Empresário tenta emplacar voos domésticos com Boeing 747 nos EUA

Um americano parece estar com “espírito brasileiro” que “não desiste nunca” e irá tentar, pela terceira vez, lançar sua companhia aérea, com a qual quer fazer voos domésticos com o Boeing 747.

Boeing 747
Boeing 747-400 Jumbo e toda sua imponência real – Foto de Cory W. Watts (CC)

O nome do empresário é Barry Michaels, fundador da Family Airlines, aérea que foi criada nos anos 90 mas nunca decolou efetivamente.

A Family tinha a proposta de oferecer voos para as classes mais baixas, e para isso iria colocar o máximo de assentos possíveis nos Boeings 747-100 e 747-200 para poder oferecer tarifas ridiculamente baratas.

Baseada em Las Vegas, a empresa queria oferecer voos de baixo-custo (low-cost) em rotas tronco como Miami – Nova Iorque e Los Angeles – Las Vegas.

O empresário não conseguiu arrecadar todo o dinheiro necessário, e apesar de um 747-100 ter sido pintado nas cores da empresa, nenhum voo foi feito e nem mesmo o certificado de operador aéreo foi emitido.

Anos mais tarde, Barry foi processado por investidores, sendo obrigado a devolver $363 mil dólares e pagar mais $180 mil de multa por oferecer ações de uma companhia aérea sem certificado de operador.

A volta das cinzas

Boeing 747
Boeing 747-100 da Family Airlines abandonado © Torsten Maiwald

Em 2010, o empresário foi novamente até a agência de aviação civil dos EUA, a FAA, para dar início ao processo para abrir uma aérea. Mais uma vez, não houve sucesso.

Agora, a mais recente investida é a Avatar Airlines, que foi fundada em 2014, em nova sede em Boca Raton, nos arredores de Miami na Flórida.

E neste mês Barry lançou o Business Plan da companhia aérea, que não se difere muito da antiga Family Airlines.

Business Plan

Mapa de rotas da Avatar nos três primeiros anos

No documento, Barry irá “partilhar” a companhia em 20 milhões de ações, sendo o preço de cada uma delas de $15 dólares (R$62), com cota mínima de 5 mil ações por investidor.

Os Jumbos da Avatar Airlines irão contar com 539 assentos da classe econômica no piso inferior, e 42 da executiva no superior, totalizando 581 assentos numa configuração super densa.

Alguns exemplos de passagens compradas com 30 dias de antecedência foram colocadas no documento, como de Los Angeles para Nova Iorque por $79 dólares, Las Vegas para Los Angeles por $19 e Nova Iorque para Miami por $49.

Em uma rápida pesquisa na internet é possível ver que as tarifas mais baixas nestes trechos em voos diretos para daqui 30 dias (20 de dezembro) são de $119, $29 e $104, respectivamente.

A ideia da companhia não é fazer leasing (aluguel) dos 747-400, e sim comprá-los. A recente aposentadoria de vários Jumbos colocou várias aeronaves usadas no mercado por bons preços.

Barry estima que o custo para comprar e reformar os jumbos será de $15 a $25 milhões de dólares por aeronave. Com isso, o americano estima que o custo operacional do 747-400 por hora seja 42% menor que o de quatro jatos 737 ou A320, que seriam necessários para levar um número similar de passageiros.

Gráfico da Avatar Airlines compara custo operacionais

Numa simulação feita no documento, da rota Miami – Nova Iorque com 84% de ocupação (488 assentos), sendo que cada bilhete fosse vendido por $64 (já acima do divulgado, de $49 dólares na rota), a receita seria de $31.407.

Na conta do empresário, as taxas de aeroporto e custos com empresas de handling para carregamento/descarregamento da aeronave seriam de $5.856 neste voo, e somam-se a isso o custo do combustível de $12.301 e “outros custos do voo” não especificados de $11.311, totalizando $29.468 de despesas.

Com isso, a empresa teria um lucro líquido de $1.938 no voo, sem contar com receitas auxiliares como venda a bordo, venda de bagagem despachada, cargas e anúncios em voo.

E aí que vem outra parte interessante do plano de negócios: propagandas. Barry quer grandes parcerias com as marcas mais famosas do setor de consumo, como Pepsi, Apple, Starbucks, Google, Ebay e Burguer King.

Estas parcerias iriam trazer receita para a companhia através de grandes anúncios no jumbo. Veja o conceito:

Boeing 747-8 e listagem na bolsa

O plano de negócios não para por aí. Barry quer que a empresa faça o IPO (oferta inicial pública de ações na bolsa) entre três e cinco anos após seu primeiro voo.

Com esta oferta ele espera capitalizar $10 bilhões de dólares, que seriam utilizados para comprar inicialmente 30 jatos 747-8i, de última geração.

Porém o 747-8i não é mais produzido, sendo que a última unidade foi entregue para a Korean Air, e o Air Force One será modificado a partir de aviões que iriam para a finada russa Transaero.

Mas Barry acredita que a Boeing irá reabrir a linha de produção dado o grande pedido que ele fará para a Avatar, além de um desconto na compra.

Outras idéias incluem um centro de manutenção e uma sede da companhia com um hotel de 300 quartos em anexo. As projeções apontam para um lucro líquido oriundo das operações de $45 milhões de dólares já no segundo ano. Você pode conferir o Bussiness Plan completo clicando aqui.

Em nossa análise, a companhia não irá decolar pelo mesmo motivo da Family Airlines: falta de investidores e projeções malucas. Barry aparentemente não considerou o custo de aquisição do 747 nas projeções de custo de voo e tampouco falou sobre custo de funcionários.

E para você leitor, é mais uma empreitada louca ou o empresário Barry é o próximo David Neeleman?

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos

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