Airbus A321 XLR foi destaque da aviação mundial em 2019, entenda o porquê

O lançamento do Airbus A321 XLR em junho de 2019 está, indubitavelmente, entre os três assuntos mais importantes da aviação nesse ano. Imediatamente após seu lançamento, esta versão de longo alcance da família A320 se mostrou muito popular, assegurando grandes pedidos logo nos primeiros meses.

Antes de mais nada, o que é XLR?

Esse foi um acrônimo criado pela Airbus para designar o que ela chama de eXtra Long Range (ou alcance extra-longo). Desta forma, o A321XLR é a variante de alcance aumentado da família A320neo. A família neo (nova opção de motor) foi lançada em 2010 e projetada para ser 15 a 20% mais econômica em consumo de combustível do que as aeronaves da família anterior.

Quanto ao maior membro da família, o A321, a Airbus lançou a primeira variante de longo alcance, o A321LR, em 2015, o qual portava tanques de combustível auxiliares, resultando num alcance de 930 quilômetros a mais do que a versão tradicional – total de 7.400 km de autonomia.

Com o sucesso do bimotor, a Airbus avançou ainda mais com o projeto e, em janeiro de 2018, anunciou ao mercado que criaria um avião capaz de ir ainda mais longe. Então, nasceu o projeto do A321XLR, com alcance de 8.700 quilômetros. Basicamente, ele usa as mesmas asas e motores do A321LR, mas é equipado com tanques de combustível adicionais e trem de pouso reforçado para aumentar o peso.

Alternativa ideal

XLR

Com capacidade para levar entre 180 e 220 pessoas, numa configuração de duas classes, ou até mais de 240 em uma classe, o A321XLR torna-se a alternativa perfeita para rotas de médio ou longo alcance com uma demanda mediana de passageiros.

Ele também não tem um concorrente direto. Dentre os modelos fabricados pela Boeing, aquele que mais se aproxima do A321 seria o 757, mas que não é mais fabricado e os atuais estão ganhando idade e deverão ser substituídos. Além dele, nessa faixa de assentos e alcance, o A321XLR reina sozinho, nesse momento.

Essas características dão às empresas aéreas a flexibilidade para voar em rotas de médio ou longo curso, mas potencialmente para aeroportos menores (com menor demanda ou falta de infraestrutura para lidar com aeronaves de grande porte)

Uma enxurrada de pedidos

Desde que foi lançado, durante o Paris Airshow desse ano, a quantidade de pedidos tem surpreendido. Também é importante destacar que suas entregas devem começar apenas em 2023 e a empresa libanesa Middle East Airlines (MEA) já se colocou à frente como cliente de lançamento do modelo.

Além da MEA, confira a lista de pedidos até o momento:

American Airlines: 50 aeronaves (embora 30 delas tenham sido convertidas de uma encomenda anterior de A321neo padrão).

Indigo Partners: também fez um pedido de 50 aeronaves. Eles serão divididos entre três de suas companhias aéreas – Wizz Air, JetSmart Chile, JetSmart Argentina e Frontier.

IAG: fez um pedido de 14 aeronaves, a serem divididas em oito para a Iberia e seis para a Aer Lingus.

Qantas: fez um pedido de 36 aeronaves A321XLR.

AirAsia: fez um pedido de 30 aeronaves.

JetBlue: fez um pedido de 13 aeronaves.

Air Arabia fez um pedido de 20 Airbus A321XLR.

XLR

Flynas: a companhia aérea de baixo custo da Arábia Saudita pediu 10 aeronaves do modelo

United: fechando o ano, a empresa anunciou um pedido de 50 novas aeronaves XLR, um verdadeiro revés para a Boeing, da qual a United é cliente massiva.

SKY Airline: a chilena anunciou um pedido de 10 aeronaves, planejado para ajudar a expandir suas rotas internacionais.

Air Malta: planeja introduzir duas aeronaves A321XLR até 2024.

A abertura de novas rotas é provavelmente um dos principais motivos por trás dos investimentos de muitas companhias aéreas. A American Airlines, por exemplo, poderá chegar a muitas cidades europeias a partir de seus hubs da costa leste dos EUA. As companhias aéreas de baixo custo, como JetSmart e JetBlue, poderão adicionar voos mais longos às suas redes sem ter que introduzir aeronaves de longo curso.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.