Há 38 anos, o Boeing 767 ganhava os céus pela 1ª vez!

Há 38 anos, em 26 de setembro de 1981, o primeiro Boeing 767 completava, quatro dias antes do previsto, seu voo inicial com duração de 2 horas e 4 minutos! Veja a seguir a história desse bem sucedido modelo!

Avião boeing 767 Roll Out
Cerimônia de apresentação (roll out) do primeiro 767

Construído em Everett, Washington, ao lado da linha de produção do Boeing 747, a família 767 pode transportar de 200 a 300 passageiros. Um jato de corpo largo e corredor duplo, mas, como o irmão menor 757, projetado para ser referência em economia de combustível.

Boeing 767 cutaway visão interna

Em 1985, como pioneiro no ETOPS (padrões de desempenho operacional que permitem que bimotores voem sobre extensas áreas sem aeroportos de alternativa), o 767 foi certificado para voos prolongados que o tornaram o primeiro jato bimotor comercial a fazer rotas regulares através do Atlântico.

Boeing 767-200/ER

A versão de fuselagem mais curta, designada 767-200, foi encomendada pela primeira vez em 1978 e o último exemplar foi entregue em 1994. Seu modelo de longo alcance, o 767-200ER, entrou em serviço em 1984.

Avião Boeing 767-200 Air to Air
Versão inicial e mais curta 767-200

Boeing 767-300/ER

A versão intermediária e mais bem sucedida, 767-300, foi encomendada pela primeira vez em 1986 e foi logo seguida pela versão de alcance estendido -300ER, entregue em 1988.

Avião Boeing 767-300L LATAM
Versão 767-300ER, amplamente utilizada na aviação mundial

Boeing 767-400ER

Por fim, o 767-400ER de fuselagem mais alongada, voou pela primeira vez em 1999, levando a família 767 ao limite máximo de capacidade ao transportar 304 passageiros em uma configuração de duas classes, com alcance de mais de 11.265 quilômetros.

Boeing 767-400ER Air to Air
Boeing 767-400ER, a versão do corpo mais longo

Assim, a família 767 é composta por cinco modelos de passageiros – 767-200, 767-200ER, 767-300, 767-300ER e o 767-400ER, além do 767 Freighter (cargueiro). Baseado na fuselagem do 767-300ER e lançado em maio de 1995, o 767-300F foi entregue pela primeira vez em outubro de 1995.

Outras variantes

A Boeing ainda criou versões não comerciais do clássico 767.

Uma versão modificada foi lançada como plataforma para o AWACS (Airborne Warning and Control System – sistema de controle e alerta aéreo), anteriormente transportado a bordo do 707. O primeiro dos 767 AWACS, designado E-767, fez seu primeiro voo em 9 de agosto, 1996, e o governo do Japão encomendou quatro deles.

Avião Boeing E-767 AWACS
Boeing E-767 AWACS

Em 2000, a Boeing lançou seu 767 de transporte militar internacional. A Força Aérea Italiana e a Força de Autodefesa Aérea do Japão tornaram-se clientes.

1000 unidades!

Em 2 de fevereiro de 2011, centenas de funcionários, acompanhados pelos aposentados da Boeing que trabalharam no primeiro 767, reuniram-se para comemorar o milésimo 767 produzido na fábrica de Everett, entre para a ANA – All Nippon Airways.

A 1000ª aeronave também marcou o último modelo produzido na linha de montagem original do 767. A partir da 1001ª aeronave, a produção mudou-se para outra área da fábrica de Everett, que ocupava cerca da metade do espaço anterior. A nova linha de montagem abriu espaço para a produção do 787 e teve como objetivo aumentar a eficiência da fabricação em mais de vinte por cento.

Pegasus

Poucas semanas depois, em 24 de fevereiro de 2011, a Força Aérea dos EUA firmou um contrato com a Boeing para desenvolver um Tanker (avião de reabastecimento aéreo) para substituir sua frota de KC-135, modelo baseado no 707.

Partindo do 767-2C, uma versão modificada para cargueiro do 767-200ER, o novo KC-46 Pegasus é capaz de reabastecer 64 aeronaves diferentes e pode detectar, evitar, derrotar e sobreviver a ameaças usando várias técnicas de proteção. A Força Aérea dos EUA recebeu seus dois primeiros KC-46A em dezembro de 2018.

Avião Boeing 767 KC-46 Tanker
Boeing KC-46 Tanker

O fim da linha

A produção da versão de passageiros foi encerrada pela Boeing em 2012, permanecendo apenas a versão cargueira em construção.

Entre 2017 e 2018, rumores surgiram sobre um possível retorno do modelo de passageiros, mas algum tempo depois Randy Tinseth, vice-presidente de marketing da Boeing Commercial Airplanes, afirmou que “Trazer de volta o avião de passageiros 767 é uma opção que simplesmente não vejo“.

Os rumores sugeriam que a Boeing poderia retomar a produção do 767-300ER, mas apenas para atuar como uma ponte até que a NMA (New Mid-market Airplane), nova aeronave da Boeing também chamada de 797, estreasse no período de 2024 a 2025, pois o 767 não forneceria às companhias aéreas uma opção com os motores da próxima geração e a economia que elas estão procurando.

Avião Boeing 797 NMA
Perspectiva do possível Boeing 797, ou NMA

O NMA acomodaria de 220 a 270 passageiros e teria um alcance de cerca de 5.000 milhas náuticas, mas por enquanto o projeto segue em banho maria diante da crise enfrentada com o modelo 737 MAX.

A todo vapor!

Apesar do fim da versão de passageiros, o cargueiro 767 continua a todo vapor. Com um arranjo de carga de alta capacidade no convés principal e no porão inferior, pode transportar 53 toneladas de carga com alcance intercontinental.

O sucesso continua tão grande que a Boeing ampliou, no ano passado, o ritmo de produção do 767 cargueiro, tendo a FedEx dado grande impulso com grandes encomendas do modelo.

Avião Boeing 767-300F FedEx

O modelo também tem sido adquirido por companhias aéreas que o estão arrendando para a crescente frota da Prime Air, pertencente à Amazon.

Avião Boeing 767-300F Amazon Atlas

Único produto da Boeing que atende aos mercados de cargas, passageiros e tanker, sem dúvidas já deixou uma presença marcante na história da aviação mundial! Veja a seguir mais curiosidades e informações sobre o Boeing 767.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.