35 anos de um incidente que mudou a aviação – O gimli glider

Estadia final da aeronave 767 foi o deserto de Mojave

 

O dia de hoje marca o 35º ‘aniversário’ do Gimli Glider. O voo Air Canada 143, operado por um Boeing 767 matrícula C-GAUN, ficou sem combustível no meio de sua rota devido a cálculos e conversão de unidades (entre lbs e kgs) erroneamente aprovadas pelos técnicos de manutenção e sua tripulação, mas conseguiu realizar um pouso de emergência em uma base aérea desativada: em Gimli, Manitoba – Canadá.




O Boeing 767, apesar de severos danos, foi reparado e entrou em serviço meses depois, ficando na frota da Air Canada até 2008, quando, em janeiro deste mesmo ano, foi retirado de operação para fornecer peças a outras aeronaves e ficou estático num deserto dos EUA.

Devido a perda dos sistemas hidráulicos, o trem principal desceu com ação da gravidade, mas o trem de nariz não teve a mesma capacidade. A tripulação heroicamente conseguiu controlar o avião com o uso da Ram Air Turbine, um ‘catavento’ capaz de transformar a energia mecânica da velocidade do vento em energia elétrica para os sistemas vitais.

A investigação subsequente revelou que falhas sequenciais e falta de padronização na aviação da época, bem como o componente cultural do Canadá – que utilizava tanto medidas métricas e imperiais, dada a influência tanto francesa quanto inglesa na região – fizeram o voo decolar com menos da metade do combustível necessário para cumprir a rota.

Apesar do erro, a tripulação recebeu honras e foi reconhecida por salvar a aeronave e seus passageiros, pois o mesmo incidente resultou em acidente quando simulado em terra por diversas outras tripulações.

André Le Senechal

Piloto comercial, ICAO 5. Formando no Bacharelado de Aviação Civil. Respira o ar do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos. Profissional de infraestrutura aeroportuária e controle/despacho operacional de voos. Plane Spotting e Simuladores de voo.