Air France dá pistas sobre o A220-500 ao falar sobre mudanças de marcas e frota

A Air Fance apresentou essa semana seus resultados para o terceiro trimestre de 2019 e, junto com eles, falou dos planos de frota e das ações estratégicas tomadas nos últimos anos. Uma novidade sobre a frota deixou uma questão interessante no ar.

Avião Boeing 777 Air France

Quando questionada sobre a estratégia para a frota da companhia, a diretora-geral da empresa francesa, Anne Rigail, disse que o foco é simplificar. Segundo a empresa, metade da frota será renovada até 2025 com as chegadas de 28 Airbus A350, além de 10 B787 Dreamliners e mais 60 Airbus A220, os quais vão substituir os A318/19.

Tudo isso, somado à retirada do A340 e do A380, resulta na redução da variedade de modelos operando na frota, o que ajudará no treinamento da tripulação de cabine e será mais fácil para as operações quando for necessária a troca de aeronave numa situação de urgência.

Um detalhe interessante não passou desapercebido da apresentação da Air France. Os planos de frota preveem unidades do modelo Airbus A220-500 (que são seguidas de um sinal de interrogação). Isso demonstra que a empresa considera uma versão esticada do jato regional da Airbus, mesmo que essa versão ainda não esteja totalmente confirmada pela fabricante europeia.

Air France Planejamento Otimização Frota

Quais foram as principais ações da Air France nos últimos anos?

Segundo a executiva, a primeira prioridade era recuperar o diálogo pacífico dentro da Air France. “Desde a chegada de Ben Smith, quando ele era CEO interino da Air France, conseguimos negociar e dialogar com todos os funcionários – equipe de cabines, pilotos, equipe de solo e manutenção. Essa foi a primeira prioridade, porque você não pode fazer uma estratégia se não tiver as pessoas com você. Então, a empresa decidiu simplificar as marcas. Os clientes ficaram um pouco confusos, então foram removidas as marcas: Joon e Hop!, restando apenas as três marcas fortes do grupo: Air France, KLM e Transavia.”

Em seguida, houve a simplificação da experiência do cliente e da rede. “Trabalhamos para ter o mesmo produto na mesma rota; portanto, se você propõe a La Premiere (primeira classe) em uma rota, deve tê-la disponível todos os dias. É assim que a rede foi projetada a partir do verão de 2019, e 80% dos voos com classe executiva terão um assento que viram uma cama totalmente plana”.

“Também trabalhamos em nossas operações para melhorar o fator de conclusão e pontualidade, e isso foi feito com o planejamento da rede para dar à manutenção o tempo para reparar uma aeronave. Vamos melhorar ainda mais neste inverno e no próximo verão. Para ajudar, adicionamos aeronaves sobressalentes no auge do verão para antecipar-nos a eventos que possam causar interrupção das operações, seja de ordem meteorológica, política ou técnica. Então, no horário de pico, de meados de julho até o final de agosto, tínhamos quatro aeronaves de longo curso sobressalentes, o que nos permitiu ter ótimos fatores de pontualidade. Isso nos permitiu recuperar a confiança de nossos clientes após um ano muito difícil”, ressaltou a executiva.

“Agora, estamos investindo 1 bilhão de euros em cinco anos na reforma de nossas aeronaves para prover uma experiência consistente na classe executiva, uma Econômica Premium mais confortável com telas de alta definição e wifi a bordo”.

Além disso, ela destacou que o grupo está tocando um projeto para uso de biometria no solo e melhorar as salas VIP. Os lounges de Nova Iorque e Washington já foram renovados e novos lounges serão aberto nos aeroporto de Paris-Orly e Los Angeles. Enquanto isso, nos bastidores, está acontecendo um movimento na direção da digitalização de processos internos.

O objetivo final é prover uma melhor experiência ao seu cliente, mas também aumentar a margem de lucro para alcançar as margens médias da Europa e pagar pelos investimentos que estão sendo feitos. Por isso, internamente, a empresa tem aplicado um grande esforço para otimizar a organização e tomar decisões mais rápidas.

Sobre a extinção da marca Joon

“Removemos a marca Joon porque os clientes não a entendiam. Eles não sabiam que era de baixo custo. Eles estavam comprando uma passagem da Air France e, quando chegavam ao aeroporto, diziam: o que é isso

Decidimos então remover Joon e negociamos um novo acordo com a equipe para equilibrar o custo. Foi um sucesso fazer isso e, quando medimos o NPS (score de satisfação) dos funcionários, vemos um grande aumento na pontuação da Air France em um ano, e todos os clientes me dizem que o espírito a bordo é diferente. Você pode ver em todos os voos que as pessoas estão muito mais felizes e orgulhosas de todos os investimentos em produtos porque gostam de oferecer aos nossos clientes o melhor produto.

Em nossas estratégias, a experiência do cliente é realmente essencial, mas também a experiência operacional. Em termos de pontualidade europeia, agora estamos muito à frente da British Airways e da Lufthansa. Ainda temos muito o que fazer. Recuperamos a confiança de nossos funcionários e clientes”.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.