Airbus A350ULR vira opção da Delta com conversões de pedidos da LATAM

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EXCLUSIVO
A Delta Airlines pode estar próxima de adquirir jatos de ultra-longo alcance Airbus A350ULR para substituir os Boeing 777 que serão aposentados, segundo fontes da empresa.

Avião Airbus A350ULR Delta Air Lines
Airbus A350 da Delta em Amsterdã

A companhia de Atlanta informou ontem que estará aposentando todos os seus 18 jatos Boeing 777, sendo dez do modelo 200LR, de maior alcance, e oito do 200ER. A própria Delta confirmou que os Boeings serão substituídos pelos A350 e também citou que o 777-200LR foi essencial nas rotas para a Austrália e África do Sul, duas das mais longas de sua malha, por exemplo.

Logo após o anúncio público, o CEO Ed Bastian enviou um e-mail para seus funcionários, como faz toda semana, detalhando as ações da empresa para enfrentar a crise causada pelo novo coronavírus. Nessa carta, ele fala da frota, mas também de outros assuntos que valem a pena ser mencionados, pois eles levam à conclusão sobre o benefício do A350ULR.

Mudanças de Bases

Neste e-mail que o AEROIN teve acesso através de fontes na empresa, é detalhado o plano de “rearranjo” na disponibilidade de pilotos e comissários, com abertura e fechamento de bases (locais de início e fim da jornada dos tripulantes). Segundo o documento, serão fechadas as seguintes bases de equipamentos (locais onde não terão mais aeronaves / tripulações iniciando a jornada com o respectivo avião listado):

  • Boeing 737-700/800 em Cincinnati, a partir do segundo trimestre de 2021;
  • Boeing 737-900ER em Salt Lake City e Minneapolis-Saint Paul, no segundo trimestre de 2021;
  • McDonnell Douglas MD-88 / MD-90 em Atlanta, no terceiro semestre deste ano;
  • Boeing 717 em Minneapolis-Saint Paul, no terceiro trimestre deste ano e Nova Iorque (LaGuardia e John F. Kennedy), no segundo semestre do ano que vem;

Boeing 777 da Delta

As bases de MD-88/MD-90 e dos Boeings 717 e 777 serão fechadas em consequência da aposentadoria destas aeronaves, já o 737 aparentemente terá sua frota reduzida para um número bem menor, já que bases importantes como a de Minneapolis serão afetadas. 

A350 ULR

Por outro lado, serão abertas bases de A350-900 em Atlanta e Los Angeles no último trimestre deste ano, em preparação para a aposentadoria do 777 nos primeiros meses de 2021, um pouco depois do que foi divulgado pela empresa à mídia, que previa a parada total ainda este ano.

E as bases em Atlanta e Los Angeles nos remetem ao A350ULR! Essa versão de ultra-longo alcance do jato da Airbus é operada pela Singapore Airlines, que realiza o voo mais longo do mundo entre Singapura e Nova Iorque. 

O jato possui modificações estruturais para levar maior peso, no caso desenhado originalmente para levar mais combustível e atender à Singapore Airlines na rota mais longa do mundo, mas pode servir simplesmente para aumentar o número de passageiros ou peso de carga numa mesma quantidade de combustível.

A distância de Los Angeles até Sydney é de 12.050 km, mais do que suficiente para o jato normal; o mesmo acontece com a rota de Atlanta para Joanesburgo, que é de 13.581 km, ainda dentro do limite normal do jato. Mas ambos os voos teriam quer ser feitos com restrições de número de passageiros e/ou cargas, já que o peso máximo de decolagem da aeronave (MTOW) nunca contempla o carregamento máximo de combustível, passageiros e cargas somados.

Com a versão ULR o MTOW é aumentado, permitindo levar mais passageiros com o combustível requerido para os destinos mais distantes da empresa.

Isto será chave para a Delta se consolidar e aumentar sua presença nas rotas do 777-200LR: a Virgin Australia está em recuperação judicial, permitindo à americana buscar um aumento na participação do mercado na rota para Sydney.

Por outro lado a oportunidade é para a África, já que a falida South African Airways deixou de operar a rota de Joanesburgo para Nova Iorque, deixando apenas a Delta e a United conectando sem escalas os EUA com a África do Sul.

O plano do A350ULR se torna mais real quando se olha nas encomendas que a Delta assumiu da LATAM: são exatamente 10 jatos, que ainda não foram para a linha de montagem e, com a ociosidade atual da Airbus, podem ser entregues quando a aérea americana desejar, assim como os pedidos convertidos para a versão ULR.

Vale lembrar que o A350ULR pode ser convertido para a versão normal 900, mas não o contrário. Isto porque a versão “básica” não conta com as modificações estruturais da de longo-alcance.

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Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos

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