787’s em solo novamente! Novo problema detectado nos Rolls-Royces

As blades (pás) defeituosas dos motores da Rolls-Royce estão se deteriorando mais rápido do que o esperado, o que levou a mais retiradas de serviços dos jatos 787 da Boeing para reparos precoces.




A descoberta afeta cerca de 120 motores Trent 1000, ou cerca de 8 por cento da frota global, e frustrou os esforços para reduzir o número de aviões ociosos após uma série de problemas no motor, disse uma pessoa familiarizada com a situação.

Quase 40 Dreamliners estão atualmente em solo para atenção imediata.

Já que nenhuma diretriz foi divulgada, agências reguladoras de segurança aérea vão publicar um requerimento formal para reparos nas próximas semanas, disse a pessoa, que pediu para não ser identificada. A Rolls-Royce descobriu o menor tempo de vida da peça em dezembro, quando Dreamliners da Air New Zealand sofreram, em dias sucessivos, danos nos motores em voo.

As falhas aumentam a luta da Rolls-Royce com os defeitos de projeto para os motores, que já levaram a empresa a registrar $1,3 bilhão de libras (US$ 1,5 bilhão) em encargos. A fabricante de motores também enfrenta um golpe em sua imagem porque os defeitos envolvem o 787, o modelo mais avançado da Boeing, deixando as companhias aéreas correndo para encontrar aeronaves de substituição para rotas de longa distância.

Reações do Cliente

O presidente-executivo da Air New Zealand, Christopher Luxon, disse aos acionistas em 26 de setembro que o problema do motor, embora não seja uma questão de segurança, é o “maior desafio operacional” que teve impacto em sua rede e clientes. A Air New Zealand informou que o problema custará à companhia aérea até US$ 26 milhões no atual ano fiscal.

Com até cinco dos seus 13 Dreamliners em solo a todo momento, a companhia teve que alugar três aeronaves para compensar a escassez, disse Luxon anteriormente em uma carta aos clientes.

Uma porta-voz da ANA Holdings, do Japão, que tem 65 Dreamliners equipados com motores Trent 1000, disse que a companhia ainda não recebeu qualquer informação da fabricante sobre o mais recente problema. A companhia aérea está no processo de substituir as blades afetadas e vai encerrar as negociações com a Rolls-Royce sobre compensação até março, disse a porta-voz na sexta-feira. A transportadora ANA mais de mil voos entre julho e outubro.

Avião Boeing 787 ANA

787 da ANA. Imagem: Jesse Grant / Getty Images

As blades de turbina de pressão intermediária, que já haviam sido definidas para substituição, não estão durando o suficiente para atender a programação de manutenção definida.

Segundo a Rolls-Royce, a questão diz respeito apenas a uma minoria de 787 com motores que ainda não tiveram as blades relevantes substituídas, e podem causar “interrupções adicionais de curto prazo”. “Continuamos a gerenciar proativamente uma série de problemas de durabilidade conhecidos em nossa frota com Trent 1000 e fizemos um bom progresso na reformulação e substituição de peças afetadas”, informou a fabricante por e-mail.




A Boeing também comentou sobre os novos desdobramentos: “A segurança continua sendo nossa prioridade enquanto continuamos a trabalhar com a substituição das blades das turbinas de pressão intermediárias nos motores Rolls-Royce Trent 1000, pacote C. A Rolls-Royce já substituiu as blades na maioria dos motores. Nossa equipe está totalmente envolvida com a Rolls-Royce e em contato em todo o mundo com os clientes para mitigar a interrupção do serviço.”

 
Informações pela Bloomberg.
 

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Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.