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“Tudo tem limite”: aeronautas criticam aéreas por imposição de condição para nova CCT

A possibilidade de uma forte turbulência entre o SNA (Sindicato Nacional dos Aeronautas) e o SNEA (Sindicato Nacional das Empresas Aéreas) aparece no radar de um ano extremamente conturbado pela maior crise da história da aviação civil brasileira e mundial.

Imagem da live do SNA sobre a situação das negociações da nova CCT

O SNA, em live realizada na última quarta-feira, dia 18 de novembro, com a participação do presidente da entidade, Ondino Dutra Cavalheiro Neto, do diretor de administração e finanças, Henrique Hacklaender Wagner, do diretor de regulamentação e convenções coletivas, Clauver Tapia Castilho, e do diretor de assuntos técnicos, Fernando Gonçalves Crescenti, mostrou forte indignação com a recente condução das negociações para aprovação da nova CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) para o biênio 2021 – 2022.

A entidade comunicou que o SNEA se mostrou irredutível com o tradicional reajuste de salários dos tripulantes. Fato esse que, segundo Ondino Dutra, vai contra tudo que havia sido negociado com as empresas até agora, ou seja, medidas temporárias para enfrentamento da crise no setor.

“Não reajustar os salários esse ano significa fazer um achatamento permanente dos salários”, disse Dutra, acrescentando que, na visão da entidade, essa é uma medida “injustificável”.

O presidente do SNA se mostrou flexível para abrir conversa com as empresas que estejam com dificuldades de honrar seus compromissos, de forma individual, para entender a situação de cada empresa, apresentar essa situação para a categoria e “fazer uma discussão caso a caso, e não aproveitar a Convenção Coletiva para fazer um achatamento permanente no salário dos tripulantes”.

Dutra ainda disse que o SNEA comunicou que a cláusula do não reajuste dos salários neste ano é um ponto que a entidade, que representa as empresas aéreas, não abre mão. Sendo assim, o entendimento do SNA é que essa decisão unilateral passa a ser uma imposição, e não mais uma negociação.

Após a fala do presidente, Henrique Hacklaender fez uso da palavra acrescentando que o SNEA deu a entender que qualquer negociação futura da CCT também partiria deste ponto do aceite do não reajuste, e enfatizou que o conceito de uma mesa negocial serve para “ambas as partes colocarem seus pontos e contra-pontos”.

Ele lembrou ainda que, quando se fala em reajuste salarial, seria apenas a manutenção do valor dos salários dos tripulantes com o reajuste através do índice INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), ou seja, apenas a correção pela inflação como “uma mera recomposição salarial”.

Hacklaender lamentou o posicionamento das empresas, principalmente depois de todo o trabalho que foi feito para a formulação de acordos para o enfrentamento da crise, qualificados pelo diretor como inovadores, uma vez que um dos primeiros acordos feitos entre tripulantes e empresas aéreas para redução temporária salarial e garantia de emprego veio antes mesmo da Medida Provisória emitida pelo governo.

Clauver Castilho informou que conversou com diversos membros da categoria de tripulantes e tentou, através de suas palavras, representar o sentimento da categoria através de 2 pontos.

No primeiro ponto, Clauver lembrou do início de toda a crise, onde foram formuladas propostas de acordo que ele qualificou como coerentes, e disse que a categoria de tripulantes abraçou a ideia de ceder e enfrentar a situação ao lado das empresas. A categoria “se preservou, mantendo postos de trabalho, e sangrou. Doeu e continua doendo”, disse ele.

No segundo ponto, já neste momento das negociações da CCT, Clauver repassa que membros da categoria disseram para ele que o sentimento que antes era de união agora se torna o oposto: “O que mais doeu não foi somente a questão financeira, mas sim o não reconhecimento, a não valorização das empresas por toda a colaboração feita pela categoria”.

Ele acrescentou ainda o entendimento de que o sentimento da categoria, antes fraternal na famosa hashtag #NinguémDesembarca, mostrando uma abertura para a negociação, se tornou um sentimento de “tudo tem limite, já demos a nossa contribuição”.

A próxima reunião entre os dois sindicatos está marcada para o dia 25 de novembro, e o SNA espera uma postura diferente do SNEA para que as negociações possam avançar e para que um acordo que favoreça ambas as partes possa ser tecido de forma assertiva.

Se desejar, você pode assistir à live a seguir na íntegra: