Air Belgium volta como low-cost e pode voar para o Brasil

Parece que a onda de nostalgia está longe do fim na aviação. Após a volta (sem sucesso) da Eastern Airlines e a possível volta da Lloyd Aereo Boliviano, a próxima a ressurgir das cinzas como uma fênix é a Air Belgium, não tão conhecida pelos brasileiros como as outras, mas que poderá ser vista no Brasil em breve, com sorte.




A Air Belgium foi uma aérea belga que operou nos anos 80 até o final dos anos 90 na Europa. Era mais uma das leisure airlines , ou aéreas focadas no público de turismo e pacote de viagens para o mediterrâneo além de outros destinos populares para o turista europeu. A companhia foi comprada em 98 pela Airtours e posteriormente incorporada à Thomas Cook.

Agora, um grupo de investidores de Hong Kong está apostando na volta da marca Air Belgium. A base da companhia será no Aeroporto South Charleroi (CRL), a 59km de Bruxelas e bastante utilizado por outras aéreas de baixo custo como a Ryanair e a Wizz Air. O aeroporto por sua vez está se preparando para receber a Air Belgium com um terminal executivo exclusivo para os passageiros que voarem nas classes premium da companhia, permitindo 20 minutos do check-in até o embarque.

Um dos destaques da companhia é a sua pintura com máscara negra no estilo retrô (e que tem sido utilizada recentemente pela Airbus e Air Canada), além do antigo logo que foi renovado e das cores da bandeira da Bélgica.

A companhia irá operar inicialmente quatro aeronaves Airbus A340-300, sendo que a configuração será de 303 assentos divididos em três classes: Business com 18 assentos totalmente reclináveis, similares aos oferecidos pela American e Delta; Premium Economy com 21 assentos na configuração 2-3-2, tendo 90 centímetros de espaço para as pernas e reclinando 18º; e Economy com 264 assentos na configuração 2-4-2 e 78cm de espaço para as pernas. Todos os assentos terão sistema AVOD de entreterimento, mas as tomadas não estarão disponíveis na classe econômica.

O primeiro Airbus, que terá a matrícula OO-ABA, tem 11 anos de idade e pertenceu à Finnair. A aeronave está sendo preparada para o primeiro voo da companhia em 15 de abril, entre Bruxelas e Hong Kong. Em entrevista ao AirlineGeeks, o CEO da Air Belgium, Niky Terzakis, revelou que não pretende iniciar voos de curta duração/domésticos:




“Não estamos focando em operar voos curtos por contra própria. Nós teremos parcerias estratégicas e comerciais com aéreas de voos curtos que já possuem uma reputação. Porém, para algumas rotas, podemos fazer um wet lease de aeronaves de corredor único.”

Já sobre novos destinos internacionais, o papo é diferente: “Nós temos um plano de 10 anos para operações de longo curso. Durante a primeira fase, que começa agora em 2018, vamos servir a Ásia, em particular a China, e isso também inclui acordos interlines com aéreas asiáticas e européias. A segunda fase consiste em expandir o número de voos e destinos na Ásia, complementados por uma frota mais moderna. Já a terceira fase envolve expansão da frota e malha, com focos na América do Norte e do Sul“.

Quando questionado o porquê de escolher o Airbus A340-300, praticamente um clássico, mas que consome bastante combustível devido aos quatro motores e que ganhou má fama por sua “falta” de potência na decolagem, o CEO é categórico:

“O A340-313 é confiável e seguro, possui um histórico excelente de segurança sendo apreciado pelos passageiros pelo seu conforto. É eficiente e possui motores econômicos CFM-56, uma ótima opção para começar nossas operações. Para médio e longo prazo vamos adicionar outras aeronaves na nossa frota. Já começamos a negociar com a Airbus para adquririr o A330-900neo ou o A350“.

Com informações do AirlineGeeks e do South China Morning Post.

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos