Bombeiros no Ar: os 10 maiores aviões de combate a incêndio.


DC-10 combate incêndio na Austrália. | Foto: Craig Greenhill

A aviação possui diversas vertentes, e nos últimos dias os aviões têm sido notícia de uma maneira pouco conhecida da maioria: o combate a grandes incêndios.




Nesta lista foram considerados  apenas os aviões que foram modificados ou fabricados para serem bombeiros, não levamos em consideração o sistema modular de combate a incêndio, que consiste em um tanque com equipamento de dispersão, podendo ser equipado em praticamente qualquer grande aeronave cargueira como o C-130 Hércules, IL-76 e futuramente o KC-390, sem nenhuma modificação.

Abaixo você confere os 10 maiores aviões de combate a incêndio, listados por capacidade.

#10. Air Tractor AT-802 – Tamanduá

AT-802F combate incêndio na Espanha | Foto: Air Tractor

O monomotor mais popular para combate a incêndio se destaca por sua versatilidade. Com diversas opções, como motor radial ou turboélice, com um ou dois assentos, tradicional ou anfíbio, o Air Tractor originalmente era um avião agrícola, o verdadeiro Trator dos Ares.

Mas a sua grande capacidade de armazenamento de líquido para uso inseticida acabou por atrair clientes do mercado de combate aéreo a incêndio, e hoje é provavelmente o avião mais usado nessa atividade. No Brasil é utilizado por diversos Corpos de Bombeiros, e ganhou o carinhoso apelido de Tamanduá, visto a similaridade do bico do avião com o mamífero que habita o cerrado brasileiro, tão castigado pelo fogo todos os anos.

Versão anfíbio do Air Tractor pode se auto-reabastecer em lagos. Foto: FireBoss

O Tamanduá tem velocidade máxima de 192 nós (355 km/h), podendo levar até 3.104 litros de água ou retardante, sendo reabastecido e voltando ao combate em apenas três minutos.

#9. Canadair CL-215/415 – Scooper

CL-415 em ação na Itália.

Os Canadair CL-215 e CL-415, respectivamente Scooper e SuperScooper, provavelmente são os aviões de combate a incêndio mais emblemáticos de todos os tempos.

Esta família de aeronaves foi criada para combater incêndios em locais remotos, ocorrência frequente no Canadá, sua terra natal. Entrou em operação no início dos anos 70, ainda com motores radiais Pratt & Whitney R-2800.

CL-215 é anfíbio e pode usar água de lagos. | Foto: Gonzalo Fernández

Nos anos 90 foi lançada a versão CL-415, com novos motores turboélices, aerodinâmica melhorada e cockpit digital. O CL-215/415 pode levar até 5.345 litros de água e tem velocidade máxima de 180 nós (333 km/h).

#8 Antonov An-32P – FireKiller

Versão é modificada de fábrica. | Foto: Antonov

Em 1995, a ucraniana Antonov decidiu lançar no mercado a versão de combate a incêndios do clássico Antonov An-32.

O avião pode operar em pistas de terra, e levar equipamentos mesmo estando carregado de água ou agente retardante.

Usado principalmente na Europa, pode ser convertido facilmente para cargueiro em poucas horas, tem capacidade de 7.570 litros e velocidade máxima de 286 nós (530 km/h).

#7 Bombardier Q400-MR 

Q400 MR da Defesa Civil francesa | Foto: RedSkin83

Apesar de não operar ainda no Brasil, o Bombardier Q400 é um renomado avião regional e concorrente direto do ATR-72.

Seguindo a tradição da finada Canadair, a Bombardier desenvolveu a versão de combate a incêndio da família Dash 8. De início foram duas unidades para a Defesa Civil da França, e depois a Conair também adquiriu unidades do modelo turboélice, sendo um dos mais modernos aviões de combate a incêndio.

Bombardier em ação na Europa, operado pela Conair. | Foto: Divulgação.

O Q400-MR leva até 10.000 litros de água ou agente retardante, e tem uma velocidade máxima de 370 nós (425 km/h).

#6 Lockheed P3 Orion / L-188 Electra

P-3 da falida AeroUnion. | Foto: Alan Akradecki




O P-3 Orion é conhecido por sua versão anti-submarino e a caça-furacões, mas a versão militar do Electra não faz “apenas” estes serviços, ela também combate incêndios.

Foi operador por anos pela AeroUnion, até que a empresa fechou as portas devido a um escândalo com o departamento de florestas americano.

Após uma campanha de doações para o avião voltar à ativa, a Buffalo Airways (conhecida popularmente pela série de TV Pilotos no Gelo), comprou duas unidades do P-3 e do Electra para combater incêndios.

O lendário Orion leva até 11 mil litros de retardante ou água.

#5 Bae-146 / Avro RJ85 – Jumbolino

Bae-146 da Neptune Aviation. | Foto: Divulgação

O menor quadrimotor a jato do mundo, apesar de relativamente pequeno, é de grande valia para o combate a incêndio.

Com seus quatros motores, confere uma confiança maior aos operadores que em suas missões enfrentam ares turbulentos e poluídos. A sua capacidade de operar em pequenas pistas também é um diferencial do Bae-146, produzido posteriormente como Avro RJ85.

