À beira do colapso e falência, receberia a South African outra injeção do governo?

Após conseguir pagar apenas metade dos salários do mês de novembro, a South African Airways (SAA) pode estar próxima do seu fim.

Airbus A330 South African Airways
Airbus A330 da South African Airways

Segundo reportou o Financial Times, a companhia aérea estatal pode pedir recuperação judicial ou falir nos próximos dias se não conseguir capitalizar $2 bilhões de randes ($135 milhões de dólares).

Desde do início da década a empresa não tem apresentado lucro, e foi constantemente salva pelo governo com injeção de dinheiro. Enquanto isso, o governo utilizava a empresa para fazer demonstrações em datas comemorativas, como mostramos em um voo em formação dos quadrijatos Airbus da companhia.

Duas semanas atrás a companhia enfrentou uma séria greve, que durou dois dias e cancelou todos os voos, inclusive para o Brasil. A greve foi iniciada após a empresa afirmar que iria reduzir em 23% seu número de voos e, consequentemente, o de funcionários.

“A SAA está numa indústria com margens de lucro pequenas e existem 50 companhias aéreas servindo a África do Sul”, afirmou Martin Kingston, membro do conselho da companhia aérea.

O executivo está certo em sua afirmação: o preço do combustível tem subido nos últimos anos, a empresa não conta com uma frota tão moderna e a concorrência das empresas mais próximas do golfo tem sido um problema.

Um dos exemplos está nos voos para o Brasil: o passageiro que fazia conexão via Joanesburgo para chegar a destinos no Oceano Índico, Austrália e Sudeste Asiático, começou a ter cada vez mais opções do início da década para hoje com a Emirates, Qatar Airways e Ethiopian Airlines.

Estas empresas oferecem voos de menor duração por serem mais “diretos”, em hubs mais bem estruturados para a escala, horários melhores e principalmente: um produto melhor com aviões mais novos.

Recuperação Judicial é viável?

Um dos sindicatos gerais da África do Sul, o Solidarity, que seria “equivalente” à CUT ou Força Sindical por não tratar apenas de uma classe específica de trabalhadores, pediu para que a SAA fosse colocada em recuperação judicial.

Neste caso, similar ao que aconteceu à sua antiga parceria de Star Alliance, a Avianca Brasil, as dívidas atuais são “congeladas”, não podendo ser cobradas. A administração da empresa é passada para uma firma especializada em recuperação. Porém é necessário pagar tanto a administradora como também as novas dívidas que forem feitas, como as próximas parcelas do leasing, combustível a ser usado, salários e etc.

E segundo bancos sulafricanos, isto seria impraticável já que a South African Airways não teria nenhum recurso para poder pagar as dívidas futuras.

Por outro lado, o governo sulafricano afirmou que continuará apoiando a SAA, mas não detalhou se iria incluir outra ajuda financeira (e de quanto seria) e nem sob quais condições seriam.

Caso a SAA feche, será a 10ª companhia aérea a fechar as portas neste ano, após a Avianca Brasil, Aigle Azur, WOW Air, flybmi, Germania, Adria Airways, Thomas Cook, XL Airways e Jet Airways.

Isto sem contar com a eminente falência da AtlasGlobal e da Norwegian Argentina, que dá sinais que pode fechar. 2019 tem sido um ano difícil para o mercado, sem sombra de dúvidas!

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos