Airbus A300 ‘frita pneus’ em curtíssimo pouso de apenas 800 metros

Pousos de altíssima precisão exigem perícia e habilidade de qualquer piloto, mas também planejamento e preparação para “encostar no chão” na hora certa. Esse piloto de Airbus A300 mostrou como se faz um pouso curto de verdade.

No vídeo abaixo, gravado na última terça-feira (2) pelo Youtuber Jay’s O’Hare Aviation, um Airbus A300 da empresa de logística UPS faz um pouso no Aeroporto Internacional O’Hare, em Chicago, um dos maiores dos EUA e o que tem mais pistas ativas no mundo, com 8 operando a qualquer hora do dia e da noite (são possíveis pouso simultâneos de até três aeronaves).

O pouso deste A300 cargueiro da UPS chama a atenção pela pouca pista usada até parar a aeronave, algo em torno de 840 metros, bem pouco para um avião do porte do A300 que é capaz de fazer voos intercontinentais.

O cálculo estimado foi feito usando a ferramenta do Google Maps, tendo como referência as pistas mostradas no vídeo (onde é possível ver uma placa da taxiway GG, sendo que a aeronave tocou logo após atravessar a interseção com esta pista de taxiamento) e também os dados do RadarBox24, que rastreou o táxi da aeronave para fora da pista, com saída pela taxiway S.

O A300 conseguiu pousar nesta curta distância porque seguiu uma aproximação com um alto ângulo de ataque, que gera mais arrasto e diminui a velocidade do jato. Além disso assim, assim que o trem de pouso principal do jato tocou a pista, o piloto acionou os spoilers (espécie de placas que levantam na asa para gerar mais arrasto) empurrou o nariz para o solo, a fim de encostar o trem de pouso dianteiro o mais rápido possível e iniciou a frenagem.

Estas manobras, junto com acionamento do reverso dos motores, fez com que o jato perdesse velocidade bem rápido. Inclusive, é possível ver bastante fumaça saindo dos pneus na medida em que o Airbus se aproxima da taxiway S – por conta disso, a alusão ao “fritar pneus”, um jargão comum de se ouvir no meio aeronáutico.

Mas por que o piloto fez isso?

Obviamente, não estamos na cabeça do piloto para descobrir o motivo, mas pode ter a ver com a facilidade de acessar seu local final de parada. Qualquer passageiro que voou no aeroporto percebeu que, depois do pouso, é mais uma viagem do pouso até a área de estacionamento, já que o táxi é muito longo e demorado.

Durante os feriados ou nevascas, os aviões chegam a ficar uma hora na fase de táxi, seja esperando para decolar, esperando sair do seu portão ou até mesmo dando voltas até chegar do outro lado do aeroporto, já que pousou bem distante do local de estacionamento.

E este pode ser o caso do A300, que vai para o pátio sul de Cargas, onde ficam, além da própria UPS, a Fedex, Nippon Cargo Airlines, DHL, KLM Cargo, Martinair Cargo e Air France Cargo.

Google Maps / Jeppensen

Se ele não saísse na taxiway S, teria que seguir em frente na taxiway P2, virar à direita na P e depois à direita na P6 para finalmente acessar a S. Na foto acima, o traçado vermelho é o que foi feito pelo jato, e o verde seria o caso não parasse tão cedo, na melhor das ocasiões, claro.

Então, conhecendo o aeroporto, o piloto pode ter julgado que seria mais benéfico “abusar” mais um pouco dos freios e economizar tempo (e dinheiro) entrando no pátio de maneira mais rápida. Este tipo de procedimento também é comum no Brasil, e, às vezes, utilizado de maneira contrária: a aeronave prolonga seu pouso, usando menos freio, para sair numa taxiway mais “favorável”.

É algo ainda mais comum em cargueiros, já que a força G gerada pelo pouso um pouco mais duro (mas dentro dos limites de segurança) e a parada mais abrupta, não irá incomodar ninguém além dos próprios pilotos.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

Veja outras histórias

Governo Dória publica edital de concessão para 22 aeroportos regionais paulistas

0
O Governo de SP lança o edital de concorrência internacional para leilão da concessão dos 22 aeroportos regionais, atualmente administrados