Congresso italiano estabelece uma bizarra condição para resgatar a Alitalia

A Alitalia acaba de ficar com uma faca de dois gumes nas mãos. Depois de criar um plano que poderia ser sua salvação, o governo italiano agora parece que mudou de ideia e a nova exigência, além de tirar o foco da empresa, poderá levá-la a um buraco ainda mais fundo.

Avião Boeing 777 Alitalia

Os mais recentes planos do governo davam conta de que uma empresa pública seria criada sob o nome inicial de Newco e seria responsável por capitalizar a empresa, tornando-a, ao mesmo tempo, 100% estatal. No entanto, parece que a proposta de enxugar as operações, que incluía uma redução de frota e quase 7.000 demissões, não caiu bem no “estômago” de alguns políticos locais.

Segundo a conceituada revista Travel Trade Gazette (TTG), o governo italiano não quer que a empresa seja a única beneficiária do decreto “Cura Italia” que pretende salvar empresas dos efeitos da Pandemia do Coronavírus. Neste decreto, em torno 500 milhões de euros (R$2.87 bilhões) seriam destinados ao setor aéreo, e como a Alitalia é única grande companhia aérea, ficaria com a “bolada” toda, praticamente.

Em contrapartida, a empresa seria totalmente estatizada (atualmente 51% da empresa é do governo), o que já era esperado por todos os que acompanham a situação da empresa e, inclusive, já havia sido divulgado pelo governo.

Mais dinheiro, mais exigências

Mas agora, alguns congressistas querem até aumentar este fundo, que pode chega à cifra de €700 milhões (R$4 bi), mas eles pedem uma contrapartida que pode ser fatal para a empresa no longo prazo: não apenas a manutenção, como o aumento de funcionários numa empresa ineficiente e já, comprovadamente, ineficaz.

Nos novos termos dos parlamentares, a empresa teria que manter o número de funcionários (hoje em torno de 11.400) e também absorver os funcionários “de outras companhias nacionais que estão em processo de falência/recuperação judicial”, em uma clara referência à Air Italy.

A Air Italy era uma subsidiária “low-cost” da Qatar Airways, que havia sido criada para competir com a Alitalia. No entanto, e empresa de baixo custo não conseguiu manter suas operações e a concorrências de outras empresas com redes maiores, além de não contar mais com o aporte dos árabes, vindo a decretar falência em fevereiro deste ano quando contava com um quadro de 1.200 funcionários.

Caso isso seja aprovado, não será fácil para a Alitalia lidar com a nova situação. Novas contratações empregados vai na contramão do processo de recuperação de qualquer empresa, ainda mais em meio a uma pandemia que terá como produto o encolhimento do mercado aéreo global.

Se o plano original da Newco previa a redução da Alitalia ao tamanho que tinha em 1957, com 3 mil funcionários e 37 aviões, esta “sinuca de bico” em que o Congresso italiano está colocando a empresa pode ser o seu fim definitivo, ao custo de bilhões do bolso dos contribuintes.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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