Airbus A350neo? Nova versão pode ter motores exclusivos da Boeing

A fabricante europeia Airbus e a General Electric estão conversando sobre um futuro A350neo com um novo motor, já usado exclusivamente pela concorrência.

Airbus A350neo
Airbus A350 da Qatar

Segundo o Aviation Week, as conversas começaram em outubro passado na fábrica da Airbus em Toulouse, na França. A última parceria das empresas foi com o motor Engine Alliance GP7000, uma joint-venture com a Pratt & Whitney para equipar o gigante A380.

Desde então, a GE tem fabricado poucos motores para os grandes da Airbus, já que o A380 está no final da linha de produção e o antigo A330ceo com motores GE CF6 já não é mais fabricado, restando apenas um pequeno mercado de motores para reposição.

Nos projetos mais recentes de grandes jatos Airbus, a britânica e conterrânea Rolls-Royce tem sido a escolhida, fabricando os motores que equipam os jatos A330neo e A350XWB, assim como foi a fabricante preferencial para o A380.

Mas a Rolls-Royce está em má-fase: todos os novos motores da linha Trent que equipam o Boeing 787 e os Airbus mencionados acima passaram por problemas graves, levando à paralisação de diversos aviões.

Vale lembrar que no caso do A330neo e do A350XWB, a Rolls-Royce é a única fornecedora de motores, deixando poucas opções para as companhias aéreas.

Sem dor de cabeça

Motor GEnx equipando um Boeing 787 da JAL © Jon Ostrower

Para evitar maiores dores de cabeça com seus clientes, a Airbus já pensa num futuro A350neo (neo de nova opção de motor em inglês) equipado com motores GE. O avião seria dotado de uma variante direta do GEnx, que atualmente equipa exclusivamente os Boeings 787 Dreamliner e o jumbo 747-8.

Esta suposta nova versão estaria disponível a partir de meados da próxima década, algo em torno de 2024/2025. A Airbus quer bater de frente com o Boeing 777X, mas não tem tanta pressa já que o maior bimotor do mundo passa por problemas técnicos e não está vendendo tão bem.

“Nós amaríamos fechar uma parceria com a Airbus no GEnx. Existem algumas oportunidades e estamos dialogando com eles para o que pode sair. Mas ainda não fizemos um case de negócios ou decisão estratégica, o que chamamos na GE de lançamento de programa. As discussões são um pouco prematuras”, afirmou Jim Leister, diretor do programa GEnx e chefe de estratégia da General Eletric Aviation.

Quase um GE

Ironicamente, o A350 deveria ter saído de fábrica com motores GE: em 2005 as empresas tinham assinado um contrato para lançar o novo jato no mercado já em 2010 com o GEnx certificado.

Porém a Airbus mudou radicalmente o design do A350, atrasando o projeto, e anos depois decidiu lançar o maior A350-1000. O então nomeado GEnx-3A87 teria empuxo na casa das 87 mil libras para equipar os menores A350-800 e o -900.

Airbus A350-800 da TAM com o GEnx-3A87: não passou de um sonho

Com o lançamento do A330neo, o A350-800 foi cancelado e o empuxo do GEnx-3A87 estaria bem abaixo das 97 mil libras de cada motor Rolls-Royce do A350-1000, limitando o mercado da GE para apenas uma variante: a -900.

Outro motivo da General Eletric não ter seguido em frente e oferecido um motor maior para o A350-1000, é que a fabricante estava relutante em equipar um jato que compete diretamente com o Boeing 777-300ER, sucesso de vendas e que conta exclusivamente com motores GE90, o maior já feito até aquela época (hoje o GE9X do 777X é ainda maior).

Para o Airbus A350neo, o motor oferecido deve ser nomeado GEnx-1C, usando uma versão do 1B do 787, porém com sistema de sangria de motor, a chamada bleed air. Este sistema, que foi abolido no 787, drena o ar comprimido do motor para dar funcionamento aos sistemas de ar-condicionado e anti-gelo.

No Boeing 787, o funcionamento deste sistema é totalmente elétrico, o que permite “maior potência” ao motor já que todo o ar que passa pelo compressor vai para a câmara de combustão e se transforma em empuxo. Para manter o antigo sistema e ficar de acordo com os A350 atuais, algumas características do GEnx-2B que equipa o 747-8 serão incorporadas. A última versão do Jumbo também manteve o sistema de bleed air.

“Nós estamos oferecendo um produto que existe hoje no mundo e não passou por nenhum problema relacionado a regulações internacionais ou propriedade intelectual. Temos sido muito estratégicos e achamos que esta é uma grande oportunidade”, conclui o executivo da GE.

Uma real grande oportunidade para a Airbus com o suposto A350neo é a encomenda da Qantas: a australiana quer aviões que voem por 20 horas (o que a Airbus já oferece com o A350-900ULR) porém com um grande número de passageiros (o que o A350-1000 pode levar).

Um A350neo pode “casar” estes dois pontos, trazendo um avião já testado, com motores mais eficientes e de fácil transição para quem já voa Airbus. A Qantas espera bater o martelo até o final do próximo ano.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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