Análise econômica mostra que a covid-19 pode ser uma ameaça existencial para os aeroportos

Uma análise econômica conduzida pela Airports Council International (ACI) descobriu que, em nível global, a pandemia do covid-19 deve acabar com dois quintos do tráfego de passageiros e quase metade das receitas dos aeroportos em 2020.

Aeroporto Newark Liberty New York
Aeroporto Newark Liberty, em New York

Em um boletim econômico publicado nesta quinta (2), a ACI World prevê um tráfego global de passageiros cerca de dois quintos (38,1%) menor em comparação com o previst pré-COVID-19 previsto. Isso equivale a 3,6 bilhões de passageiros em termos absolutos.

Esse déficit no número de passageiros e o cancelamento de voos continuarão a resultar em receitas reduzidas. Embora se esperasse que a indústria gerasse cerca de US$ 172 bilhões (valores em dólares americanos), agora está previsto que poderá perder cerca de 45% (mais de US$ 76 bilhões) até o final deste ano.

“Um declínio drástico de magnitude para a indústria aeroportuária global representa uma ameaça existencial”, disse a diretora geral da ACI, Angela Gittens. “É necessária uma resposta política rápida, eficaz e equitativa dos governos para proteger milhões de empregos, proteger operações essenciais e dar à indústria a maior chance de enfrentar a tempestade e se recuperar rapidamente. A indústria aeroportuária global já enfrentou perdas de bilhões de dólares no primeiro trimestre de 2020, mas agora é previsto que o impacto da covid-19 se estenda não apenas ao segundo trimestre de 2020, mas também à segunda metade do ano”

“A maioria dos especialistas do setor de transporte aéreo concorda que a recuperação pode levar de um ano a 18 meses para atingir os níveis de tráfego antes da crise e o setor pode não registrar os volumes de tráfego anteriores ao covid-19 antes do final de 2021″, complementou.

Como as receitas continuam a se contrair rapidamente, os aeroportos estão tomando todas as medidas possíveis para preservar a estabilidade financeira. Embora os aeroportos tenham altos custos fixos, eles estão reduzindo ao mínimo os custos variáveis, fechando partes da infraestrutura, adiando despesas de capital e demitindo pessoas. Essas decisões difíceis são necessárias em resposta à crise que a indústria enfrenta.

No que diz respeito às perspectivas de recuperação, a ACI acredita que é razoável prever uma recuperação mais rápida do tráfego doméstico de passageiros. No caso do tráfego internacional de passageiros, no entanto, a recuperação levará mais tempo, pois qualquer voo internacional implica permissões recíprocas, enquanto vários Estados emergirão da crise atual em diferentes momentos.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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