Alitalia só tem mais duas semanas para encontrar sua salvação; ou pode falir

Em meio àquela que talvez seja a maior de suas crises, a Alitalia agora vê seus voos internacionais saindo de Milão sendo cancelados e os domésticos drasticamente reduzidos devido à quarentena geral do norte da Itália imposta pelo governo para conter o surto do coronavírus. Enquanto isso, o prazo para encontrar um comprador está acabando.

Em meio a um contexto de caos financeiro, coronavírus, voos cancelados, aviões devolvidos e uma reestruturação pesadíssima, a Alitalia agora vê suas alternativas de salvação se esgotando e o prazo final se aproximando.

Em processo de falência desde maio de 2017, o governo local agora concedeu até 18 de março para as partes interessadas apresentarem ofertas para compra de totalidade ou parte de seus negócios.

Atualmente, a Alitalia é gerenciada por um único administrador de falências, o italiano Giuseppe Leogrande. Ele deu duas opções: que a manifestação de interesse seja para a compra da empresa como um todo – preferida pelo governo – ou para seus ativos, que dividiu em três lotes: aviação, carga aérea e manutenção.

Como Jack

A novidade é que, pela primeira vez nos últimos meses, está incluída sua hipotética aquisição por partes, algo que o governo se negava categoricamente desde 2018.

Num passado não tão distante, a companhia aérea alemã Lufthansa e a easyJet mostraram interesse, mas o novo governo, que assumiu em 2018 paralisou a operação porque queria estudar a viabilidade de entregar a empresa a donos estrangeiros.

Recentemente, o governo concedeu dois empréstimos, um de 900 milhões de euros e um segundo de 400 milhões, para garantir a operação da empresa que há duas décadas anos não dá lucro. A chance de que esse dinheiro volte aos cofres do governo é mínima e isso tem gerado desconforto em setores da sociedade que acham que o povo não tem que ficar com o ônus de uma empresa em frangalhos.

Analistas acreditam que a principal janela de oportunidade foi perdida quando a venda para a Lufthansa foi rejeitada e que, para salvar a empresa, somente com a nacionalização total do capital e uma profunda reestruturação, que pode cortar metade dos 11.000 empregos da empresa aérea.

Em termos de sociedade, os atuais acionistas são a estatal Ferrovie dello Stato Italiane com 35%, o Ministério da Economia com outros 15% e a Etihad com 49%. A última já informou que não investirá mais na empresa italiana.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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