A incrível história do homem que saltou de um avião sem paraquedas e sobreviveu

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Há histórias que, de tão fantásticas, parecem terem saído da mente de algum criativo roteirista de cinema. Outras, de tão surpreendentes, só poderiam ser enquadradas como “fake news” à primeira vista, mas sua veracidade prova que a vida real pode ser tão incrível quanto a ficção. Esse é o caso do britânico Nicholas Alkemade.

Alkemade já poderia ter entrado para a história pelos muitos feitos de bravura durante a 2ª Guerra Mundial, mas o fato que mais marcou sua vida foi a sobrevivência de uma queda de quase 6 mil metros sem paraquedas depois de saltar do avião ao qual tripulava.

De jardineiro a herói

Nascido em 10 de dezembro de 1922, Nicholas Stephen Alkemade era jardineiro antes de ser convocado para lutar na Segunda Grande Guerra. Ele foi escalado para atuar no Esquadrão 115 da Real Força Aérea Britânica, como artilheiro de cauda de uma aeronave, responsável pelo manuseamento de uma metralhadora posicionada na parte traseira da fuselagem.

O caso que mudaria para sempre sua vida ocorreu em 24 de março de 1944. Naquele dia, Alkemade, então com 21 anos de idade, foi designado para assumir o posto de atirador de cauda em um bombardeiro durante uma missão em Berlim, na Alemanha.

A aeronave utilizada era um Avro Lancaster – B Mk. II DS664, um dos mais icônicos aviões de guerra quadrimotores da esquadrilha inglesa. O ataque foi um sucesso, mas ao retornar para a base, durante a noite, o avião foi atingido por um caça alemão.

Avro Lancaster, umas principais aeronaves de artilharia da Real Força Aérea Britânica – IMAGEM: Arquivos SDASM/Wikimedia

Morte certa

Segundo os relatos históricos, o avião começou a pegar fogo rapidamente e, inevitavelmente, iria cair. O plano de emergência exigia o acionamento do assento ejetor com paraquedas acoplado. Dos seis tripulantes do avião, dois conseguiram saltar com o paraquedas, mas, para o pânico de Alkemade, os outros quatro equipamentos de segurança estavam pegando fogo. A morte era certa, fosse pelo incêndio ou pela queda em curso.

Prevendo a própria morte, Nicholas Alkemade, saltou, sem paraquedas. Seus três colegas de missão, morreram com a queda do avião. O que ninguém esperava, era que o atirador sobrevivesse. Quando se deu conta, Alkemade estava no chão, vivo, embora com o joelho torcido e o corpo machucado. Rosto e mão com queimaduras graves. A queda foi estimada em 5.500 metros sem qualquer proteção.

Celebridade

Três horas depois da queda, o rapaz foi encontrado por agentes da Gestapo, a polícia secreta alemã. Em interrogatório, o piloto contou sua história, a princípio desacreditada. Mas os destroços do avião e as evidências de que o paraquedas não havia sido acionado surpreenderam os alemães.

O jovem militar foi levado para uma prisão, mas no período superior a um ano em que ficou preso se tornou uma celebridade entre os demais capturados e até entre os oficiais alemães. Alkemade chegou a receber uma espécie de certificado pelas forças do Terceiro Reich por seu feito extraordinário e foi fotografado pela imprensa alemã antes de ser enviado para Stalag Luft III, na Polônia.

Após voltar para casa, em 1945, Alkemade relatou o caso em inúmeras entrevistas. Em um artigo para um jornal inglês, contou como foi o momento da decisão de pular.

O subtenente Nicholas Alkemade
Nicholas Alkemade sobreviveu a queda livre de 5.500 metros na 2ª Guerra Mundial: IMAGEM: Divulgação via Aventuras na História.

“Sem ao menos me importar em tirar meu capacete e meu equipamento, dei um pulo para trás ao encontro do céu noturno. Estava tudo muito quieto, o único som era o barulho dos motores do avião já longe, e não senti nenhuma sensação de queda, me sentia suspenso no ar”.

Como sobrevivente e ex-prisioneiro de guerra, Alkemade deixou a Força Aérea e se tornou empregado de uma indústria química, onde sobreviveu a três acidentes com produtos tóxicos. Ele morreu de causas naturais aos 65 anos de idade, em Loughborough, na Inglaterra, cidade onde nascera.

Fontes de pesquisa: War History, Revista Super Interessante e BBC.

Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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