American critica Justiça dos EUA após anúncio de bloqueio de sua aliança com a JetBlue

Boeing 737-800 – Imagem: Eric Salard / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Em uma declaração na última terça-feira, 21 de setembro, o presidente e CEO da American Airlines, Doug Parker, respondeu com críticas ao processo anunciado pelo Departamento de Justiça (DOJ) dos Estados Unidos contra a empresa e sua parceira JetBlue, fundada pelo brasileiro David Neeleman, em sua aliança denominada Northeast Alliance (NEA).

O CEO da American emitiu o seguinte comunicado:

“No verão passado, a American e a JetBlue anunciaram uma aliança inovadora para aumentar a competição no Nordeste. Em apenas alguns meses, a Northeast Alliance cumpriu sua promessa de garantir o crescimento e fornecer benefícios claros ao consumidor em Nova York e Boston.

“Desde janeiro, a aliança trouxe novos serviços para clientes em Nova York e Boston, incluindo 58 novas rotas, aumento de frequências em mais de 130 rotas e codesharing em 175 rotas, bem como novos voos internacionais para Tel Aviv, Atenas e Delhi. Cumprindo a promessa de crescimento, a Northeast Alliance oferecerá mais de 700 voos diários de Nova York e Boston neste inverno e continuará a investir para fornecer uma experiência perfeita aos clientes.

“Antes da aliança, a Delta e a United dominavam o mercado de Nova York. A NEA criou um terceiro concorrente em grande escala em Nova York e está possibilitando mais crescimento em Boston. Ironicamente, o processo do Departamento de Justiça visa tirar a escolha do consumidor e inibir a concorrência, não encorajá-la.

“Não se trata de uma fusão: American e JetBlue são – e continuarão a ser – companhias aéreas independentes. Estamos ansiosos para refutar vigorosamente as afirmações do DOJ e provar os muitos benefícios que a Northeast Alliance traz aos consumidores.”

A declaração de Parker foi feita no mesmo dia em que o Departamento de Justiça, junto com os procuradores-gerais em seis estados e no Distrito de Columbia, abriu processo no Distrito de Massachusetts para bloquear o que chamou de “uma série sem precedentes de acordos entre a American Airlines e a JetBlue por meio dos quais as duas companhias aéreas consolidarão suas operações em Boston e Cidade de Nova York”.

A denúncia civil antitruste alega que essa ampla combinação da Northeast Alliance não apenas eliminará a concorrência importante nessas cidades, mas também prejudicará os viajantes aéreos em todo o país, diminuindo significativamente o incentivo da JetBlue para competir com a American em outros lugares, consolidando ainda mais uma indústria já altamente concentrada.

“Milhões de consumidores em toda a América contam com viagens aéreas todos os dias para trabalhar, visitar a família ou tirar férias. A competição justa é essencial para garantir que eles possam voar de maneira econômica e segura”, disse o procurador-geral Merrick B. Garland.

Segundo o procurador, em um setor onde apenas quatro companhias aéreas controlam mais de 80% das viagens aéreas domésticas, a ‘aliança’ da American Airlines com a JetBlue é, na verdade, uma manobra sem precedentes para consolidar ainda mais o setor. Isso resultaria em tarifas mais altas, menos opções e serviço de qualidade inferior se fosse permitido continuar. A reclamação apresentada hoje demonstra o compromisso do Departamento de Justiça em garantir oportunidades econômicas e justiça, protegendo os consumidores e a concorrência”, complementou Garland.

Airbus A320 da JetBlue

Segundo o comunicado do DOJ, a Northeast Alliance combina as operações da American e da JetBlue em quatro aeroportos principais: Boston Logan, John F. Kennedy, LaGuardia e Newark Liberty, e as companhias aéreas se comprometeram a coordenar “todos os aspectos” do planejamento da rede, incluindo quais rotas voar, quando voá-las, quem as voará e que tamanho de aviões usar em cada voo.

“As duas companhias aéreas também compartilharão as receitas obtidas nesses aeroportos, eliminando seus incentivos para competir entre si. A Northeast Alliance também permitirá que as partes combinem seus portões e autorizações de decolagem e pouso, conhecidas como slots. De acordo com a denúncia, essa combinação sem precedentes aumentaria os preços e reduziria as opções de passageiros que viajam de e para Boston e Nova York”, descreve o DOJ.

Conforme alegado na denúncia, a American tem perseguido incansavelmente uma estratégia de consolidação da indústria nos Estados Unidos e em todo o mundo. Incapaz de se combinar com companhias aéreas estrangeiras por meio de fusões formais, a American, em vez disso, buscou a consolidação por meio de uma série de joint ventures internacionais.

A reclamação ainda alega que o próprio CEO da JetBlue afirmou que “pode parecer que uma dúzia ou mais companhias aéreas [estão] prestando serviço. Mas quando você vai a fundo, são, na verdade, apenas três grandes mega-alianças controlando 87% do tráfego…Os consumidores efetivamente têm muito pouca escolha em mercados onde as Joint Ventures têm um estrangulamento – e eles também enfrentam tarifas mais altas”.

Com informações da American e do DOJ

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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