35 anos do Boeing 767! Confira sua trajetória no Brasil.

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No dia 26 de Setembro de 1981, decolava o primeiro Boeing 767 do mundo em Seattle, nos Estados Unidos. A partir desta data a aeronave ganhou o mundo, com mais de 1.000 unidades produzidas ao longo desses 35 anos, e que ainda devem voar por mais alguns bons anos. Confira nesta foto-matéria um pouco da grande história do Boeing 767 no Brasil, o widebody preferido das companhias aéreas brasileiras.

No meio dos anos 70, a Boeing decidiu que iria criar uma nova família de aeronaves para substituir o mercado do Boeing 707 e do 727, sendo que a substituta do 707 deveria concorrer com o recém-lançado Airbus A300. O conceito do projeto então denominado 7X7 era uma aeronave de fuselagem larga com dois corredores (widebody), impulsionada por 2 motores, porém menor que o McDonnell Douglas DC-10 e o Lockheed L-1011 Tristar. As aeronaves da família deveriam preencher a lacuna entre o 737 e o 747, sendo aeronaves médias.

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Boeing 767 em sua primeira apresentação ao público, em 4 de Agosto de 1981, na fábrica da Boeing em Everett. Foto: Boeing Company.

Introduzindo novos conceitos e tecnologias

Deste projeto nasceu a família Boeing 757/767, sendo o 757 para substituir o líder de vendas 727, e o 767 para operar rotas domésticas de alta densidade e internacionais que o 707 operava. Esta nova família de aeronaves contava com novas tecnologias: o Boeing 767 e seu irmão 757 foram os primeiros a usarem na sua cabine telas CRT – tubos de raios catódicos -, conhecido popularmente no Brasil como “TV de tubo”.

Além da inovação na cabine, o 767 introduziu no mercado o conceito ETOPS – Extended Twin Engine Operations, que permitia a uma aeronave bimotora voar sobre rotas em que um aeroporto de alternativa estivesse a mais de 120 minutos de distância da rota planejada. Isto foi possível devido ao enfoque na segurança dos motores do 767, fabricados pela Pratt & Whitney, General Eletric e Rolls-Royce.

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Cockpit do 767 foi o primeiro da Boeing a contar com telas. Foto: Boeing Company

Antes do 767, os voos sobre o mar não poderiam estar a mais de 90 minutos de um aeroporto capaz de receber a aeronave em caso de emergência. Este novo conceito permitiu rotas mais “diretas” e sem a necessidade de uma aeronave de 4 motores como o 747, gerando economia de tempo e combustível,  um dos principais motivos do sucesso de vendas da aeronave.

O Boeing 767 foi comercializado em 3 principais versões: -200, -300 e -400ER, respectivamente da menor para maior em comprimento de fuselagem. O 767-200 tem capacidade máxima de 255 passageiros, o -300 pode contar com 209 assentos e o 400ER leva até 409 passageiros. A partir das versões -200 e -300 foi desenvolvida a variante ER de alcance extendido (extended range).

Os Boeing 767 “brasileiros”.

  • Transbrasil

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No Brasil, o Boeing 767 fez seu primeiro pouso em Brasília, no dia 18 de Junho de 1982. Não apenas era o primeiro a tocar solo brasileiro, mas também o primeiro 767 a ser operado por uma companhia latino-americana, a Transbrasil. O Boeing 767-200 de matrícula PT-TAA, foi o 55º 767 a ser produzido, e chegava ao Brasil após o seu debut no Salão de Le Bourget, em Paris. Foi a primeira vez que uma companhia aérea brasileira expôs uma aeronave na principal feira de aviação do mundo.

De Paris, a aeronave retornou para o seu ninho em Seattle, no aeroporto de Everett. Após a cerimônia oficial de entrega o avião partiu para Congonhas com escalas em Miami e Brasília. Após o PT-TAA, seguiram-se o TAB e TAC, que operavam rotas tronco domésticas entre São Paulo, Brasília, Fortaleza, Manaus, Rio e Salvador. Em 1994 a companhia recebeu seu primeiro 767-300ER, versão que seria a mais usada nas companhias aéreas brasileiras. No total, a Transbrasil operou 14 Boeings 767, sendo quatro da versão -200, outros cinco da variante -200ER e mais cinco da versão -300ER.

  • VARIG

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Depois dos coloridos 767 da TransBrasil, foi a vez da pioneira Varig adquirir a mais nova máquina da Boeing. O primeiro 767 da Varig chegou em Junho de 1986, com a matrícula PP-VNL, e pouco mais de um ano depois a empresa recebeu de uma vez os seus primeiros três 767-200ER, de matrículas PP-VNO, VNP e VNN. O 767-200ER operou em rotas domésticas de alta-densidade e principalmente nas rotas da Varig na América Latina, como Santiago do Chile e Quito, no Equador.

Com o sucesso do seu 767-200ER, a Varig decidiu adquirir a maior versão do bimotor da Boeing, e em 1997 chegou o primeiro Boeing 767-300ER da pioneira, de matrícula PP-VPV. O -300ER foi muito usado em rotas para os EUA e Europa, além de voos fretados da companhia pela marca Varig Charter – Operados pela Euro Atlantic Airways. O 767 continuou com a companhia até seus últimos dias e foi o único widebody a receber a nova pintura da Varig após sua aquisição pela GOL em decorrência de sua falência. Nesta última fase a aeronave operou voos charter e rotas domésticas de alta densidade, como Belo Horizonte (Confins) – Brasília.