Bae-146 em ação no Chile | Foto: Divulgação – Neptune Aviation.

O apelido jumbolino é uma alusão aos seus quatro motores e sua fuselagem “gorda”, que de alguma maneira assemelha-se ao estilo do Boeing 747, o legítimo jumbo. Possui capacidade de carregar até 11.355 litros e tem velocidade máxima de 486 nós (900 km/h).

#4 Beriev Be-200 Altair

Foto: Dmitriy Pichugin

O Beriev é uma aeronave anfíbia que pode levar carga, combater incêndios, fazer missões de busca e salvamento ou levar até 72 passageiros, sendo muito versátil e utilizada principalmente no Mar Cáspio e Mar Negro.

Apesar da aparência de um ecranoplano (veículos soviéticos que voavam a poucos metros do chão utilizando-se do efeito solo), o Be-200 também opera em pistas regulares. É uma evolução do grande Beriev A-40.

Beriev B-200 recarregando seus tanques no Mediterrâneo.

O avião russo pode levar até 12 mil litros de água e tem velocidade máxima de 302 nós (560km/h).

#3 McDonnell Douglas MD-87 / Douglas DC-9  – MadDog

Dois dos três MD-87 de combate a incêndio em operação. Foto: AeroCapture Images™ | Jansma Design LLC

Em 2014, a Erickson Aero Tanker decidiu converter um MD-87 (DC-9) para uso em combate a incêndio.

A aeronave estava em alta disponibilidade no mercado, já que as companhias aéreas americanas começavam a se desfazer dos MadDogs, que foram a espinha dorsal da aviação doméstica americana por décadas.

Dois anos depois, em 2016, mais duas aeronaves foram adicionadas à frota. Os MD-87 contam com tanque interno e a liberação do reagente químico ou água é feita por gravidade. As aeronaves pertenceram anteriormente à JAL, Iberia e SAS.

MD-87 em ação na Califórnia. | Foto: Randy Johanson

O MadDog de combate a incêndio leva até 15 mil litros de agente químico ou água e tem velocidade máxima de 437 nós (811 km/h).

#2 McDonnell Douglas DC-10 Tanker

Os três DC-10 Tankers alinhados na Base Aérea de McClellan. | Foto: Ed Morell – Divulgação

Em 2006 decolou pela primeira vez um trijato de combate a incêndio, o DC-10 da 10 Tanker Air Carrier. A aeronave foi anteriormente operada pela National Airlines, Pan Am, American Airlines, Hawaiian Airlines e Omni Air.

Posteriormente mais dois DC-10 foram convertidos pela 10 Tanker. O de cauda 910 está em operação contínua na Austrália, o 911 em manutenção e o 912 está aguardando acionamento na Califórnia.

Veja abaixo um incrível vídeo que um bombeiro gravou do DC-10 em uma passagem baixa, em ação no Colorado:




O clássico DC-10 pode carregar mais de 45 mil litros de retardante e tem uma velocidade de cruzeiro de 521 nós (965 km/h).

#1 Boeing 747-400 – Global SuperTanker

747 retorna após missão no Chile.

No topo da nossa lista, o avião que tem sido tratado como um herói do combate a incêndios: O SuperTanker.

A Global SuperTanker foi uma empresa fundada por ex-funcionários da Evergreen International, que foi a primeira utilizadora dos 747 para combate a incêndio.

A Evergreen acabou por fechar as portas em 2013, mas o seu legado continua através do SuperTanker, que é o maior avião de combate a incêndio da historia.

O 747-400 de matrícula N744ST foi fabricado em 1991 para a Japan Airlines (JAL), na qual operou até 2010. Depois foi convertido para cargueiro na versão BCF – Boeing Converted Freighter. Operou por pouco mais de um ano na Evergreen e foi estocado com o fim da empresa.

Imagem: Facebook / Global SuperTanker LLC.

Em 2016 com a criação da Global SuperTanker, ele foi colocado de volta à ação, modificado para levar dois tanques com a incrível capacidade de 75,7 mil litros! Já realizou missões em Israel e no Chile, e definitivamente é o Rei dos Ares.

Informações pela 10 Tanker, Air Tractor, AirTanker.org, Antonov Design Bureau, CAL Fire, Conair, FireBoss LLC, FireAviation, Global SuperTanker, OrionAerial e Neptune Aviation. 

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é piloto e Bacharel em Ciências Aeronáuticas. Formado em Design e Performance de Aeronaves pela California State University Long Beach e Segurança da Aviação pela Western Michigan University. Membro da AOPA e da AIAA.

18 Comments:

  1. Com eles daria para diminuir a seca nas plantações do nordeste

  2. Nada irá tirar a beleza dos McDonnell

  3. Tem um vídeo pra assistir aqui muito bom Poliana O. P. Kottwitz

  4. Corpo de Bombeiros Voluntários de Indaial-SC

  5. podia mostrar por dentro, como é o tanque deles?

  6. imaginamos que todo o avião é composto de um grande tanque ,mas eu acho que não deve ser

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