“Se o 737 MAX voar até o Natal, ficarei surpreso”, diz presidente da Emirates

O presidente da Emirates, Tim Clark, acha que o Boeing 737 MAX não poderá retornar ao serviço antes do final do ano devido a desacordos entre a FAA e outros reguladores da aviação civil.

Avião Boeing 737 Flydubai
737 MAX da flydubai, que possui parceria com a Emirates – Imagem: Boeing

Tim acredita que o aterramento global do 737 MAX durará mais que o esperado, e o avião não retornará ao serviço em julho, como prevê a Boeing.

“Você vai ter um pouco de atraso em termos de reguladores, Canadá, Europa, China. Levará algum tempo para que essa aeronave volte ao ar. Se estiver no ar até o Natal, eu ficarei surpreso”, disse Clark a repórteres durante a reunião anual da IATA em Seul.

Clark não comentou detalhes sobre as questões de disputa.

A Emirates não possui o Boeing 737 MAX em sua frota, mas possui parcerias com a operadora de baixo custo do país, a flydubai. A companhia aérea tem 14 737 MAX em sua frota e mais de 200 em encomendas com a fabricante norte-americana.

A Boeing, a FAA dos EUA e os reguladores da aviação estrangeira estão trabalhando juntos para colocar a aeronave de volta em serviço. Espera-se que a Boeing submeta o novo software anti-estol da aeronave para a revisão de um Comitê Conjunto de Revisão Técnica, que consiste de reguladores internacionais, incluindo a FAA.

Além da aprovação regulatória, a Boeing também está trabalhando em mudanças nos requisitos de treinamento de pilotos que podem causar novos atrasos, disse Clark aos repórteres.

A Boeing propõe um treinamento baseado em apenas em computador para o controverso sistema anti-estol da aeronave, chamado MCAS (Sistema de Aumento de Características de Manobra), mas os reguladores são a favor do treinamento obrigatório em simulador. O problema é que existem apenas alguns simuladores de 737 MAX disponíveis globalmente.

Informações pelo airlinerwatch.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.