  • BRA Transportes Aéreos

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Em 2004 a BRA Transportes Aéreo recebeu seu Boeing 767-300ER. Matriculado no Brasil como PR-BRW, tinha voado anteriormente na LAN Chile, Air Madagascar, TWA e American Airlines. Dois anos mais tarde a companhia com enfoque no turismo adquiriu seu segundo 767, desta vez a versão -200ER. Juntos, os dois 767 operaram rotas para o Caribe, Espanha e Portugal.

  • OceanAir

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Em 2007, a Oceanair decidiu dar um novo passo em sua história e iniciar rotas internacionais. Para isso fez um contrato de leasing com a EuroAtlantic para operar dois Boeing 767-300ER nas chamadas “Rotas do Petróleo”, que seriam entre Brasil, Angola e Nigéria, países onde empresas brasileiras na época tinham grandes investimentos petrolíferos e com grande tráfego de funcionários e empresários. Em maio de 2007 chegou o primeiro 767 da companhia, com registro PR-ONA, seguido pelo PR-ONB meses depois.

As aeronaves operaram rotas entre Rio ou São Paulo com destino à Luanda e Lagos. Em diversas ocasiões também operaram rotas domésticas de alta densidade. No mesmo ano de 2007, com o fim das operações da BRA, a Oceanair, atual Avianca Brasil, assumiu alguns dos passageiros da BRA. E quatro meses depois, já em 2008, a Oceanair adquiriu o seu primeiro jato widebody, o 767 PR-BRW, que pertencia à BRA. Os três 767 continuaram na companhia até 2009, quando a mesma encerrou as linhas do petróleo.

  • RIO Linhas Aéreas

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Em 2011 a RIO Linhas Aéreas adicionou a sua frota o Boeing 767-200BDSF, versão cargueira do -200 convertida pela Israel Aerospace Industries (IAI). Em Julho e Agosto daquele ano foram recebidos os dois 767 de matrícula PR-IOE e PR-IOH, sendo que o primeiro foi devolvido no ano seguinte e o PR-IOH em 2015. Foi a única brasileira a operar o -200 na sua versão de transporte de cargas.

  • Grupo LATAM 

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A TAM Linhas Aéreas, atual LATAM Brasil, recebeu o seu primeiro Boeing em 2008, com matrícula PT-MSU. Este 767, juntamente com os dois seguintes (PT-MSQ e PT-MSR), foram anteriormente operados pela Alitalia e mantinham o interior da companhia italiana. Porém o PT-MSU já pertenceu a uma companhia brasileira: operou por pouco tempo na Varig como PR-VAG, e após a falência da mesma foi transferido para a TAM.

Os três primeiros 767 da TAM ficaram ativos até 2014, quando dois foram transferidos para a Boliviana de Aviación (BoA), com exceção do PT-MSQ. As aeronaves foram substituídas por iguais 767-300 oriundos de diversas subsidiárias da LAN, sendo 767’s praticamente novos, com menos de 4 anos de uso na data de sua transferência. Contam com uma configuração padrão do grupo LATAM, com telas individuais AVOD ao invés do clássico projetor usado em todos os 767 anteriomente operados por companhias aéreas brasileiras.

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O 767 também foi um sucesso de vendas na sua versão cargueira, com diversas unidades originalmente para passageiras sendo convertidas para cargueiras. No Brasil não foi diferente. A ABSA Cargo, originalmente subsidiária da LAN, utilizou seis Boeing 767-300ERF, todas aeronaves convertidas de passageiro para cargueiros. Uma delas, de matrícula PR-ACO, é a única aeronave operando com pintura da TAM Cargo.

  • Força Aérea Brasileira – Esquadrão Corsário

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Em 2012, a Força Aérea Brasileira (FAB) abriu processo de licitação para substituição de seus reabastecedores/transportadores táticos KC-137, os Boeing 707 conhecidos como “Sucatão”. Um ano depois a IAI foi anunciada como vencedora, com o contrato para conversão de dois 767-300ER para o modelo MMTT (Multi-Mission Tanker Transport).

Em 2014 o primeiro dos dois Boeing 767 chegou em Israel para conversão para MMTT. Porém o contrato teria sido cancelado, e a aeronave de matrícula N764NA, ex-North American, virou cargueiro para a canadense CargoJet.

Após esse impasse, a FAB neste ano decidiu abrir uma nova licitação emergencial para seu avião de transporte tático, sendo que a COLT Aviation ganhou o contrato e forneceu para a FAB um 767-300ER. Na Força Aérea recebeu a designação C-767 – Cargo 767 – e desde Julho transporta tropas e equipamentos das Forças Armadas. A aeronave atualmente é baseada no Esquadrão Corsário, na Base Aérea do Galeão, na cidade do Rio de Janeiro, e ostenta a matrícula FAB 2900.

Os 767’s estrangeiros que operaram no Brasil

O Boeing 767 marcou história nas companhias brasileiras, mas hoje é uma figura clássica nos aeroportos internacionais do Brasil devido ao grande uso do avião por companhias estrangeiras.

O Boeing em sua versão de passageiros foi operado regularmente no Brasil por AeroMexico, Aerosur, Air Canada, Air China, Air Europa, Alitalia, American Airlines, Avianca Colombia, Boliviana de Aviación, Canadian, Condor, Continental Airlines, Delta Airlines, Ethiopian Airlines, Iberia, LAB, Mexicana, Pluna, Royal Air Maroc, US Airways, United Airlines e Spanair.

Já na sua versão cargueira foi operado em terras brasileiras por Atlas Air, EuroAtlantic Cargo, Florida West, LAN Cargo, LANCO, Mas Air, Tampa Cargo e UPS. 

Veja abaixo uma galeria exclusiva de fotos com os principais 767 operados no Brasil.

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos