Ainda estão tentando salvar a South African Airways, mas há um problema

Restam sete dias para que o grupo de administradores da South African Airways apresente um novo plano de negócios para reerguer a empresa. Se após meses e sem pandemia não foi possível resolver o assunto, agora tudo está mais difícil.

Acompanhando esse caso há anos, é possível dizer que podem apresentar o plano que for, porque o que salvará a empresa é um novo empréstimo do governo, se acontecer.

Uma versão preliminar desse plano de negócios vazou e causou bastante ruído no meio político sul-africano. Segundo ele, a empresa teria que receber $1.2 bilhão de dólares agora para ser reestruturada e perderia outros $1.1 bilhão nos primeiros três anos de operação, antes de começar a ter lucro.

Ou seja, seriam injetados $2.5 bi de dinheiro público nos próximos anos sem nenhuma garantia de lucro futuro enquanto o povo banca a empresa sem usufruir dela.

Outro detalhe estranho do plano refere-se à frota, que teria 40 aeronaves nos dois primeiros anos e depois seria reduzida para 22 no terceiro ano, já que aviões seriam devolvidos à medida em que os contratos de leasing forem encerrando.

Essa estratégia está longe de fazer algum sentido pois, na prática, a empresa bancaria aviões que não vão voar ou que o farão vazios, já que a demanda demorará para voltar e a concorrência também está no jogo.

Obviamente, os contratos de leasing possuem multas e talvez seja menos custoso manter as aeronaves na frota do que devolver e ter que pagar o distrato, mesmo assim não faz sentido levantar uma empresa para queimar tanto dinheiro.

Ainda, segundo o projeto, o lucro só seria visto a partir do quarto ano de operações e com uma margem de 2%.

Segundo a Bloomberg, o políticos de oposição sul-africanos dizem que “se este plano de resgate for aprovado em sua forma atual, a SAA “continuará sendo um buraco negro fiscal nos próximos anos”. Eles descrevem a criação de uma nova companhia aérea estatal como uma tentativa de “ressuscitar a sede de fracasso”.

De fato, essa estratégia se assemelha muito mais a puro lobby nacionalista e deixa de lado o juízo com o dinheiro público. Se tal resgate ocorresse com dinheiro privado, nada haveria de ser dito, já que o particular faz o que desejar com seus recursos.

Se o governo aceitar, será mais uma das infindáveis injeções de capital, numa empresa que tem prejuízos bilionários há oito anos e que tem 10.000 funcionários para uma frota de apenas 40 aeronaves.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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