqueza das suas experiências. Talvez o livro mais completo de aviação brasileira já publicado.

Em mais essa entrevista com um dos grandes personagens da história da aviação brasileira, trazemos parte da vida e obra do jornalista e artista plástico Paulo Fernando Laux. Todas as imagens históricas que você encontrará ao longo dessa entrevista fazem parte do acervo apresentado no livro.

 

 

Imaginar que uma história de vida possa somar para o esclarecimento e incentivo de novos personagens a enveredar pelo caminho da pesquisa séria e sistemática, contribuindo para o desnudamento de nossa história aeronáutica – mas também de outras áreas do conhecimento -, é um grande prazer – Paulo F. Laux

 

AEROIN – Além de jornalista e artista plástico, há outra atividade que você tenha desempenhado (ou ainda desempenhe)?

Paulo Laux – Eu costumava devorar todo o noticiário que envolvesse a aviação. Não sendo passarinho, se voasse eu me interessava. Queria ser piloto militar ou, se não desse, piloto da Varig. Acabei não sendo nem uma coisa, nem outra, mas acumulei mais conhecimentos históricos do que a maioria dos profissionais que atuam nestas áreas. Até porque eles precisam dominar muitas outras áreas para garantir a segurança de suas máquinas no ar, transportando passageiros ou não.

Não chamaria de “atividade”, mas por muitos anos seguidos fui frequentador assíduo dos terraços do Aeroporto de Congonhas, onde passava tardes inteiras fotografando os aviões que circulavam por lá na época. Outro que não deixava de “bater o ponto” na “prainha de Congonhas” era o Denir Lima de Camargo (pai do saudoso Clube do Manche).

Já a iniciação à Aviation Art (pinturas com tema aeronáutico) deveu-se ao feliz empurrão recebido do amigo Denir quando fez a encomenda de 13 artes para um calendário retratando a aviação comercial brasileira. O projeto, infelizmente, não chegou a um final feliz, mas as artes haviam sido feitas e desde então não parei mais, trabalhando sempre sob encomenda.

 

Pintura Óleo sobre tela – Lockheed L1049 Super H Constellation Real (Paulo Laux).

 

A – Como você ingressou no jornalismo de aviação?

PL – Nas férias, viajava ao Rio de Janeiro apenas para fotografar aviões na companhia de Mario Roberto Vaz Carneiro, um bom amigo até hoje. A capital dos extrovertidos cariocas respirava os bons ares impregnados pela gasolina e o querosene da aviação: aeroportos do Galeão e Santos Dumont, Campo de Manguinhos, Bases Aéreas de Santa Cruz, do Galeão, dos Afonsos…era avião pra ninguém botar defeito! Nem poderíamos imaginar que éramos os spotters dos anos 60, gozando de uma certa liberdade para fazer nossas fotos.

Mas me incomodava muito constatar como nosso país era praticamente ignorado pelas publicações especializadas estrangeiras. Foi assim que me tornei correspondente no Brasil de algumas importantes publicações internacionais, como a inglesa RAF Flying Review, cujo editor-responsável era nada menos que William Green, o papa do jornalismo aeronáutico de então. Quanta honra!

Percorrendo o caminho às avessas, só então fui me formar em jornalismo pela Faculdade Casper Líbero, em São Paulo. De lá para as páginas de revistas especializadas como Manche, Flap, Voar (criada por mim no início dos anos 80), Aero Magazine, Avião Revue, foi apenas um pulo. E pensar que me pagavam para viver cercado de aviões… Foram bons tempos!

 

Cena inusitada colhida durante o desembarque de passageiros do Lockheed L-188 Electra II operando na Ponte Aérea Rio-São Paulo. Aeroporto de Congonhas-SP (Paulo Laux).

 

A – Você comentava sobre ter trabalhado na indústria aeronáutica…

PL – A convite da Embraer, assumi a Assessoria de Imprensa da empresa num momento em que vendiam o bimotor Bandeirante para o mercado norte-americano como se fosse pãozinho quente. Foi um orgulho muito grande para mim participar daquele grupo seleto de profissionais do mais alto nível. O sucesso da montadora brasileira é a maior prova de que não há como se destacar mundialmente sem contar com o suporte de boas escolas e universidades sérias para a formação de seus colaboradores. O ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica, sob o guarda-chuva do Comando da Aeronáutica, representa o celeiro de excelentes profissionais para a indústria especializada brasileira.

Também trabalhei para o escritório do Rio de Janeiro da fabricante aeroespacial francesa Aerospatiale; fui o que rotulavam de anténne de presse do grupo GIFAS, também francês; editei minha própria revista de aviação e, através de minha empresa EPC-Condor Escola de Pilotos e Comissários de Voo, formei mais de um milhar de aeronautas – pilotos e comissários(as) de voo -, que seguem voando pelo Brasil e pelo mundo gozando da boa fama de que desfrutam os aeronautas brasileiros onde quer que estejam.

 

Saab 90A2 PP-SQT Scandia recolhido para o Depto. de Ensino Escola Senai-Vasp em novembro 1966. Cinquenta anos atrás! (Paulo Laux).

 

A – Fascinante! A respeito do livro “90 ANOS DE AVIAÇÃO COMERCIAL BRASILEIRA”, como e quando surgiu a ideia de fazer esse trabalho detalhando toda a trajetória da aviação comercial brasileira?

PL – Como disse, a pesquisa remonta dos tempos de colégio. Quanto tempo? Uma vida! O projeto, propriamente dito, arrastou-se por longos cinco anos passando pelas mãos de diferentes editoras. Todas bem intencionadas e profissionais, mas a verdade é que só boas intenções não basta. É preciso investir no autor e acreditar no projeto. Felizmente eu consegui ter o projeto aprovado.

