Airbus A380 completa 15 anos, mas pode ser outra vítima do novo coronavírus

O Airbus A380, maior avião de passageiros do mundo, foi construído em 2005, com o primeiro voo ocorrendo em 27 de abril entre Toulouse e Blagnac. De lá para cá, o mercado mudou ao ponto de, mesmo ainda sendo um “adolescente”, já estar desenganado pelos economistas da aviação. Em 2021 sua produção se encerra oficialmente, mas a pandemia pode ter encurtado o tempo que o veremos nos céus do mundo.

Popular entre os viajantes, mas caro para operar, o gigantesco avião de passageiros Airbus A380 pode ser uma das primeiras principais vítimas do coronavírus.

Companhias aéreas como Emirates, Qatar, Etihad, Lufthansa, Qantas, Malaysia, British Airways, Singapore, Korean Air, Asiana e Air France têm encerrado as operações de todos ou parte dos seus superjumbos, em um momento em que uma queda acentuada na demanda por viagens aéreas significa que muitos aviões estão voando quase vazios. O problema é que ninguém sabe quando o mercado vai voltar, embora estima-se que leve alguns anos (recuperação em “U”).

O maior avião de passageiros do mundo já tem seus destino traçado. Em 2019 a Airbus informou que encerraria as entregas do A380 em 2021, mas as circunstâncias extraordinárias do surto de covid-19 resultaram no desaparecimento repentino deles dos céus e na crença de que muitos deles nem voltarão mais a voar.

Alemã liderou a parada dos jatos

A alemã Lufthansa liderou o grupo dos que aterraram o avião no início de março, tomando a decisão de estacionar toda a sua frota de 14 A380s até pelo menos o final de maio.

De acordo com um memorando interno visto pelo aero.de, em março os A380 da Lufthansa tinham um fator de carga de apenas 35%, o que significa que os aviões estavam saindo com uma média de apenas 180 passageiros a bordo. Acontece que, com as restrições de viagens por todo o mundo, não fazia mais sentido operar aeronaves de tão grande capacidade.

Data de validade iminente

A australiana Qantas anunciou em 10 de março que estaria parando oito de seus 12 Airbus A380 até meados de setembro. Com dois outros A380 em manutenção programada para retrofit, restam apenas dois. Para falar a verdade, analistas esperam que apenas seis voltem a voar, sendo aqueles que já com as novas cabines, enquanto que os outros devem ser definitivamente parados para servirem como provedores de peças de reposição.

As maiores companhias aéreas da Coréia do Sul, Korean Air e Asiana Airlines, também pararam seus A380, assim como o fez a Air France. Em 2018, a companhia aérea francesa foi uma das primeiras a anunciar planos de cortar sua frota A380 num futuro não muito distante e, dependendo do tempo de retomada do setor aéreo pós-pandemia, pode ser que nem volte.

Com uma frota de 116, a Emirates é o maior cliente do Airbus A380 e ainda tem sete deles encomendados. Mesmo antes da pandemia tomar conta do mundo, a empresa dos Emirados Árabes Unidos já estava em discussão com a Airbus para atrasar a entrega desses últimos superjumbos.

Menos oportunidades de voar em um

Pode haver menos oportunidades para voar em um A380, mas está ficando muito mais fácil comprar um.

Enquanto a tabela da Airbus prevê um preço unitário de US$445 milhões, o valor do superjumbo vem caindo há algum tempo e com o efeito covid-19 e consultoria Cirium estima que o seu valor de mercado varia entre US$ 77 milhões para uma aeronave de 2005 e US$ 276 milhões para uma nova aeronave de 2019.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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