Aeronave cai em rua de Belo Horizonte próximo ao aeroporto Carlos Prates

Um acidente na manhã desta segunda-feira, 21 de outubro, deixou uma aeronave completamente destruída pelo fogo nas proximidades do aeroporto Carlos Prates, no bairro Caiçara, em Belo Horizonte.

Acidente Cirrus SR 20 Carlos Prates Carros queimados
Aeronave totalmente queimada na rua – Imagem: Rede Globo

Segundo dados do Meio Norte, uma testemunha disse que pessoas tentaram apagar o fogo, mas que houve explosões e não foi possível continuar ajudando. Porém, os dois ocupantes conseguiram sair e entraram andando em uma casa.

Alguns carros também foram destruídos pelo fogo, e há informações circulando sobre possíveis mortes de pessoas em solo.

Acidente Cirrus SR 20 Carlos Prates Carro queimando
Carro em chamas após a queda da aeronave

Pelas redes sociais, a aeronave acidentada trata-se de um Cirrus SR20, um monomotor de asa baixa com capacidade para três pessoas além do piloto.

Um vídeo do local do acidente mostra o que parece ser um paraquedas enroscado a uma placa de trânsito, o que reforça o fato de ser uma aeronave Cirrus, conhecida por possuir o mecanismo acionado em caso de emergências em voo para que a aeronave desça pendurada. Veja o paraquedas no canto direito do vídeo:

Neste caso em específico, como a aeronave estava nas proximidades do aeroporto, possivelmente não houve altura suficiente para que o paraquedas fosse completamente aberto e garantisse um pouso vertical mais suave.

Segundo informações do G1, o acidente ocorreu na esquina das ruas Minerva e Belmiro Braga, local que fica a cerca de 900 metros da cabeceira do aeroporto Carlos Prates.

Acidente Cirrus SR 20 Carlos Prates Mapa
Distância do aeroporto até o local do acidente – Imagem: Google Maps

As aeronaves Cirrus e seus paraquedas

O Cirrus Airframe Parachute System – CAPS (Sistema de Paraquedas da Célula da Cirrus) é um sistema de recuperação de paraquedas balístico projetado especificamente para a linha de aeronaves leves de aviação geral da Cirrus Aircraft, que inclui os modelos SR20 (modelo acidentado hoje), SR22 (modelo mais moderno e de mesmo porte do SR20) e SF50 (modelo monojato que é o projeto mais recente da fabricante).

O projeto tornou-se o primeiro de seu tipo a ser certificado pela agência regulatória da aviação norte-americana, a FAA, alcançando a certificação em outubro de 1998, e continua até hoje sendo o único paraquedas balístico de aeronaves usado como equipamento padrão por uma empresa de aviação.

Quando concebeu o SR20, a Cirrus projetou um tipo especial de asa resistente à entrada em spin (ou “parafuso” em português, que ocorre quando a aeronave perde o controle e passa a descer girando). Mas a nova asa também tornou mais difícil para o avião se recuperar após a entrada em atitude de spin.

Como forma de remediar a característica, a FAA aceitou o paraquedas como um modo suficiente de recuperação e não foi necessário um teste completo de spin, como é exigido na certificação padrão das aeronaves.

Cirrus Caps Sistema Paraquedas

No entanto, em 2004, a Cirrus concluiu uma série limitada de testes de recuperação de spin para atender aos requisitos da Agência Europeia de Segurança (EASA), e nenhuma característica incomum foi encontrada.

Mas, como muitos clientes passaram a gostar da ideia de ter um paraquedas para a aeronave em uma situação de emergência, a Cirrus manteve o dispositivo em todos os modelos que projetou até hoje.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.