Airbus A330-800, o avião que não vende, recebe certificação dos EUA e da Europa

Reguladores europeus e norte-americanos certificaram ontem, 13 de fevereiro, o menor modelo da família Airbus A330neo, que seria a resposta da fabricante às necessidades de substituição do Boeing 767 das companhias aéreas.

Avião Airbus A330-800 A330neo
A330-800 – Imagem: Airbus

A certificação do A330-800 pela Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) e pela Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) ocorre depois que a aeronave completou 132 voos de teste, ou 370 horas no ar, desde sua primeira decolagem em novembro de 2018, informou a Airbus na quinta-feira.

A fabricante não revelou quem receberá o primeiro A330-800, nem quando. No entanto, com pedidos apenas da Kuwait Airways e da Uganda Airlines, além de um cliente não divulgado, a lista de potenciais candidatos é curta.

O mercado do A330-800

Avião Airbus A330-800 A330neo
A330-800 – Imagem: Airbus

A fabricante de aviões europeia posicionou a família A330neo de jatos remotorizados, que inclui também o modelo maior A330-900 que começou a transportar passageiros na TAP Air Portugal no final de 2018, como um substituto para os antigos A330-200 e -300, bem como a família 767 da Boeing.

Os aviões podem transportar de 220 a 300 passageiros em layouts típicos de três classes, com alcance de até 9.379 milhas (15.000 km) no caso do integrante menor, -800.

A família A330neo recebeu 336 pedidos firmes até o momento, segundo os números da Airbus, mas apenas 14 são para o A330-800.

O -800 tinha mais pedidos, como da norte-americana Hawaiian Airlines, mas esses compromissos diminuíram quando as companhias aéreas mudaram para o -900 ou cancelaram seus pedidos.

Sem vantagens para o -900

Avião Airbus A330-900 A330neo Azul
Airbus A330-900 da Azul

As duas variantes do A330neo são muito semelhantes, e talvez semelhantes demais, o que tem refletido em sua fraca carteira de pedidos.

O A330-800 acomoda de 220 a 260 passageiros em três classes de serviço, enquanto o A330-900 pode acomodar entre 260 e 300 assentos em um layout típico de três classes e tem um alcance de cerca de 7.200 milhas náuticas.

Assim, o A330-800 não tem nenhuma vantagem real de escala em relação ao -900, apenas um alcance adicional – mas nada significativo para diferenciá-lo de seu irmão mais velho, exceto em rotas específicas no intervalo de diferença entre os alcances. Por um preço e compromisso semelhantes, o -900 pode acomodar 50 passageiros a mais e possui um valor residual geral melhor.

Bom demais para mim

Avião Boeing 767-300 Delta Air Lines
Boeing 767-300 da Delta Air Lines

As transportadoras americanas com grandes frotas 767 veem o A330-800 com ceticismo. A Delta Air Lines, que encomendou 35 A330-900 e alugou outros dois jatos, está preocupada com o fato de o jato ser “capaz demais” para as suas necessidades.

“Queremos ter alcance, capacidade, [mas] não queremos em excesso”, afirmou o CEO da transportadora de Atlanta, Ed Bastian, sobre o A330neo em junho de 2018. “Às vezes, uma aeronave tem capacidade e alcance demais e, na verdade, torna-se mais cara e sub-ideal para o que sua missão precisa.”

A Airbus, por sua vez, disse que pode reduzir o peso e o impulso de decolagem do A330-800, tornando-o mais barato de operar e mais próximo das capacidades operacionais do 767.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.