Amazon agora quer turboélices ATR para serem o terceiro tipo de avião em sua frota

Avião ATR 42-600
Imagem: ATR

A gigante do e-commerce Amazon, através de sua empresa aérea Amazon Air, planeja incluir um terceiro tipo de aeronave à sua crescente frota de cargueiros. Esse novo membro seriam turboélices ATR-72, que chegariam para fazer companhia aos atuais Boeing 767-300F e Boeing 737-800F e operar em rotas de distâncias mais curtas.

Com essa iniciativa, a Amazon estaria apta a chegar a ainda mais destinos no interior dos Estados Unidos, onde não há demanda para os jatos, além de locais que possuem pistas menores. A informação foi citada em primeira mão pelo jornalista Jon Ostrower em seu site The Air Current, que cita duas fontes próximas da empresa como a origem da notícia.

Não há detalhes de qual modelo ou quantos ATR seriam adquiridos pela Amazon.

Crescimento vertiginoso

O crescimento do e-commerce no último ano foi substancial. Estimativas calculam que, nos EUA, o mercado do varejo digital cresceu em torno de 30% para mais por conta da pandemia e menos gente circulando. Isso impulsionou ainda mais os planos que a Amazon já tinha de crescer gradualmente sua frota de aviões, os quais são usados nas entregas das vendas de seu marketplace.

Avião Boeing 767-300F cargueiro Amazon Prime Air
Imagem: Patrick Feller / CC-BY 2.0, via Flickr

Em pouco tempo, o aumento do número de aeronaves da Amazon Air foi vertiginoso. Tudo começou em agosto de 2016 com apenas seis aeronaves de carga e foi se expandindo até chegar nas 85 atuais, mas os planos vão além dos 200 aviões, além, da construção de hubs enormes em vários pontos dos EUA (e do mundo).

Com a autoestima lá no alto, Jeff Bezos, o fundador da Amazon, parece querer mais. Segundo um relatório recente do Seeking Alpha, a empresa não está se limitando a entregar suas próprias encomendas, mas já começou a transportar, discretamente, a carga em seus aviões para pelo menos um cliente importante: nada menos do que o correio dos Estados Unidos (USPS).

Com isso, novas especulações surgiram no mercado de que o acordo poderia pressagiar uma eventual entrada da Amazon para competir diretamente com empresas como a UPS e a FedEx no transporte aéreo de malotes e mercadorias. Lembrando que a Amazon também já sinalizou anteriormente seu interesse em concorrer numa eventual licitação dos Correios brasileiros.

Se esses planos forem reais, a incorporação de aeronaves menores, como os ATR, cai como uma luva para a empresa, não apenas para atender aos seus próprios pacotes, mas também oferecer o serviço a outros players.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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