737 MAX: Ethiopian Airlines prevê acordo de compensação com a Boeing em junho

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A Companhia Aérea etíope espera para o final de junho o fechamento de acordo de compensação relacionada às aeronaves 737 MAX, proibidas de voar a partir de março de 2019, após dois acidentes fatais.

Ethiopian Airlines Avião Boeing 737 MAX
B737 Max nas cores da Ethiopian Airlines. Imagem: LLBG Spotter [CC]

“Convidamos a Boeing para discutir sobre a compensação. É uma compensação pela proibição de voo do MAX… também há uma compensação pelo atraso nas estregas que deveriam ocorrer e pela perda de receita”, disse à Reuters o CEO da Ethiopian Airlines, Tewolde Gebremariam, na última sexta-feira (15).

Sobre o assunto, a Boeing declarou em comunicado que não comenta sobre seus acordos com um cliente em particular, mas que continuará trabalhando próxima à Ethiopian e a outros clientes para “alcançar um resultado justo e razoável”, segundo a Reuters.

Uma das aeronaves 737 MAX acidentadas pertencia à Empresa etíope: o voo 302, com destino ao Quênia, caiu seis minutos após decolar da capital Adis Abeba, com a morte de todas as 157 pessoas a bordo, em 10 de março de 2019. O acidente, que foi o segundo fatal com o MAX em menos de seis meses, provocou a proibição do voo do modelo pelas autoridades de aviação civil em todo o planeta.

Apesar disso, a Ethiopian Arlines decidiu não acionar judicialmente a Boeing pelo acidente, mantendo-se parceira da fabricante americana, da qual é operadora de diversos modelos de aeronaves. A compensação poderá ser financeira ou na forma de componentes aeronáuticos para reposição, acrescentou Tewolde à Reuters.

A Ethiopian possui atualmente em sua frota quatro 737 MAX, mas Tewolde não deu mais detalhes sobre a dimensão da compensação.

Como todas as companhias aéreas no planeta, a Ethiopian enfrenta dificuldades por conta das restrições de voos de passageiros, imposta pelas medidas de combate à pandemia ao novo coronavírus.

A Empresa converteu 22 de suas aeronaves para o transporte de carga, removendo os assentos da cabine de passageiros. “Normalmente, o transporte de carga representaria 15% de nossa receita, mas, neste momento, quando a receita de passageiros quase não existe, estamos sobrevivendo apenas das operações de carga”, disse ele.

Apesar do colapso no transporte de passageiros, a empresa até o momento, não cancelou nenhuma compra de aeronave, porém, vários pedidos junto à Boeing e à Airbus foram adiados.

A Companhia etíope registrou entre janeiro e abril uma perda de US$ 550 milhões. Tewolde, porém, descartou recorrer ao governo de seu país para socorrer a Empresa.

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Rodnei Diniz
Engenheiro aeronáutico e mecânico, atuante em gestão de manutenção aeronáutica, aviação geral, executiva e comercial. Atento aos detalhes, gosta de ler e escrever sobre a história da aviação.

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