Aeroparque renasce com pista de 2.750 metros e voo de estreia marcado para março

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Foto Aviacionline

Durante a semana, a Administração Nacional de Aviação Civil (ANAC) da Argentina confirmou que no dia 15 de março o aeroporto internacional Jorge Newbery, o Aeroparque, será reaberto, após ter ficado fechado por um ano para voos comerciais regulares.

Em uma primeira instância, fechou no final de março em função da pandemia e, aproveitando a baixa demanda, em agosto de 2020 encerrou oficialmente para obras de expansão e melhoria de todos os tipos de operações.

O nosso parceiro Aviacionline faz uma compilação de tudo o que há de novo no terminal mais central de Buenos Aires e popular entre os brasileiros.

As obras

As atividades realizadas implicaram um investimento de US$ 60 milhões e estão sendo realizadas pela Airports Argentina 2000, financiadas através do Fundo de Fortalecimento do Sistema Aeroportuário Nacional administrado pelo Ministério dos Transportes e executado pelo Órgão Regulador do Sistema Nacional de Aeroportos (ORSNA).

Pista e Taxiway

A pista original do aeroporto remonta ao final dos anos 1940 e era feita de concreto asfáltico; em seguida, em 1974, uma armadura de concreto foi aplicada a essa camada de asfalto. Em 2010 foi a última revisão efetuada e apenas intervieram na faixa central.

Agora, toda a pista foi demolida e uma nova foi construída, estendendo-a 275 metros para o sul e 340 metros para o norte, passando de 2.100 metros para 2.750 metros; também inclui uma largura maior que foi de 45 a 60 metros. Com isso, o aeroporto poderá operar com mais comodidade para destinos distantes, já que antes era necessário limitar a capacidade de carga das aeronaves que voavam para o sul da Argentina, por exemplo.

Apesar de ter pista suficiente para a operação de aeronaves de grande porte, como o A330, por exemplo, o “novo” Aeroparque deverá seguir recebendo aeronaves de um corredor apenas, ao menos no primeiro momento (vide abaixo mais detalhes).

Esta melhoria será acompanhada por novas taxiways de saída rápida, luzes LED na linha central da pista, bordas e final da pista, e novos sistemas de iluminação de aproximação em ambas as cabeceiras adequados para a Cat III. Juntos, isso melhorará substancialmente a segurança e a eficiência, reduzindo os mínimos operacionais.

Terminal internacional

O lado terrestre conta com outra frente de trabalho, que inclui a expansão do setor de desembarques internacionais e um novo layout para pré-embarque, permitindo uma operação de seis voos por hora. Manterá os três scanners da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) e dobrará a capacidade de Migrações com a adição de seis postos duplos e 5 e-gates. Além disso, dois portões de embarque domésticos serão flexíveis, ou seja, podem ser utilizados de forma intercambiável para voos domésticos ou internacionais, dependendo do fluxo de tráfego.

O setor de desembarques internacionais vai agregar 800 metros quadrados com 3 esteiras de retirada de bagagem. Na área pública, será inaugurado uma loja Havanna com maior oferta gastronômica e uma área de espera com vista para o rio.

Essas obras fazem parte da primeira parte de um Plano Diretor que, no futuro, contempla a ampliação dos terminais nacionais e internacionais, novos pontos de contato do terminal à aeronave, ampliação da plataforma, relocação dos serviços aeroportuários, relocação do terminal de carga, realocação de estacionamentos de veículos e novas vagas para eles, realocação de avenidas e ainda um possível acesso direto a uma futura estação ferroviária da linha Belgrano Norte.

As obras serão acompanhadas por um aterro costeiro, a fim de ganhar novas terras e continuar como mencionado acima. A última grande obra, não menos importante, foi realizada entre novembro e dezembro de 2010, que incluiu a manutenção e remendos da pista principal, pistas de taxiamento e pátio, melhorias nos terminais e nos sistemas de sinalização de pista e postes.

Os voos

O principal objetivo da nova infraestrutura é a volta dos voos internacionais aos países vizinhos (Bolívia, Brasil, Chile e Paraguai), que acompanharão o Uruguai, mas desta vez com o Peru na lista. Também há a possibilidade de que, com o aprimoramento da pista, possam incluir outros destinos de maior abrangência na região.

De acordo com a resolução 40/2020 da ANAC Argentina, os voos internacionais devem ser operados exclusivamente sem escalas anteriores, intermediárias e / ou posteriores em países distintos da origem da transportadora. Ou seja, podem servir a destinos secundários dentro do país limítrofe e do Peru, utilizando o aeroporto de origem como escala, mas não como conexão a um ponto fora dos países mencionados.

Com a internacionalização do Aeroparque, a primeira a se estabelecer é a Aerolineas Argentinas com voos para Assunção (Paraguai); Lima Peru); Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), São Paulo e Rio de Janeiro (Brasil); e Santiago do Chile. Em seguida, se juntarão a Curitiba, Porto Alegre, Porto Seguro e Salvador de Bahia (Brasil), que atualmente estão suspensos devido à baixa demanda em decorrência da pandemia.

No entanto, as outras empresas com possibilidade de operar no Aeroparque são GOL Airlines para São Paulo, Paranair para Assunção e LATAM para Assunção, Santiago do Chile, São Paulo e Lima. Da mesma forma, resta esperar o que acontecerá com outros operadores da região, como Amaszonas Bolívia, Azul, Boliviana de Aviación, Flybondi, JetSMART e SKY Airline; que atualmente operam na Argentina, mas não atuaram na regionalização anterior do aeroporto entre 2010 e 2018.

Outro ponto a ser destacado é que aeronaves com mais de 200 assentos não podem ser utilizadas em voos internacionais nesse momento. Ou seja, as aeronaves que as companhias aéreas podem utilizar são as seguintes:

– Aerolíneas Argentinas com ERJ 190 (96 assentos), Boeing 737-700 (128 assentos) e Boeing 737-800 / MAX 8 (170 assentos).
– GOL Airlines com o Boeing 737-700 (144 assentos) e Boeing 737-800 / MAX 8 (180 assentos).
– LATAM Airlines com Airbus 319 (144 assentos) e Airbus 320 Ceo / Neo (156/174 assentos).
– Paranair com o CRJ 200 (50 lugares).

Ezeiza, JetSMART e Flybondi

Atualmente, todos os voos nacionais e internacionais estão sendo operados no Aeroporto Internacional Ministro Pistarini (Ezeiza). Com a volta do Aeroparque, a Aerolineas Argentinas transferirá todas as suas ligações nacionais e regionais, restando apenas as operações de longo alcance que são realizadas em seus Airbus A330-200 (Bogotá, Cancun, Madrid, Miami, Nova York, Punta Cana e Roma ).

De acordo com fontes internas da empresa, quando a situação do COVID-19 melhorar, a empresa nacional irá canalizar progressivamente alguns destinos nacionais e regionais importantes para Ezeiza.

Por outro lado, a JetSMART começou a comercializar todos os seus destinos nacionais partindo do Jorge Newbery e a Flybondi estima que o fará em meados de abril. Inicialmente, as duas empresas manterão seus voos regionais de Ezeiza.

Nessas notas você pode ver os detalhes dos destinos e frequências de cada empresa:

Aeroparque: os voos domésticos e internacionais que a Aerolineas Argentinas fará em março;

Flybondi desembarca no Aeroparque: datas, destinos e frequências

JetSMART já vende voos do Aeroporto Jorge Newbery: detalhamento de destinos e frequências

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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