O pouso perfeito: conheça o campeonato universitário de pouso de precisão.

Cessna 152 da Ohio State University faz pouso próximo à faixa alvo. | Foto: SDK Images

Para muitos, um bom pouso é quando você sai andando do avião, e um ótimo pouso é quando, além disso, o avião tem condições de fazer o próximo voo. E nos Estados Unidos, isso é levado a sério de uma outra forma, a ponto de ter se tornado um esporte universitário com grande rivalidade. Desde 1981 as melhores universidades que possuem curso de aviação disputam um campeonato para decidir qual delas possui os melhores pilotos na realização de pousos, a NIFA SAFECON!




A NIFA, que é a sigla em inglês para Associação Nacional de Voo Intercolegial, foi fundada oficialmente em 1935, porém a sua história começa após a Primeira Guerra Mundial, com muitos aviadores que lutaram na guerra e retornaram à suas universidades. Com o espírito de voo ainda aceso, começaram a criar clubes para reunir outros apaixonados pelo voo. Anos depois realizaram o primeiro evento com nove universidades e faculdades participantes. A renomada Universidade de Yale ficou em primeiro lugar, sendo assessorada pelo aviador naval Juan Trippe, que anos depois fundaria a Pan Am.

Cessna 150 da Western Michigan University conclui a prova de pouso sem motor. | Foto: SKD Images

De lá para cá a NIFA cresceu, realizando eventos com ou sem competição. Também se tornou um fórum para debate da aviação e uma ponte entre os estudantes e o mercado de trabalho, com o apoio de grandes empresas do setor como a Cessna, Piper, Airbus, United, Delta e Southwest Airlines. Em 1981 foi realizado o primeiro SAFECON, ou Conferência de Segurança, que além de um congresso, tem o campeonato nacional de pouso de precisão e de navegação.

Jurados acompanham o pouso de um Cessna 152 da Kent State University na prova de pouso curto. | Foto: SKD Images

A competição

Para chegar na SAFECON, é necessário que a universidade ou faculdade se classifique na sua divisão regional. Hoje são 10 divisões pelos EUA, e um total de 80 instituições participantes. Tanto nos campeonatos regionais quanto no nacional, são 11 modalidades disputadas, sendo que as três principais e mais tradicionais estão listadas abaixo:

  • Pouso Curto de Precisão: Uma faixa é traçada na pista nos seus primeiros metros, e a prova consiste em decolar e realizar um circuito de tráfego padrão (vide imagem a seguir), retornando para pousar o mais perto possível da faixa alvo, que tem em torno de 20cm de largura. Quanto mais perto da faixa, mais pontos. Para ajudar na avaliação dos juízes, uma régua e marcações são colocados ao longo da pista, bem no estilo do campo de futebol americano. Além disso, todas as rodas do aviões são pintadas com faixas para facilitar a medição.
  • Pouso Curto de Precisão Sem Motor: É baseada na prova descrita acima, mas tem um detalhe que faz toda a diferença e torna a prova mais díficil da competição: após estar na perna do vento e paralelo à faixa alvo, o piloto deverá reduzir a potência do motor a zero (cortar o motor) e realizar o pouso o mais próximo da faixa, que não é realocada em relação a primeira prova. Uma boa coordenação de controle da aeronave é a chave para o sucesso nessa prova.

  • Prova de Navegação: Consiste em uma prova onde a organização do evento escolhe três à cinco pontos no mapa, desde aeroportos até locais no meio do nada, sendo apenas informadas aos pilotos as posições geográfica destes pontos, que totalizam uma navegação de 70 à 120 milhas náuticas (129km à 222km de distância). O piloto participante ficará encarregado de realizar todo o planejamento de voo, com tempo estimado entre cada ponto, consumo de combustível nos trechos e preenchimento do plano de voo. Durante o voo um avaliador da NIFA acompanha o piloto e avalia sua habilidade de voo, comunicação com o tráfego aéreo e execução do planejamento feito. Serão descontados pontos por qualquer erro, desde o planejamento até execução, incluindo mal preenchimento de plano de voo.

Faixa alvo é pintada para treinamento na Western Michigan University. | Foto: WMU Aviation

Além dessas três modalidades, existem outras provas como acertar um alvo no solo com um tubo de mensagem lançado à 60 metros de altura; voo por instrumentos no simulador; prova simulada de navegação; voo sobre regra de instrumentos sem nenhuma referência externa; quiz de reconhecimento de aeronaves; provas com o computador de voo; prova para instrutores de voo; e uma avaliação pré voo onde a aeronave estará com 30 itens irregulares, e o participante deverá achar cada um deles e explicar porque aquele item impede o voo de ser realizado.

Pátio do campeonato nacional antes das provas. | Foto: NIFA

Regras

Assim como tudo na aviação, existe uma série de regras na NIFA. Para as provas de pouso curto, a universidade ou faculdade participante precisa, obrigatoriamente, utilizar o Cessna 150/152 em sua versão original, sem modificação aerodinâmica. Inclusive não é permitida a versão Aerobat, que é a versão acrobática do modelo e possui asas maiores.

Já na prova de navegação os participantes utilizam a aeronave básica de instrução de sua instituição de ensino, que pode ser um Cessna 172 Skyhawk, um Piper PA-28 Cherokee ou o Cirrus SR22. Mesmo estas aeronaves tendo uma performance um pouco diferente, não há influência por não ser uma prova de velocidade, e sim de habilidade do piloto com a aeronave e seu conhecimento sobre as regras de voo.

Alunos da Western Michigan University preparam seu Cirrus para a prova de navegação. | Foto: SKD Images

A cada ano os campeonatos regionais e o nacional são realizados em locais diferentes, sempre em um aeroporto de uma das instituições participantes. A competição não é limitada às escolas civis, também há participação das universidade militares como a Academia da Força Aérea Americana.

Alunois da Embry Riddle de Daytona Beach se preparam para a prova de navegação. | Foto: NIFA

Dentre os maiores campeões estão Southern Illinois University, Embry Riddle Aeronautical University, Western Michigan University e University of North Dakota. O campeonato trás uma grande visibilidade para as universidades e seus estudantes, que ganham prêmios e um grande diferencial para colocar no currículo.

O campeonato nacional está próximo, será do dia 09 ao dia 14 de Maio na Ohio State University, em Columbus, Ohio.

Compilado de pousos da competição nacional. | Foto: NIFA

Informações pelo site da NIFA. 

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é piloto e Bacharel em Ciências Aeronáuticas. Formado em Design e Performance de Aeronaves pela California State University Long Beach e Segurança da Aviação pela Western Michigan University. Membro da AOPA e da AIAA.

9 Comments:

  1. Sim claro nos simuladores as vezes é difícil também assim como na prática mais para um pouso perfeito depende muito do clima visibilidade e da posição dos ventos com 05 nós e bom o suficiente os cessna 172 SP são muito bons para aninhar muito bem com ângulo da pista e uma aeronave leve com boa sustentação e com excelente controle nos comandos

  2. Pousar nao sei mais espatifa-lo isso é certeza

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