AeroDesign 2017: resultados e galeria de imagens.

Imagens: Murilo Basseto e Laissa Paixão.

Em mais uma edição de muita paixão por aviação e por engenharia, a 19ª Competição SAE BRASIL AeroDesign levou a São José dos Campos, no interior de São Paulo, em torno de 1000 estudantes de instituições de Ensino Superior de todo o Brasil e também do exterior. Organizados em equipes que representavam suas respectivas Universidades, Faculdades, Centros de Tecnologia, entre outros, os participantes colocaram à prova, entre os dias 26 e 29 de outubro, projetos desenvolvidos ao longo de todo o ano.




A competição de AeroDesign é realizada no Brasil desde 1999, e conta com a participação voluntária de Engenheiros da Embraer para a organização e para a execução das atividades juntamente com a SAE Brasil – Sociedade de Engenheiros da Mobilidade. Ou seja, os projetos aeronáuticos dos graduandos são avaliados por nada menos do que Engenheiros que projetam as aeronaves da terceira maior fabricante de aviões do mundo. Resta alguma dúvida sobre o nível de importância do AeroDesign na formação destes estudantes? Certamente não!

Ao longo do ano, as equipes projetaram aeronaves rádiocontroladas para competir em uma das três Classes possíveis: Micro, Regular e Advanced. Em cada uma delas, diferentes regras foram impostas aos futuros Engenheiros, simulando um pouco dos grandes desafios que a competitiva indústria aeronáutica oferece.

Equipe AeroRio realiza ajustes em sua aeronave da Classe Advanced.

Cada equipe precisou enviar, antes da competição, um relatório completo detalhando todo o projeto de sua aeronave e um vídeo de voo comprovando que sua aeronave foi testada antecipadamente. Já na competição, foi necessário demonstrar o projeto através de uma Apresentação Oral aos juízes e, finalmente, colocar as aeronaves à prova nas baterias de voo. Todas estas etapas possuíam pontuações que, somadas ao final da competição, definiram os vencedores de cada Classe.

Confira a seguir as características de cada uma das três Classes, os vencedores de cada uma delas e nossa galeria de imagens exclusiva com muitas das interessantes aeronaves participantes.

Classe Micro

Na Classe Micro as aeronaves transportaram como carga útil materiais de quaisquer tipos e dimensões – exceto chumbo. A novidade foi a possibilidade de lançar a carga durante os voos com o uso de paraquedas para aumentar a pontuação da equipe, em adição ao simples alijamento da carga como em 2016.

Aeronave da Classe Micro efetua lançamento de sua carga.

Nesta categoria não houve restrição de geometria ou número de motores – todos elétricos –, porém as equipes tinham que ser capazes de desmontar o avião depois dos voos e transportar a aeronave desmontada em caixa de volume de 0,1 m³.

O resultado foi incrivelmente apertado na Classe Micro. A equipe campeã foi a Trem Ki Voa Micro, da Universidade Federal de São João del Rei, com 619.74 pontos, porém a equipe Antonov, da UNIP do Distrito Federal, ficou apenas 0.01 ponto atrás! Confira a seguir as pontuações das 5 primeiras colocadas.

  Equipe Pontuação
201 – Trem Ki Voa Micro (UFSJ) 619.74
202 – Antonov (UNIP-DF) 619.73
203 – FEI Micro (FEI) 553.85
219 – Microraptor (UFJF) 545.48
206 – Uirá Micro (UNIFEI) 490.91

Aeronave da Trem Ki Voa Micro, campeã da Classe Micro.




Classe Regular

Na Classe Regular os aviões deveriam ter dimensões compatíveis com o espaço definido por um cone. Para 2017, o cone tinha diâmetro de 2,9 metros e altura de 75 centímetros. Além disso, as aeronaves também estavam liberadas para transportar como carga útil materiais de quaisquer tipos e dimensões – exceto chumbo. A categoria seguiu restrita a aviões monomotores como nos anos anteriores.

Ilustração do regulamento mostra processo de medida do cone ocupado pela aeronave.

A campeã em 2017 foi a equipe EESC-USP Alpha, da USP São Carlos, bem à frente do segundo colocado. A Alpha já havia sido campeã também no ano passado. A seguir, os dez melhores da Classe Regular.

  Equipe Pontuação
001 – EESC-USP Alpha (USP São Carlos) 498.63
005 – AEROFEG (UNESP Guaratinguetá) 443.42
003 – Uai, Sô! Fly!!! (UFMG) 436.04
052 – Axé Fly (UFBA) 417.68
011 – Draco Volans (UNB) 406.22
006 – CEFAST Aerodesign (CEFET-MG) 396.48
010 – Aero Vitória (UFES) 391.49
026 – Harpia Aerodesign (UFABC) 389.36
004 – Tucano (UFU) 382.87
10º 002 – Urubus Aerodesign (UNICAMP) 378.28

Aeronave da EESC USP Alpha, campeã da Classe Regular.

Classe Advanced

Na Classe Advanced, os aviões seguiram com o desafio de avançar na eletrônica embarcada. Além do tempo de voo, os sistemas a bordo deveriam computar a velocidade, que era usada na soma da pontuação de voo. Quando carregadas, as aeronaves não podiam exceder 30 kg.




Permaneceu opcional a escolha do tipo de propulsão (combustão ou elétrica). A única restrição relativa à motorização era a somatória de área total das hélices multiplicada pelo número de pás, que não poderia ultrapassar 0,206 m². A exemplo da Classe Regular, as aeronaves podiam transportar como carga útil materiais de quaisquer tipos e dimensões, exceto chumbo.

Na Advanced, o resultado foi ainda mais folgado, com a equipe AeroRio, da PUC Rio, abrindo mais de 160 pontos para a segunda colocada. A campeã atingiu o total de 372.50, conforme indicado a seguir na classificação das três melhores.

  Equipe Pontuação
AeroRio (PUC-Rio) 372.50
Car-Kará (UFRN) 206.02
Urutau (Univ. do Estado do Amazonas) 197.97

Aeronave da equipe AeroRio, campeão da Classe Advanced.

 

Galeria de Imagens

 

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.