Airbus A340 tem sido uma visão cada vez mais rara nos céus do mundo

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Avião Airbus A340-300 Kam Air

Sabemos e temos aprendido a cada dia que o impacto provocado pela pandemia na aviação mundial é sem precedentes. Com bilhões de dólares sendo consumidos sem que haja o retorno para eles, as empresas aéreas precisam buscar formas de cortar todos os custos possíveis e eliminar ineficiências, ainda que isso implique em retirar de maneira prematura aeronaves antigas. E tal movimento tem feito várias “vítimas” ao redor do mundo, sendo o Airbus A340 uma delas.

Muitas dessas aeronaves já estavam no planejamento das companhias aéreas, para serem retiradas de serviço nos próximos anos, mas a atual crise está antecipando as decisões. Dentre eles, o Airbus A340, clássico quadrimotor da fabricante europeia que, desde o início da pandemia, tem sido enviado, cada vez em maiores números, para armazenamento ou estocagem de longo prazo.

O fim do uso massivo do A340

Nesta semana a espanhola Ibéria, segundo divulgou o Aeronautics Online, está retirando das operações seus A340-600 remanescentes. A princípio os jatos operariam pela aérea até 2022, porém, a Empresa resolveu antecipar a medida. A aérea contava ainda com 16 exemplares do avião, que foram armazenados assim que foi declarada a pandemia.

Além da Ibéria, em abril a Lufthansa anunciou a estocagem de todas as 17 aeronaves no aeroporto de Teruel, na Espanha, para onde já havia enviado três unidades do modelo. Em comunicado na época, a aérea alemã informou que as aeronaves não vão operar serviços regulares programados ao menos pelo próximo um ano e meio e que uma decisão seria tomada posteriormente sobre o uso futuro da aeronave. Entretanto, alguns A340 da alemã ainda são vistos no radar, mas como cargueiros fazendo ligações com a China. Dentro do mesmo grupo, a Swiss também parou todos os seus A340, exceto dois que vêm fazendo alguns voos esporádicos de repatriação e de carga.

Antes delas, em março, a icônica Virgin Atlantic, retirou de operação seus últimos três exemplares do modelo. Os A340-600 haviam ganho uma sobrevida na frota da Virgin devido aos problemas com os motores Rolls Royce dos Boeings 787, mas por conta da pandemia tiveram a retirada de serviço antecipada. Dados da Airbus indicam que a Virgin Atlantic recebeu 14 exemplares do A340-600 e outros 7 exemplares do A340-300, que foram retirados de serviço em 2015.

Outra usuária intensiva da aeronave, a South African Airways, que luta para sobreviver, já enviou vários dos A340 das versões -300 e -600 para estocagem por longo prazo ou para desmontagem. A área africana, durante sua história operacional, recebeu oito A340-300 e nove A340-600.

Com isso, das maiores operadoras do A340, resta apenas a iraniana Mahan Air que, de acordo com dados do Flightradar24, ainda conta com 11 aeronaves A340 em sua frota ativa. Dessas, cinco são da versão -300 e as outras seis da versão -600.

A340 só “a granel”

Dados obtidos no Flightradar24 nos últimos dias demonstram que pouquíssimos A340 ainda são vistos voando ao mesmo tempo.

No dia 19, verificamos numa consulta ao FR24 apenas nove aeronaves A340 em voo no mundo. Desses, quatro eram da versão A340-300 e cinco da versão A340-600. Dos cinco -600, um pertence à Ibéria e outro da South African Airways, que estava em rota para Washington, nos EUA. Outros dois eram da iraniana Mahan Air e o quinto pertencia à Maleth-Aero. Dos quatro -300 no ar, um era da Mahan Air, outro da Air Mauritius, que tem dois A340-300 em sua frota. O terceiro pertencia à Kam Air, do Afeganistão e o quarto era um da Lutfthansa, que realizava um voo cargueiro de Frankfurt para Tóquio.

No momento da consulta havia mais de 8.000 aeronaves voando.

Uma nova consulta no dia 22 mostrou que a situação se repetiu, com apenas oito aeronaves do modelo em voo no momento da consulta, num perfil parecido ao mencionado acima. A única diferença foi a presença de um A340-200 da Conviasa, retornando de Teerã para Caracas. Além dele, um A340-500 da HiFly era visto sobre a China, enquanto realizava um voo de carga, certamente para buscar máscaras de proteção para o serviço médico.

Produção e características

O Airbus A340 teve um total de 377 unidades produzidas, dessas, 246 unidades são das versões A340-200/-300, e 131 unidades das versões A340-500/-600. Desse total, de acordo com dados da Airbus, até maio de 2020, estavam em condições operacionais 124 unidades das versões -200/-300 e 104 unidades das versões -500/-600.

O primeiro a voar foi o A340-300, em 1991. E junto com a versão -300, a Airbus também desenvolveu a versão menor, o -200. O processo de certificação de ambas foi finalizado em 1993.

O A340-200 possui um comprimento de 59,4 metros e envergadura de 60,3 metros. Já o A340-300 tem 63,6 metros de comprimento, com os mesmos 60,3 metros de envergadura. Ambas as versões são equipadas com quatro motores CFM56-5C, que desenvolviam até 34,000 libras (151 kN) de empuxo cada.

O A340-200, não se tornou muito popular, com apenas 28 deles construídos. Isto deveu-se à sua capacidade relativamente pequena para passageiros, tipicamente 240 assentos em um arranjo de três classes. Já o A340-300 se mostrou mais popular: com configuração de três classes, a versão levava 295 passageiros. A versão -300 ganhou uma variante, a “A340-300E” entregue em 1996, apresentando maior peso máximo de decolagem (PMD) e motores mais potentes. Isso levou posteriormente à produção do “A340-300 Enhanced”, com motores melhorados e um novo cockpit eletrônico.

Após os A340-200 e A340-300, a Airbus iniciou o desenvolvimento das versões alongadas do modelo. Assim, surgiram o A340-500, com 67,9 metros de comprimento e o A340-600, com um comprimento de 75,3 metros. As entregas iniciais de ambas as versões começaram em 2002. Ambas as versões possuem uma envergadura 63,5 metros e um aumento na área da asa em comparação a seus irmãos menores em mais de 20%.

As versões -500 e -600 foram equipadas com motores Rolls Royce. A versão -500 recebeu quatro RR Trent 553, com potência de até 53.000 libras (236 kN) de empuxo cada, com a versão -600 equipada com quatro RR Trent 556, capazes de desenvolver até 56.000 libras (249 kN) de empuxo cada um. A versão -500 tinha capacidade para transportar tipicamente 313 passageiros em um arranjo de três classes. Já o A340-600, era capaz de levar 380 passageiros em um arranjo de três classes.

A produção do jato foi encerrada em 2011.

Com informações do livro: Airbus A340 – Airliner Tech Series, de Scott E. German, Specialty Press, North Branch, MN, USA, 2000.

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Rodnei Diniz
Engenheiro aeronáutico e mecânico, atuante em gestão de manutenção aeronáutica, aviação geral, executiva e comercial. Atento aos detalhes, gosta de ler e escrever sobre a história da aviação.

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