An-225: o maior avião inacabado do mundo está escondido em um armazém

Nos arredores de Kiev, na Ucrânia, um velho edifício industrial passa quase sempre despercebido e você sequer poderia imaginar o segredo extraordinário que ele esconde. Em seu interior encontra-se um capítulo inacabado de um dos maiores feitos da aviação soviética, o maior avião do mundo que nunca foi concluído, o segundo Antonov An-225.

Em toda a história, apenas uma unidade do An-225 foi construída pela Antonov, a qual foi romanticamente apelidada Mriya (significando “sonho”), que tinha por objetivo transportar componentes do programa espacial russo durante a Guerra Fria, inclusive levar em ‘suas costas’ o ônibus espacial Buran.

E esse único avião, cujo primeiro voo foi em 1988, continua em serviço até os dias de hoje, mesmo depois de aposentado de sua missão original, e tem sido usado no transporte de cargas gigantes, que outros aviões não conseguem fazer.

Pouca gente sabe, no entanto, que um segundo An-225, que seria o irmão deste gigante alado, começou a ser construído. Mas, com o fim da Guerra Fria, desmembramento da União Soviética e as mudanças nas ambições dos países do leste europeu, o projeto foi interrompido e o segundo An-225 virou mesmo apenas um “sonho”.

Segundo a Antonov, este modelo está 70% pronto e ela entende que é possível finaliza-lo e coloca-lo para voar um dia, caso haja demanda no mercado e investidores dispostos a colocar cerca de US$ 300 milhões no projeto.

Apesar de melancólica, a visão é impressionante. O Mriya continua a ser a aeronave mais pesada já construída e, se concluído, teria um comprimento de 84 metros e 88 metros de envergadura, com um peso máximo de carga de 250 toneladas.

Devido ao seu tamanho, os pilotos precisam de treinamento especial para lidar com os desafios de manobra-lo. Uma das peculiaridades do avião é sua capacidade de executar a “dança do elefante”, uma brincadeira usada na aviação, quando a parte frontal, do ‘nariz’ abaixa para facilitar as operações de carga.

Em 2016, a China havia demonstrado interesse na finalização dessa aeronave, mas as dificuldades de transportar a estrutura e demais peças já prontas para o território chinês abortaram o projeto.

Culto ao gigante

Por causa do seu design e tamanho, o Mriya fascina os amantes de avião que frequentemente se reúnem para vê-lo pousar e decolar durante voos comerciais. Ele já esteve duas vezes no Brasil, em 2007 e em 2016. Na sua última visita, com a difusão das informações pelo AEROIN e pelas redes sociais, centenas de pessoas tomaram conhecimento e foram vê-lo pessoalmente nos aeroportos de Campinas e Guarulhos. As administradoras dos aeroportos transmitiram o evento ao vivo pela internet.

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AN-225 durante o carregamento – Imagem: ANTONOV

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.