Aerolíneas Argentinas toma multa por não deixar passageiros saírem do avião

A Aerolíneas Argentinas foi multada em mais de US$ 300 mil pelo governo dos EUA, após impedir o desembarque de passageiros em voos alternados.

A multa, equivalente a R$1,57 milhão de reais na cotação atual, é referente a dois voos alternados em 2017 e 2018. Ela foi aplicada pelo Departamento de Transporte dos EUA, o DOT.

Estes voos decolaram do Aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, com destino à Nova Iorque, no Aeroporto JFK, mas acabaram indo para o Aeroporto Internacional de Dulles, na capital Washington D.C.

Sempre o tempo ruim

O primeiro caso foi em fevereiro de 2017, quando o voo foi desviado de Nova Iorque para Dulles devido as condições meteorológicas adversas. Ele pousou às 12h50 na capital americana, e ficou duas horas parado no pátio, esperando a reabertura do JFK. Logo após, a aeronave enfrentou uma fila e foi autorizada a sair da posição exatamente quatro horas e três minutos após sua chegada em Dulles, mas ainda teria que passar pelo processo de degelo por estar no pico do inverno na costa leste.

Por passar mais de quatro horas em um aeroporto alternativo, por regra do DOT, a empresa tem que oferecer a opção de desembarque para os passageiros, e os aeroportos terem lounges de espera prontos.

O Aeroporto de Dulles avisou à tripulação da Aerolíneas sobre o lounge disponível, os argentinos afirmaram estarem cientes, mas prosseguiram com o voo, sem dar a opção de desembarque para os passageiros antes do processo de descongelamento.

O segundo caso ocorreu em janeiro de 2018, com o desvio para Dulles sendo causado pela forte nevasca e neblina presentes no JFK. A aeronave pousou em Washington às 11h47, com esperança de decolar para Nova Iorque às 13h30.

Porém isso não ocorreu, a nevasca piorou e às 13h00 a previsão para a reabertura do JFK foi para 18h00. Ainda assim os passageiros não foram desembarcados e, às 15h30, a administração do aeroporto foi até a aeronave para cobrar providências da Aerolíneas, dado que os passageiros já reclamavam havia bastante tempo da situação.

O comandante informou que nenhuma decisão foi tomada. Apenas 4 horas e 51 minutos depois do pouso em Dulles, com muita reclamação dos passageiros, a Aerolíneas decidiu por cancelar o voo e os clientes puderam sair da aeronave.

Passageiros reclamaram, e foram ouvidos

Vale lembrar que, quando a aeronave está no pátio, muitas das vezes a fonte de ar-condicionado externa não é fornecida e, por ser tratar de um voo internacional, o desembarque não pode ser feito imediatamente. Para evitar grandes transtornos, o DOT criou esta regra, permitindo que os passageiros desembarquem e fiquem numa área isolada, sem precisar fazer a imigração mas ficando mais confortáveis que dentro do avião.

A Aerolíneas, por não ter base em Washington, mesmo tendo colocado o aeroporto como alternativa, acabou optando por não desembarcar os passageiros para evitar custos extras e possíveis “dores de cabeça”.

A companhia reclamou da decisão do DOT, afirmando que segue sim a regra dos desembarque e que as situações nas duas datas foram excepcionais, baseadas nas informações disponíveis na hora para não desembarcar os passageiros.

Ainda assim o DOT decidiu multar a empresa, conforme nota oficial, que determina que a empresa pague a multa em até 12 meses. À decisão não cabe recurso.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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