ANAC visita usina de biodiesel para conhecer potencial de produção do BioQAV no Brasil

white passenger plane flying over the city during sunset
Foto de Shoval Zonnis via Pexels.com

Conhecer e prospectar o potencial de produção de bioquerosene de aviação (BioQAV) no Brasil para o desenvolvimento sustentável do setor. Essa foi a pauta da visita técnica realizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e o Ministério da Infraestrutura (Minfra), nesta sexta-feira (30), na usina de biodiesel da Granol, em Anápolis (GO). O uso do BioQAV ou SAF (tradução em inglês) é apontado como uma alternativa para reduzir as emissões do transporte aéreo e contribuir para a mitigação das mudanças climáticas.

A agenda contou com a presença de técnicos da ANAC; do diretor da Agência, Rogério Benevides; do secretário-executivo do Minfra, Marcelo Sampaio; do diretor de Biocombustíveis de Aviação da Ubrabio e do representante da Gol Linhas Aéreas, Pedro Scorza; do diretor da Granol, Diego Ferrés; do diretor da Ubrabio, Donizete Tokarski, além de representantes do Ministério de Minas e Energia (MME) e pesquisadoras das universidades federais da Paraíba e do Rio Grande do Norte que integram a Rede Brasileira de Bioquerosene e Hidrocarbonetos Renováveis para a Aviação.

A visita é parte da pauta de sustentabilidade e meio ambiente da ANAC, na contribuição da transição energética do setor, na adoção de boas práticas de gestão ambiental e na viabilidade do uso de combustíveis sustentáveis no transporte aéreo. A promoção do desenvolvimento sustentável na aviação é objetivo estratégico da ANAC, em consonância com o CORSIA – o Esquema de Compensação e Redução de Carbono de Aviação Internacional, implementado no âmbito da OACI.

A Agência acredita no potencial do setor de adotar soluções que promovam o desenvolvimento em harmonia com as questões ambientais e climáticas no Brasil e no mundo. “Temos a necessidade, como sociedade, de atuarmos responsavelmente na questão ambiental. Dominamos a tecnologia de produção de biocombustíveis em larga escala e possuímos biomassa disponível. Há um grande potencial para uma política setorial no país que viabilize a produção de bioquerosene de aviação (BioQAV) no Brasil, gerando novos empregos e trazendo benefícios econômicos, ambientais e sociais”, afirma o diretor da ANAC, Rogério Benevides de Carvalho.

Para o secretário-executivo do Ministério da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, esta agenda vem ao encontro do esforço que o Ministério vem fazendo em todos os modais. “É um desafio para todos nós. Precisamos trabalhar em conjunto na busca de um combustível sustentável e eficiência energética para o Brasil. Nosso país tem toda condição para isso”, destacou Sampaio.

No evento, foram discutidos temas como mudanças climáticas e sustentabilidade, reforçando o conceito de ESG (Environmental, Social and Governance), além das tecnologias, matéria prima, infraestrutura de produção e políticas públicas que são necessárias para o uso de biocombustíveis no país. A usina visitada, que faz parte da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), é a segunda no ranking de capacidade e quarta em produção de biocombustível no país, de acordo com dados de janeiro a junho de 2021. Principal entidade da cadeia produtiva de biocombustíveis no país, a Ubrabio, por meio de suas associadas, é responsável por 50% da produção de biodiesel no país e gera cerca de 500 mil empregos diretos e indiretos.

Potencial – Segundo levantamento da RBS (Roundtable on Sustainable Biomaterials), o Brasil tem potencial para produzir até 9 bilhões de litros de combustível sustentável de aviação (SAF, em inglês). Entretanto, é uma indústria que ainda depende de políticas públicas e investimentos para se estabelecer no Brasil.

“Combustível não basta ser renovável, tem que ser sustentável. O Brasil possui matéria-prima e consegue produzir, mas esbarra na viabilidade econômica, no custo, na falta de investimento e políticas públicas”, ressaltou a pesquisadora da Universidade Federal da Paraíba, Nataly Albuquerque, durante a visita à usina.

A pesquisadora destacou ainda que os estudos de biocombustíveis da UFPB são feitos em parceria com a Universidade Carolina do Norte, referência em tecnologia ligada aos hidrocarbonetos renováveis ou diesel verde.

Muitos países na Europa já possuem produção e biocombustíveis como Alemanha, França e Espanha, além do Canadá, Índia, China, Indonésia e os Estados Unidos, maior produtor de biocombustível do mundo. 

Informações da ANAC

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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