Aéreas cargueiras dos EUA podem ter que devolver ajuda governamental

Receba as notícias em seu celular, clique para acessar o canal AEROIN no Telegram e nosso perfil no Instagram.

O governo dos EUA, através da Câmara dos Representantes, está pedindo que empresas aéreas devolvam a ajuda dada em meio à crise da Pandemia.

Boeing 747-400F da Atlas Air pousa em Campinas

A cifra de $630 milhões de dólares (R$3,5 bi) foi fornecida a algumas empresas aéreas cargueiras como alívio para o setor aéreo, que sofreu com o fechamento de fronteiras e queda na demanda de passageiros.

Porém, as companhias de carga aérea foram praticamente inatingidas, já que, com a redução dos voos de passageiros (que também levavam cargas nos porões), uma demanda por transporte aéreo de cargas se formou, e ainda foi ampliada pela explosão de encomendas de produtos hospitalares, como máscaras, respiradores e aventais, e pelo comércio digital.

E é exatamente isso que o Presidente da Comissão que fiscaliza os gastos com ajuda governamental na Pandemia, o Representante Democrata James Clyburn, da Carolina do Sul, questionou a quatro empresas cargueiras do país, segundo reporta o Boston Globe.

James lidera a comissão da Casa dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil) que acompanha a despesa emergencial do governo com a Covid-19. Ele enviou um ofício à Atlas Air, Kalitta Air, Amerijet International e Western Global Airlines.

As duas primeiras empresas operam regularmente no Brasil, sendo que a Kalitta voltou a voar com frequência ao aeroporto de Viracopos exatamente por causa da crescente demanda de carga aérea causada pelo Coronavírus.

Avião Boeing 747-400F Kalitta Air
Boeing 747-400F da Kalitta Air em Campinas

Ao todo, estas empresas receberam US$ 630 milhões de ajuda, em empréstimos ou concessões. A maior quantia, de US$ 406 mi, foi para a Atlas Air, que além de operar voos para a gigante do varejo Amazon, também possui aviões de passageiros que têm sido bastante utilizados em voos fretados por times esportivos e para fins de repatriação.

E todas as empresas citadas apresentaram lucro nos relatórios de investidores mais recentes. O exemplo maior é a própria Atlas, que viu suas ações quadruplicarem de valor nos últimos meses, após atingir uma baixa histórica em março e, dois meses depois, anunciar um aumento de 10% no salário de seus pilotos.

As empresas não responderam ainda ao questionamento do representante, que afirmou que o “Congresso tem a intenção de usar estes fundos dos pagadores de impostos para salvar empregos, não para impulsionar negócios que vão bem”.

Também está sendo investigado o caso da Western Global Airlines, que teria recebido ajuda dupla, por ser companhia aérea e por ser um “pequeno negócio”.

Apesar do questionamento formal, as empresas não são obrigadas (por agora) a devolver o dinheiro. Uma decisão final ficará a cargo do próprio Congresso ou Executivo.

Receba as notícias em seu celular, clique para acessar o canal AEROIN no Telegram e nosso perfil no Instagram.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

Veja outras histórias