SAE Aerodesign 2014, os brasileiros que vão projetar os aviões do futuro

Urubus

O coração da tecnologia aeroespacial brasileira mais uma vez assistiu a uma das maiores competições de projetos aeronáuticos do mundo. Entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro o aeroporto de São José dos Campos sediou a XVI SAE Brasil Aerodesign, competição que reuniu 85 equipes e 770 participantes de 71 instituições de ensino do Brasil, Polônia, Venezuela e Peru.

O texto e as fotos são de Murilo Basseto

 

Organizada pela SAE Brasil, patrocinada pelas empresas Airbus, Boeing, Embraer, SAAB, GE, Honeywell, Parker, Hamilton Sundstrand, Rolls-Royce e Pratt & Whitney, e apoiada pelo DCTA, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Prefeitura de São José dos Campos, ADC Embraer e rede Accor, a competição desafia estudantes a projetar, apresentar e colocar à prova projetos de aeronaves rádio-controladas para o transporte de carga.

 

Três Categorias

As equipes dividiram-se entre as categorias Micro, Regular e Advanced, que apresentam regulamentos diferenciados apesar do objetivo principal de se obter a maior pontuação ao transportar carga com a maior eficiência possível. Em todos os casos os aviões precisam cumprir um circuito completo de voo, que se constitui em decolar, circular e pousar como mostrado no mapa abaixo. Todos os voos são realizados a partir da taxiway do aeroporto de São José dos Campos, e o ambiente da competição se localiza no pátio do DCTA.

 

01 Aerodesign 2014
Entrada da SAE Brasil Aerodesign 2014, no pátio do DCTA, em São José dos Campos

 

Kamikase

Aeronave da equipe Kamikase (classe Regular). Os pilotos das equipes precisam demonstrar grande perícia para controlar as aeronaves carregadas.

 

03 Circuito
Percurso de voo da competição a partir da taxiway do aeroporto

 

Na categoria Micro os participantes precisaram projetar aviões elétricos que levassem exatamente 40 bolinhas de tênis, respeitando-se as diversas restrições do regulamento. A cada ano a organização do evento coloca novos desafios aos projetos, fazendo com que os estudantes busquem soluções de engenharia para contornar as restrições durante o projeto aeronáutico.

 

Céu Azul Micro
Equipe Céu Azul (classe Micro) durante percurso de voo

 

Na classe Regular o desafio era transportar a maior carga possível, atendendo à principal restrição: área máxima em planta de 7750 cm2. As equipes deveriam também buscar pontos através de diversas bonificações, como pouso dentro de uma área de 122 metros, tempo de retirada de carga, correta previsão em projeto da carga transportada nos voos, entre outras.

 

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Aeronave da equipe Alpha (classe Regular) aproxima-se para pouso após o circuito de voo

 

Por fim, na Advanced, categoria na qual obrigatoriamente devem estar presentes estudantes de pós-graduação, os projetos deveriam fazer uso de tecnologias mais avançadas. Um dos desafios, por exemplo, era que os aviões registrassem o tempo entre o momento que livravam o solo e o momento que voltavam a tocá-lo após completar o circuito de voo. Este tempo deveria ser o mais próximo possível do tempo registrado pelo cronômetro de um juiz da competição para se obter maiores pontuações.

 

Leviatã

Aeronave da equipe Leviatã (classe Advanced) ganha altura após decolagem bem sucedida.

 

A Competição

O primeiro desafio de cada equipe ocorre meses antes do primeiro dia de competição. Cada projeto deve ser documentado através de um relatório técnico, e este deve conter todas as considerações aplicadas, os cálculos feitos e a bibliografia aeronáutica utilizada. Dessa forma os estudantes ganham importante conhecimento na área aeronáutica, complementando sua formação, uma vez que grande parte das instituições de ensino não possui curso de Engenharia Aeronáutica.

Os relatórios são enviados em agosto ao corpo de juízes da competição, composto em sua maioria por engenheiros da Embraer. Nesse ponto, muitas das equipes já construíram sua primeira aeronave para testes de voo, para garantir que as informações do relatório estarão de acordo com a aeronave projetada. A avaliação dos projetos teóricos gera a primeira pontuação das equipes, que possui grande peso no resultado final. As equipes então constroem as aeronaves que serão levadas à competição para os voos oficiais.

 

07 Software
As equipes utilizam avançados softwares de engenharia para projetar as aeronaves

 

Chegado o momento da competição, o primeiro dia destina-se às apresentações orais. Novamente juízes avaliam as equipes, dessa vez analisando a capacidade de divulgação dos projetos durante o tempo de 15 minutos, além de outros 10 minutos finais para a realização de questionamentos aos integrantes sobre detalhes do projeto. As apresentações gerarão mais uma nota que irá compor a pontuação final de cada equipe.

Do segundo ao quarto dia acontece efetivamente a competição de voo. Em cada bateria de voo todas as equipes são chamadas, e devem passar por uma inspeção pré-voo. Se aprovadas na inspeção quanto a critérios de segurança, são autorizadas a realizar o voo. Após o voo há uma nova verificação quanto à integridade da aeronave e, em caso de aprovação, a pontuação do voo é computada.

Após todas as baterias determina-se a pontuação final, composta pela soma das notas de relatório, de apresentação oral, de voo e das bonificações.

 

Tucano
Aeronave da equipe Tucano (classe Regular)

 

Resultados

O AEROIN esteve presente acompanhando a equipe Urubus Aerodesign pelo segundo ano consecutivo. A equipe, formada por estudantes de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, havia conquistado a segunda colocação na competição de 2013 e a sexta colocação no mundial SAE Aerodesign East 2014, realizado em Marietta, Geórgia, nos EUA. Somente os dois primeiros colocados da classe Regular e os vencedores das classes Micro e Advanced ganham vaga para participar da competição mundial.

 

09 Urubus East
Aeronave da equipe Urubus (classe Regular) na competição SAE East 2014, nos EUA

 

Na competição de 2014 a equipe manteve a qualidade de seus projetos e conquistou o inédito título de campeã da classe Regular da SAE Brasil Aerodesign. A vitória foi apertada, com apenas 1,2 pontos de vantagem para o segundo colocado (424,9 contra 423,7 pontos), a equipe Uirá, da Universidade Federal de Itajubá – UNIFEI.

Na classe Micro a campeã foi a equipe Trem Ki Voa, da Universidade Federal de São João Del Rei, e na classe Advanced o título ficou com a Car-Kará, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Essas quatro equipes representarão o Brasil na SAE Aerodesign East 2015, que acontecerá em Lakeland, Flórida, no período de 13 a 15 de março do próximo ano.

 

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Aeronave da equipe Trem Ki Voa, campeã da classe Micro

 

11 Car-Kará

Aeronave da equipe Car-Kará, campeã da classe Advanced

 

Urubus
Aeronave da equipe Urubus, campeã da classe Regular

 

13 Urubus 2014
Equipe Urubus recebe o troféu de campeã da classe Regular na SAE Brasil Aerodesign 2014

 

Confira a galeria de fotos do Murilo Basseto

 

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.
  • jose luiz casanova

    Parabéns a todos por esta competição. Importantíssimo para tectecnologia aero espacial Brasileira.