O livro “90 ANOS DE AVIAÇÃO COMERCIAL BRASILEIRA” tem 244 páginas impressas em papel couchê de alta qualidade (115 g). Nele, o leitor depara-se com aproximadamente 400 ilustrações, em grande parte inéditas, retratando esta formidável história envolvendo a trajetória de vida de 128 empresas aéreas que desfilaram ao longo desses 90 anos. “Uma história ilustrada de sucessos, sonhos e paixões”, como defino.

 

A – O livro é muito rico em imagens raras, como foi o processo de preparação desse material?

PL – Algumas imagens antigas, e por isso extremamente raras, precisaram passar por uma solução caseira de photoshop a fim de retirar manchas, arranhões etc. Outras preciosas imagens foram rejeitadas ao longo de um rigoroso processo de seleção conduzido habilmente por José Leandro Casella, de Porto Alegre, responsável pelo design e projeto gráfico da obra, por estarem em baixa resolução, infelizmente. Muitos dos logotipos que aparecem no livro, peças de publicidade e outras curiosidades fazem parte de minha coleção ou foram cedidas por amigos.

Ao final das contas, um número considerável dessas fotos são próprias ou de minha coleção particular. Outro tanto são provenientes dos arquivos de amigos (spotters e pesquisadores) civis e militares, que desde o primeiro momento se engajaram no projeto sem nada pedir em troca. Seus nomes aparecem junto de cada uma das imagens. Sou imensamente grato a todos eles. Não me canso de reiterar isso e, se for preciso, repetirei outras mil vezes!

 

Sud Aviation SE-210 VI-R PP-CJC Caravelle, Congonhas, outubro 1970 (Paulo Laux).

 

A – Quais os grandes desafios em executar um projeto tão complexo quanto este livro?

PL – Ah meus amigos, se formos listar as dificuldades surgidas ao longo do tempo, iremos derramar lágrimas por horas a fio de “sofrência”. Entre as dificuldades, destaque para a “Medalha de Ouro com Louvor” para a carência de recursos financeiros. Mas valeu muito a pena, se valeu! A criança nasceu saudável, bonita, elegante, com muitas histórias inéditas para contar! Vou compartilhar com vocês alguns testemunhos de quem conheceu a obra.*

* nota do Aeroin: disponibilizamos os depoimentos logo abaixo.

 

A – Paulo, seu livro é fantástico. Agradecemos pela disponibilidade e por tudo o que faz pela aviação brasileira.

PL –  Só tenho a agradecer ao AEROIN pelo interesse e gentileza de cederem este precioso espaço neste conceituado espaço aeronáutico. Sugiro que outros nos contem outras tantas histórias. Estamos todos ansiosos para ouvi-las.

 

Anúncio publicado na revista européia Interavia, em dezembro de 1961 (coleção Paulo Laux).

 

Onde adquirir o livro

O livro “90 Anos de Aviação Comercial Brasileira” é encontrado no site www.bianch.com.br e nas Livrarias Catarinense em Florianópolis e Blumenau-SC ao preço de R$139,00.

Também pode ser adquirido pelo e-mail mariovinagre@uol.com.br ou diretamente com o autor Paulo Laux pelo email paulolaux27@gmail.com.

 

 

Depoimentos de quem já viu a obra

– “Recebi o meu livro ontem à noite. PARABÉNS!!!! QUE BELÍSSIMO TRABALHO! Não li em detalhes, obviamente, mas a primeira impressão foi excelente! Um belíssimo trabalho com uma ótima editoração. Parabéns.” (pesquisador aeronáutico, Porto Alegre – RS)

– “A leitura é maravilhosa! Uma delicia voltar no tempo em uma aviação bem diferente da que temos hoje…” (fotógrafo, Itajaí – SC)

– “Estou babando com o livro (…) “Tô” me lambuzando aqui com seu trabalho. Parabéns.” (pesquisador aeronáutico, Rio Claro – SP)

– “Recebi o livro “90 Anos de Aviação Comercial Brasileira”. Passei boa parte de hoje lendo, vendo e admirando o seu belo trabalho. Você foi a fundo e com boa dose de meticulosidade conseguiu colocar em linguagem simples, porém respeitando a técnica, tudo o que ocorreu nesses últimos 90 anos. Parabéns pelo belo trabalho e que você continue pesquisando e colocando no papel seus conhecimentos e talentos.” (oficial aviador, Natal – RN)

– “Mais uma vez quero parabenizá-lo por sua enorme contribuição para preservar a História de nossa Aviação.” (engenheiro, industrial e museólogo, São Paulo – SP)

– “Seu livro realmente merece figurar em toda biblioteca de entusiastas da Aviação Comercial, além de um texto leve, mas preciso, contando algumas verdades, não mencionadas em revistas ou livros de engajados.” (pesquisador, São Caetano do Sul – SP)

– “A riqueza de informações e de fotografias é fantástica, digna de quem é realmente um conhecedor profundo da história da aviação comercial brasileira. Finalmente ela foi resgatada com muita categoria e fidelidade. Nenhuma outra pessoa, a não ser você, teria o gabarito necessário para escrevê-la. O setor lhe deve essa. Espero que haja o devido reconhecimento.” (publisher, São Paulo – SP)

 

Confira imagens do livro

 

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é assessor de editoria do AEROIN.

Um Comentário:

  1. Acheio o livro interessante…sou fan de livros historicos sob a aviaçao. Mas um livro de 244pags. Por 139 reais mais frete correios…e salgado demais.

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