Airbus acredita que a maioria dos aviões usará motores tradicionais até 2050

Durante uma apresentação realizada nesta quinta-feira (10), a Airbus compartilhou seu prognóstico para o uso de motores alternativos na aviação comercial, dizendo acreditar que não haverá uso massivo de motores a hidrogênio, com zero emissões, antes de 2050.

Segundo a Reuters, a fabricante acredita que, até lá, a maior parte da aviação comercial será movida por motores tradicionais, alimentados por combustíveis fósseis, e apenas uma parcela será movida por tecnologias limpas. A própria Airbus possui um projeto em andamento para o desenvolvimento dessas aeronaves do futuro, com lançamentos previstos a partir de 2035. No entanto, entende que o foco será na aviação regional.

“As aeronaves de hidrogênio com emissão zero serão focadas principalmente em aeronaves regionais e de curto alcance a partir de 2035. O que significa que as iterações atuais e futuras de turbinas a gás altamente eficientes ainda serão necessárias à medida que avançamos para 2050, especialmente para operações de longo curso“, disse a empresa na apresentação.

Outro lado da moeda

Recentemente, um importante pesquisador do clima disse que usar combustíveis derivados de hidrogênio para voos curtos pode ter uma pegada de carbono maior do que usar querosene de combustível fóssil comum.

O pesquisador Falko Ueckerdt, do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, teve acesso a uma apresentação da Airbus a funcionários da União Europeia, a qual foi divulgados pela InfluenceMap, um órgão de vigilância do clima liderado por investidores. O material mostra que, nas rotas curtas, a tecnologia pode não ser tão verde como dito por aí.

Ueckerdt destacou que usar combustíveis à base de hidrogênio para os aviões menores seria muito menos eficiente em termos de energia do que eletrificá-los.

“A baixa eficiência energética do hidrogênio e dos e-combustíveis é um grande desafio. Isso requer que a eletricidade de entrada seja realmente limpa e sustentável, já que sua pegada de carbono e ambiental é basicamente multiplicada quando convertida em hidrogênio ou e-combustíveis”, disse Ueckerdt. “Isso significa que a eletricidade deve ser 100% com baixo teor de carbono (por exemplo, renovável) e o carbono para e-combustíveis deve ser não fóssil”.

O co-autor de Ueckerdt no estudo, Gunnar Luderer, acrescentou que “Como as metas climáticas internacionais e nacionais exigem reduções imediatas de emissões, de uma perspectiva climática a eletrificação direta deve vir em primeiro lugar para garantir um futuro seguro para todos”.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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