American Airlines concede mais licenças do que poderia a pilotos e pede desculpas ao retroceder

A gigante companhia aérea norte-americana American Airlines criou uma situação bastante desagradável após uma decisão aparentemente mal calculada de conceder mais licenças e aposentadorias antecipadas do que poderia a muitos de seus pilotos.

Avião Airbus A321 American Airlines
Imagem: Alan Wilson [CC]

Na semana passada, a American introduziu uma série de opções de licença e aposentadoria voluntárias para seus pilotos, que haviam sido negociadas com o sindicato Allied Pilots Association.

Como a American reduziu muito seu programa de voo em resposta ao surto de COVID-19, as opções de licença foram uma maneira de reduzir temporariamente o número de pilotos excedentes sem a necessidade de demitir tripulantes ou contar com resgates do governo.

A American ofereceu três tipos de licença para seus 14.000 pilotos:

  1. Licença voluntária prolongada – até 12 meses de licença não remunerada, mas mantendo benefícios e continuando a acumular senioridade e licença anual;
  2. Licença voluntária de curta duração – licença de um, três ou seis meses e pagando o equivalente a 55 horas de voo por mês, além de manter benefícios e continuar a acumular senioridade e férias anuais;
  3. Aposentadoria antecipada – pilotos com pelo menos 62 anos de idade podem se aposentar antes do tempo e receber o equivalente a 55 horas de voo por mês até a idade obrigatória de aposentadoria de 65 anos.

Mas, segundo a CNBC, parece que a American concedeu as opções a mais pilotos do que poderia, o que significa que muitos dos que desejam tirar um período de folga ou até ajudar a empresa a economizar ainda mais dinheiro, agora não poderão fazê-lo.

Cerca de 600 pilotos que operam a frota de curta distância das famílias Airbus A320 e Boeing 737 da American receberam os afastamentos voluntários antecipados.

Mas, depois de conceder essas antecipações, Kimball Stone, vice-presidente sênior de operações de voo da American, disse em um e-mail aos pilotos que “a companhia aérea, por erro de cálculo ou falta de comunicação, indicou erroneamente que poderíamos conceder um mínimo de 1.200 licenças de A320 e 737 a curto prazo. (…) descobrimos que não poderíamos oferecer nem um número próximo a esse com base na programação atual de abril”.

Dennis Tajer, porta-voz da Allied Pilots Association e também piloto da companhia aérea, acusou a American de “desperdiçar dinheiro” depois que a administração admitiu ter errado na projeção. Ele disse estar “atordoado com a falha de execução” do regime especial de licença para economizar dinheiro por causa da crise do Coronavírus.

Nem tudo parece estar perdido, no entanto. Stone diz que espera que mais licenças voluntárias sejam concedidas em maio. E pelo andar da expansão da pandemia nos Estados Unidos, é bem provável que elas realmente sejam necessárias.

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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