Airbus pode, Boeing não? Negócio com Embraer será avaliado pela União Europeia

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A Boeing deve enfrentar uma investigação antitruste da União Europeia (UE) de até cinco meses em sua oferta pela participação de controle no braço de aeronaves comerciais da Embraer do Brasil, disseram à Reuters, na segunda-feira, pessoas familiarizadas com o assunto.

Sendo a Embraer a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, a concretização do acordo de US$ 4,75 bilhões marcaria a maior mudança no setor aeroespacial comercial em décadas, reformulando o duopólio global dos jatos de passageiros e reforçando as fabricantes ocidentais contra as recém-chegadas da China, Rússia e Japão.

Isso daria à Boeing uma posição forte na divisão menor do mercado de jatos, permitindo também competir melhor com os CSeries projetados pela canadense Bombardier e comprados pela europeia Airbus, que os renomeou com A220.

A Comissão Europeia, que estabeleceu o prazo de 4 de outubro para sua análise preliminar do acordo, não respondeu a um pedido de comentário imediato da Reuters.

A agência da concorrência da UE iniciará uma investigação em grande escala após o final de sua análise preliminar, o que pode levar até cinco meses e aumenta a pressão sobre a Boeing para oferecer concessões para tratar de questões de concorrência.

A Comissão recentemente questionou fornecedores e rivais sobre o negócio, indicando preocupações com a concentração no mercado.

Eles foram questionados sobre o impacto do número reduzido de fabricantes, de sete para seis como um todo e de três para dois em vários segmentos específicos, disse uma pessoa com conhecimento direto do acordo.

Nenhum comentário imediato foi disponibilizado pela Boeing ou pela Embraer.

Analistas de aviação dizem que há sobreposição no número de assentos entre a família 737 da Boeing e os jatos E2 da Embraer, porém ela é apenas limitada, enquanto há um pouco mais de sobreposição entre o portfólio da Airbus e o programa CSeries da Bombardier.

Relembre nas matérias a seguir alguns alguns pontos do desenrolar do acordo ao longo dos últimos meses.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.