Que tal negociar em dinheiro para reclinar seu assento?

Imagine-se voando em um assento com os restritos espaços entre fileiras que são cada vez mais comuns na aviação comercial. Então, além do já incômodo engessamento natural dos seus movimentos, o seu vizinho da frente resolve reclinar o assento e acabar de vez com seu espaço. Então você o cutuca e indaga: “Quanto você quer para deixar seu assento na vertical?”, e imediatamente recebe a resposta: “Quanto você está disposto a pagar para manter o seu espaço?”.




É exatamente essa a ideia de dois professores norte-americanos de Direito, que realizaram uma pesquisa para avaliar duas situações relativas à polêmica dos encostos de assento. No primeiro caso, você negociaria com o passageiro da frente o valor que você pagaria para que ele mantivesse o encosto na vertical. No segundo caso, você negociaria com o passageiro de trás o valor que você pagaria para poder reclinar o seu encosto.

Apesar dos dois casos dizerem respeito à mesma situação, os resultados são diferentes em cada um deles. Quando se trata de você pagar ao vizinho da frente para ele não reclinar o assento dele, o passageiro da frente cobraria $41 dólares para se manter na vertical e você estaria disposto a pagar $18 dólares para manter seu espaço de pernas. Quando se trata de você pagar o vizinho de trás para poder se reclinar, você estaria disposto a pagar $12 dólares para reclinar e o passageiro de trás cobraria $39 dólares para aceitar a perda de espaço.

Segundo declararam, em um artigo no evonomics, os professores que propuseram a ideia, esse tipo de discussão por um motivo tão fútil é coisa de passageiros idiotas, mas perece que existem mais idiotas voando do que se imagina. Isso porque os Estados Unidos registraram três pousos não programados por esse motivo em um período de duas semanas. Então, a possibilidade de negociação resolveria as frequentes discussões registradas nos voos comerciais.

Você concorda? Será mesmo que trocar a educação (ou a falta dela) pela barganha evitaria as discussões? Veja que, em ambos os casos, os valores sempre passam longe entre quem oferece e quem cobra. Talvez nada mudaria…

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é assessor de editoria do AEROIN.

Um Comentário:

  1. Não funcionaria. Porque?

    1) As discussões, ao invés de diminuir. vão aumentar. Porque sempre vai haver pessoas que vão valorizar mais o seu direito do que o do próximo
    2) Troca-se o que hoje já é um ponto passivo, ou seja, TODOS têm o direito de reclinar seu assento, ou NINGUÉM tem esse direito (conforme a empresa aérea e seus respectivos assentos) para um ponto em que prevalece quem tem mais dinheiro, quem quer gastar, quem se acha mais que os outros, etc, etc etc.
    3) Imagine esposas e maridos discutindo porque o marido não quer pagar esse “benefício” aos filhos, à ela, etc, etc, etc.

    MUITO mais correto, seria que a certificação, testes, e propagandas das fabricantes dos aviões e empresas aéreas, passassem obrigatoriamente a ser contando com os assentos na posição reclinada.
    Ou seja, todas as medidas mínimas de distância de um assento para o outro deveriam ser divulgadas obrigatoriamente com os assentos na pior posição possível.

    Talvez até mesmo a certificação/regulamentação oficial das aeronaves poderia levar isso em consideração.
    Acho que isso poderia trazer algumas mudanças benéficas à indústria.